Grátis: Criado a partir de depoimentos da vizinhança do Grupo Sobrevento, espetáculo ‘Noite’ tece um mosaico de memórias

SÃO PAULO – Indicado ao Shell de 2018 na categoria Inovação pela pesquisa em Teatro de Objetos, o Grupo Sobrevento estreia espetáculo que entrelaça histórias contadas por moradores do Brás e do Belenzinho, onde está sediado há dez anos. No palco, um mosaico cênico com histórias, memórias, como se fossem caixinhas de lembranças. Por meio de dispositivos – a princípio simples – como escutar histórias na feira, observar um velário, conversar com pessoas e ir a uma igreja, o Grupo Sobrevento recolheu diversos depoimentos para criar sua mais nova montagem, Noite.

Criado a partir do Teatro de Objetos – linguagem que o grupo pesquisa profundamente desde 2010 – o espetáculo tem uma dramaturgia que nasceu dos depoimentos de seus vizinhos e das suas histórias, todas relacionadas a objetos guardados, secretos, carregados de afetos, ou ainda do sentimento pela ausência/perda deles.

Sandra Vargas, que divide a direção da peça com Luiz André Cherubini, conta que Noite foi concebido a partir da prática da escuta dos moradores locais e não de um tema pré-determinado pelo grupo. Entender como a população lida com as próprias memórias e quais histórias elegem para contar ao outro foi determinante para que a dramaturgia, criada em conjunto pela companhia, tomasse forma.

Em cena, um homem cego interpretado por Luiz André Cherubini conversa com um menino e sua fala é atravessada por suas memórias. O cenário composto por 11 nichos de tamanhos variados, sobrepostos, torna possível contemplar na cena todas as personagens que compõem a memória desse homem. A princípio, a luz ilumina cada figura por vez, dando vida a uma determinada memória, mas como num processo típico do pensamento humano, há momentos em que as memórias se misturam, se interrompem ou aparecem de forma fragmentada. Cada ator representa a potência máxima dessa memória, carregando em seu nicho elementos visuais que remetem ao pensamento do homem cego.  

O desafio do grupo foi amarrar as histórias colhidas e ressaltar na cena como determinado objeto conduz a narrativa. Um vestido, uma vela, uma tesoura e pratos de cozinha são alguns dos objetos que disparam as memórias. “Foi importante preservar a simplicidade com que cada pessoa nos contou sua história”, destaca Sandra. A artista ressalta que os assuntos mais recorrentes durante as conversas eram os relacionados com terra, morte e jardim.

Os figurinos assinados pelo estilista e figurinista João Pimenta, remetem a temas religiosos. Coroas de flores, túnicas, vestidos brancos, asas e penas compõem a vestimenta das personagens. O Grupo Sobrevento está indicado ao Prêmio Shell de Teatro de 2018, na Categoria Inovação, pela sua pesquisa no Teatro de Animação e de Objetos.

Ficha técnica

Criação: Grupo Sobrevento

Direção: Sandra Vargas e Luiz André Cherubini

Dramaturgia: Grupo Sobrevento (a partir de depoimentos de vizinhos)

Elenco: Sandra Vargas, Luiz André Cherubini, Maurício Santana, Sueli Andrade, Liana Yuri e Daniel Viana

Música original: Arrigo Barnabé

Iluminação: Renato Machado

Figurino e adereços: João Pimenta

Assistência de figurinos e adereços: Marcelo Andreotti e Sueli Andrade

Cenografia: Luiz André Cherubini

Cenotécnica: Agnaldo Souza, Mandy e Paulo Higa

Técnica de luz: Marcelo Amaral

Assistência de Iluminação: Vinícius Soares

Video Mapping: Cristhian Lins

Fotografia: Arô Ribeiro

Fotografias de Cena: Marco Aurélio Olimpio

Programação Visual: Marcos Corrêa – Ato Gráfico

Assessoria de Imprensa: Márcia Marques – Canal Aberto

Colaboração artística no desenvolvimento do Museu-Teatro da Vizinhança: Márcia Marques, Arô Ribeiro, Milena Moura, Daisy Kudo e Paula Adriana Tobaruela

SERVIÇO

Estreia dia 1 de fevereiro de 2019

Temporada até 24 de março

Sexta e sábado, às 20h30, e domingo, às 18h.

Espaço Sobrevento – Rua Coronel Albino Bairão, 42 – Metrô Bresser-Mooca. Tel. (11) 3399-3589 e 11-96625-8215.

Entrada franca. Bilheteria abre uma hora antes. Reservas: info@sobrevento.com.br

Duração: 60 min. Não recomendado para menores de 14 anos.

Capacidade: 80 lugares

Acesso a cadeirantes. Não tem estacionamento.

Realização: Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

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