5ª edição do Mirada – Festival Ibero-americano de artes Cênicas traz 13 países à Baixada santista e Antunes Filho com duas estreias

SANTOS – De 5 a 15 de setembro, a unidade do Sesc em Santos, e também teatros, espaços públicos e edifícios históricos dos nove municípios que integram a Baixada Santista serão ocupados pela quinta edição do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, em uma iniciativa do Sesc São Paulo. Para o evento, a curadoria traz 41 espetáculos de teatro e dança de países da América Latina, Portugal e Espanha.

O CPT – Centro de Pesquisa Teatral Sesc, dirigido por Antunes Filho, e uma parceria entre Carolina Virgüez e Sara Antunes assinam as duas estreias brasileiras na mostra. O Festival traz ainda outras 14 produções nacionais. A Colômbia, país homenageado da edição, terá 9 produções inéditas no país, e um espetáculo da Nicarágua se apresenta pela primeira vez no MIRADA, que acontece em Santos a cada dois anos.

Mudança e resistência
Para Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, “Em um mundo sacudido por frequentes crises socioeconômicas e humanitárias, uma forma do Sesc manifestar sua corresponsabilidade passa pela manutenção de uma agenda de festivais e eventos diversos dedicados ao encontro, ao intercâmbio, à reflexão e ao debate coletivo. Miranda complementa: “Reverberando pautas urgentes e necessárias por meio de temáticas relacionadas aos princípios democráticos e às liberdades criativas, o MIRADA pretende fortalecer nosso compromisso com a rica diversidade ibero-americana ao conectar e envolver diferentes pontos desse corredor sociocultural. Trata-se de fortalecer o papel das artes como vetor de celebração, mudança e resistência”.

MIRADA maior
Pela primeira vez, o festival é realizado nas nove cidades da Baixada Santista: Bertioga (Parque dos Tupiniquins), Cubatão (Parque Anilinas), Guarujá (Praça dos Expedicionários e Museu Histórico Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande), Itanhaém (Praça Narciso de Andrade), Mongaguá (Praça Doutor Fernando Arens), Peruíbe (Praça Matriz São João Batista), Praia Grande (Calçadão da Av. Castelo Branco), São Vicente (Praça Tom Jobim) e Santos (Arcos do Valongo, Cadeia Velha, Casa Rosada [SABESP], C.A.I.S. Vila Mathias, Doca Valongo, Parque Roberto Mário Santini (Emissário), Praça Mauá, Sesc Santos, Teatro Armênio Mendes – Centro Cultural Português, Teatro Brás Cubas, Teatro Coliseu e Teatro Guarany).

Homenagem à Produção Colombiana
Na abertura, no dia 5 de setembro, às 20 horas, o Sesc Santos apresenta a peça Labio de Liebre, do Teatro Petra, que marcou o aniversário de 30 anos da consagrada companhia colombiana, em 2015. A recente encenação do grupo, Cuando Estallan las Paredes, também está na programação.

Reconhecida internacionalmente por sua criteriosa pesquisa cênica, a companhia La Maldita Vanidad comparece com o díptico Dramas Neo-costumbristas de Carácter Fatal, composto pelas montagens Nos Hemos Olvidado de Todo (Drama 1), inédita em palcos nacionais, e Promesa de Fin de Año (Drama 2) – que faz sua estreia mundial no festival e é construído a partir de um tema atual: a transexualidade.

Uma das montagens mais significativas desta edição é La Despedida, do Mapa Teatro, que com uma refinada linguagem propõe a reflexão política e encerra o longo estudo feito pelo grupo sobre a violência na Colômbia.

Entre os espetáculos colombianos de dança, o destaque é o La Ciudad dos Otros, do grupo Sankofa, que reúne 20 bailarinos para discutir, de maneira contundente, a presença do negro nas artes.

A Presença Feminina
Encenadoras experientes, como a peruana Chela De Ferrari, as brasileiras Bia Lessa e Regina Bertola, as mexicanas Conchi León e Lucero Millán (radicada na Nicarágua) são alguns dos exemplos da presença, cada vez mais expressiva, de diretoras e escritoras de diferentes gerações na cena teatral latino-americana. No MIRADA, elas figuram ao lado de artistas mais jovens, como é o caso das chilenas Lauréne Lemaitre, Manuela Infante e Marcela Salinas, a peruana Claudia Tangoa, a uruguaia Jimena Márquez, a portuguesa Joana Craveiro, a potiguar Quitéria Kelly e as mineiras Grace Passô e Sara Pinheiro.

Estreias
Além da estreia mundial da colombiana Dramas Neo-Costumbristas de Carácter Fatal: Promesa de Fín de Año (Drama 2), duas produções brasileiras serão encenadas pela primeira vez:  Eu Estava em minha Casa e Esperava que a Chuva Chegasse, trabalho do CPT – Centro de Pesquisa Teatral do Sesc São Paulo, dirigido por Antunes Filho e baseado no texto do dramaturgo francês Jean-Luc Lagarce, e Corpos Opacos, criação da colombiana Carolina Virgüez (Aquela Cia. de Teatro) – vencedora do prêmio Shell por Caranguejo Overdrive, que esteve no Mirada em 2016 – em parceria com a brasileira Sara Antunes.

Inéditas no Brasil
A primeira participação da Nicarágua no festival se dará com o drama urbano La Ciudad Vacía, que tem como pano de fundo Manágua, no contexto da Revolução Sandinista.

Chela De Ferrari adaptou a célebre comédia de Shakespeare, Mucho Ruído por Nada (Much Ado About Nothing). A partir de uma leitura peculiar do texto original, a diretora peruana traz à cena temas sociais contemporâneos.

Entre as peças nunca apresentadas por aqui, estão ainda Nimby (Nosotros Somos Los Buenos), do Colectivo Zoológico e Theather und Orchester Heidelberg, uma produção chilena que conta a história de uma comunidade alternativa de classe média que se levanta em defesa de seu território; C H A N C H O, da boliviana Chakana Teatro; e El Ritmo (Prueba 5), dirigido por Matías Feldman e encenado pela companhia argentina Buenos Aires Escénica.

De Portugal, Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas, da diretora Joana Craveiro, percorre mais de 80 anos da história lusa, da ditadura do Estado Novo ao processo revolucionário pós-1974, sendo a primeira vez que Joana vem ao Brasil com uma montagem. A também portuguesaAmazónia, da companhia Mala Voadora, projeta em nossa floresta a relação da espécie humana com a natureza, além de levantar questionamentos sobre a nossa sociedade.

Alguns trabalhos desenvolvidos ao sul do continente americano trazem como marca a pesquisa de linguagem.  O dramaturgo uruguaio Sergio Blanco, que já esteve no Mirada em 2016 com La Ira de Narciso, apresenta El Bramido de Düsseldorf, sua mais recente obra de autoficção. Do mesmo país, Jimena Márquez investiga a linguagem na distância entre mãe e filhos em Lítost – La frustración.

Produção Brasileira
Além das estreias, apresenta Colônia, monólogo com o ator Renato Livera e direção de Vinicius Arneiro, remete ao caso verídico de genocídio dos mais de 60 mil pacientes no Hospital Colônia, instituição psiquiátrica que no início do século XX promoveu uma espécie de holocausto mineiro em Barbacena (MG); Preto, da Companhia Brasileira de Teatro, discute o racismo, seus desdobramentos subjetivos e objetivos no Brasil; e também Guanabara Canibal, da Aquela Cia. de Teatro, que revisita a fundação da cidade do Rio de Janeiro a partir do massacre indígena promovido pelos colonizadores portugueses.

Com Caliban – A Tempestade de Augusto Boal, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, com 40 anos de atuação, encena na rua uma adaptação feita por Boal, anos 1970, para o clássico de Shakespeare. A obra denuncia os abusos das relações coloniais que têm pautado as políticas na América Latina desde o século XVI. A Invenção do Nordeste, do Grupo Carmin, traz para a cena uma importante crítica cultural, baseada na obra do historiador Durval Muniz de Albuquerque, que questiona a construção estereotipada do imaginário nordestino, em resposta à onda de preconceitos que se intensificou nas redes sociais durante as eleições de 2014. A ficção como procedimento da dramaturgia contemporânea aparece na montagem de A Vida, de Nelson Baskerville, com a Antikatártika Cia Teatral.

Infantil
A programação também inclui produções dedicadas ao público infantil. O paulistano Grupo XIX de Teatro apresenta a primeira obra de seu repertório voltada às crianças: Hoje o Escuro Vai Atrasar para que Possamos Conversar. A espanhola Markeliñe, que já participou do Mirada em edições anteriores, apresenta Euria (Lluvia), espetáculo encenado fora de seu país de origem pela primeira vez e que aborda o contato com a morte e a superação de momentos difíceis.

Entre as obras que falam a qualquer faixa etária de público, a produção brasileira O Circo de Soleinildo, da baiana Cia. Operakata de Teatro, trata de nostalgia, fracasso e de frustração, mas a perda nesse caso é a de um ofício e de uma tradição: o circo mambembe, que está morrendo com a concorrência dos empreendimentos de grande porte.

Mais uma novidade desta edição será o compartilhamento de um processo de pesquisa cênica coordenado pelos diretores Luiz Fernando Marques (Lubi) e Nelson Baskerville. Atualmente em residência artística, onze grupos da região da Baixada Santista foram selecionados para a criação de monólogos e exibirão ao público uma prévia de seus projetos no Museu Histórico Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, Guarujá.

O MIRADA terá mesas de debate, workshops e residências artísticas. O conjunto de atividades formativas que compõem esta edição conta com curadoria compartilhada entre técnicos do Sesc, a dramaturga Dione Carlos e o diretor André Guerreiro.

As temáticas que permeiam essas práticas estão relacionadas a temas atuais, interdisciplinares e pertinentes às histórias que serão contadas nos palcos durante o festival, como a situação dos refugiados no mundo, a condição da mulher em suas diferenças e complexidades, os questionamentos sobre narrativas históricas e o racismo, as memórias coletivas e a iminente demanda por processos de revisão histórica que brota das sociedades de países da América Latina e Caribe. Assim, o festival convida o público a se relacionar com outras visões de mundo e experiências culturais, estabelecendo um diálogo que provoque um pensamento crítico sobre questões da vida contemporânea.

O Festival
Criado em 2010 para evidenciar a pluralidade de estéticas e as pesquisas nas artes cênicas dos países da América Latina e Península Ibérica, o MIRADA chega à sua quinta edição reforçando as similaridades e pluralidades que se estabelecem entre a produção desses países na cidade de Santos, que carrega, além de sua beleza natural, a vocação de palco perfeito para evidenciar e proporcionar o intercâmbio entre os povos.

MIRADA – FESTIVAL IBERO-AMERICANO DE ARTES CÊNICAS

5 a 15 de setembro

Programação completa em 15 de agosto

 INGRESSOS

À venda a partir de 16/08, às 14h, no Portal sescsp.org.br, e às 17h30, nas bilheterias das unidades do Sesc. Consulte a limitação de ingressos à venda por pessoa.

O ingresso comprado nas bilheterias das unidades não será devolvido ou trocado para outro horário, dia ou espetáculo.

Os espetáculos para crianças terão venda de ingressos apenas nas bilheterias das unidades do Sesc. Crianças até 12 anos não pagam, mas devem retirar ingressos com antecedência.

No Sesc Santos, a compra de ingressos pode ser feita de terça a sexta, das 9h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.

Nos dias das atividades nos espaços C.A.I.S. Vila Mathias, Casa Rosada (SABESP), Teatro Armênio Mendes – Centro Cultural Português, Teatro Brás Cubas, Teatro Coliseu e Teatro Guarany, os ingressos estarão à venda nos locais, com uma hora de antecedência.


COMPROVANTE PARA INGRESSOS COM DESCONTO
Credencial plena do Sesc válida; carteirinha de estudante, carteirinha escolar do ano ou semestre em vigor, comprovante de matrícula ou de pagamento de mensalidade; carteira funcional ou holerite para servidor de escola pública; comprovante de aposentadoria, comprovante ID Jovem e documento de identidade para pessoas com mais de 60 anos. Caso não seja comprovado o desconto, será necessário complementar o valor do ingresso.

 FORMAS DE PAGAMENTO
Dinheiro, cartões Visa, Visa Electron, Mastercard, Maestro, Redeshop, Diners Club International e Vale Cultura (Ticket Cultura, Sodexo e Alelo).

 RECOMENDAÇÃO ETÁRIA
Confira antecipadamente a classificação indicativa de cada atividade. Nas apresentações classificadas como não recomendadas para menores de 18 anos, não será admitida a entrada de menores de 18 anos, mesmo que acompanhados de pais ou responsáveis.

 VARIAÇÕES CLIMÁTICAS
Atividades apresentadas ao ar livre poderão ser alteradas ou canceladas em caso de variações climáticas que prejudiquem sua execução. Informe-se em sescsp.org.br/mirada ou no Sesc Santos.