Artigo: Antunes Filho (re)constrói peça de Thornton Wilder

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

"Nossa Cidade""
“Nossa Cidade””

Com o Grupo Macunaíma, diretor apresenta sua visão para Nossa Cidade, texto escrito em 1937, do dramaturgo norte-americano. Com Mateus Carrieri, Luiza Lemmertz, Leonardo Ventura, Felipe Hofstatter e mais 12 atores

SÃO PAULO –  Acabou de estrear no Teatro Anchieta/ SESC Consolação o que o diretor Antunes Filho chama de reconstrução da peça do norte-americano Thornton Wilder, Nossa Cidade. A trama retrata o dia-a-dia de uma pequena cidade americana , Grover’s Corners, no início do século 20, com destaque para o cotidiano de duas famílias locais, os Gibbs e os Webb.

"Nossa Cidade"
“Nossa Cidade”

Com cenografia bem reduzida, a montagem de Antunes Filho dá ênfase não só à trama de Wilder como à história dos Estados Unidos  e suas interferências (até bélicas) pelo mundo. Daí o termo ‘reconstrução’ da peça original.

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“Nossa Cidade””

A estrutura de Nossa Cidade é uma peça dentro de outra peça. Em cena estão 16 atores e tudo começa com a chegada do diretor de cena, interpretado por Leonardo Ventura, que é trazido numa cadeira de rodas e que relata como tudo irá acontecer.

Além de descrever a cidade de Grover’s Corners, ele diz como vive a população local.

“Eu desejava registrar a vida de uma cidade no palco, com realismo e com generosidade. A escrita da peça brotou de uma profunda admiração por pequenas cidades brancas nas colinas e de uma profunda devoção ao teatro,” escreveu Thornton Wilder no prefácio da edição americana da peça.

Para exemplificar o modo de vida local, o autor mostra o cotidiano de duas famílias, os Gibbs e os Webb. O diretor de cena (sempre no palco) introduz a situação e os atores dão prosseguimento à ação.

As passagens de tempo na vida dos personagens assim como a história dos Estados Unidos e suas interferências pelo mundo são relatadas também pelo diretor.

“É uma pequena peça contendo todos os grandes assuntos; é uma grande peça com todas as pequenas coisas da vida amavelmente gravadas em si”, esta a definição de Wilder para a sua obra.

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“Nossa Cidade””

O que mais me chamou a atenção em Nossa Cidade foi a maneira de falar da morte: ao final da trama, em cadeiras brancas, alguns personagens estão imóveis e calados; só se comunicam com a chegada de Emily Webb (Sheila Faermann), que acabara de morrer. Ela está inconformada e eles tentam consolá-la. As cenas do cemitério sintetizam a proposta dramática do espetáculo.

Mais um trabalho significativo de Antunes Filho à frente do Grupo Macunaíma, do CPT, Centro de Pesquisa Teatral do SESC Consolação. O programa da peça merece destaque também: é um pequeno livro de 128 páginas, com registro de toda a montagem, além de fotos, ficha técnica, trechos da peça, depoimentos do autor e trechos de ensaios e poemas lidos durante a montagem.

Roteiro:
Nossa Cidade. Texto: Thornton Wilder. Reconstrução e direção geral: Antunes Filho. Assistentes de direção: Felipe Hofstatter e Carolina Erschfeld. Elenco (por alfabética): Amanda Mantovani, Antonio de Campos, Carlos Sério, Diego Melo, Ediana Souza, Fagundes Emanuel, Felipe Hofstatter, Gui Martelli, Leonardo Ventura, Lucas Rodrigues, Luiz Gustavo Lopes, Luiza Lemmertz, Mateus Carrieri, Naiene Sanchez, Nelson Alexander, Sheila Faermann. Diretor de arte: Hideki Matsuka. Figurinos e adereços: Camila Nuñez. Cenografia e adereços: Sandra Pestana. Trilha sonora: Raul Teixeira. Iluminação: Edson FM e Elton Ramos. Produção executiva:  Emerson Danesi. Fotografia: Emidio Luisi.

Serviço:

SESC Consolação, Teatro Anchieta (328 lugares), R. Dr. Vila Nova, 245, tel. (11) 3234-3000. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: R$ 32 (usuário SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino); R$ 6,40 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). Duração: 90 minutos. Classificação: 16 anos. Temporada: até 08 de dezembro.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.