Escola Livre de Teatro de Santo André tem futuro incerto

Kyra Piscitelli e Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com)

Gratite ELT explicita o objetivo da escola: liberdade. Foto/Crédito Antônio Rogério Toscano.
Gratite ELT explicita o objetivo da escola: liberdade. Foto/Crédito Antônio Rogério Toscano/arquivo pessoal 2012.

SANTO ANDRÉ/SP- A Escola Livre de Teatro – ELT foi fechada de forma arbitrária, no dia 27/09.  A ação da Secretaria de Cultura da cidade gerou revolta e mobilização da classe artística. O espaço foi reaberto, mas seu destino continua nebuloso e sem respostas concretas por parte do poder público.

Fundada em 1990, na gestão de Celso Daniel (PT), em Santo André, a ELT apresenta um método de trabalho diferente.  A ideia era trazer para cidade uma escola de criação colaborativa, que auxiliasse na formação cultural da cidade e do estado de São Paulo.

No entanto, desde o início deste ano, com a entrada do prefeito Carlos Grana (PT) e do Secretário de Cultura Raimundo Salles (PTB), os problemas se agravaram. A Escola Livre de Teatro tem sofrido graves boicotes, como a demissão de funcionários sem justificativa, salários atrasados e a interferência no prédio sem comunicação prévia.

Os frenquentadores da ELT, como uma das repórteres dessa matéria, são testemunhas das péssimas condições da escola. As salas precisam de reforma, incluindo o Teatro Conchita de Moraes, a iluminação está precária e os vazamentos são constantes.

Por outro lado, é evidente a importância da manutenção do espaço e das atividades realizadas lá. Um dos exemplos são os diversos núcleos de discussão e aprendizado como o Núcleo de Formação de Atores; Iniciação Teatral (NIT); Dramaturgia; Direção Teatral; Interpretação; Máscaras; Sonoridades; Performance e História do Teatro.

 Poder Público
A Secretaria de Cultura alega que é preciso repensar o funcionamento da Escola, especialmente o seu projeto pedagógico.

Personalidades da classe artítisca postaram fotos de apoio a escola. Na foto, o diretor e ator Otávio Martins segura cartaz  de apoio à ELT. Foto: arquivo pessoal.
Personalidades da classe artítisca postaram fotos de apoio a ELT, nas redes sociais. Na foto, o diretor e ator Otávio Martins segura cartaz. Crédito: arquivo pessoal.

Também informaram, em matéria veiculada no Jornal Diário do Grande ABC (em 30/09/2013), que haverá uma grande reforma, assim que terminarem as obras no Teatro Municipal da cidade.

O prefeito Carlos Grana, após interferências de artistas que se manifestaram a favor da escola e do interesse da mídia em registrar o impasse, divulgou uma nota sobre o compromisso com a manutenção do projeto artístico-pedagógico da Escola Livre .

Grana ressaltou que na sexta-feira (27), a ELT teve suas aulas diurnas interrompidas somente para uma vistoria técnica e posteriormente foi reaberta para seu funcionamento normal. 

Segundo representantes do movimento ELT Livre, no entanto, há dúvidas com relação à interdição ou não da Escola Livre porque não foi recebida nenhuma notificação, bem como a visita do corpo de bombeiros.

Além disso, o discurso sobre a continuidade não se comprova, devido às ações de sabotagem e sucateamento que vêm sendo realizadas pela prefeitura.

Audiência Pública
Em resposta as manifestações, foi agendada uma reunião para esclarecimentos, marcada por iniciativa da ELT. Ela aconteceu na quarta, (2). O prefeito Carlos Grana, recebeu representantes da Escola Livre de Teatro composto por mestres, aprendizes e diretores da Cooperativa Paulista de Teatro.

A prefeitura reabriu o diálogo, mas pediu um prazo até 07/10, para fornecer respostas concretas. .Além disso, as conversas serão coordenadas pela nova diretora de cultura, Silvia Costa.

Na reunião do dia 7, as promessas continuaram. A Secretaria prometeu abrir um processo de licitação para a contratação do corpo docente, comprometendo-se a escrever o texto até o final deste ano. Também, entre outros compromissos firmados, a Secretaria disse que a ELT continua onde está.

O prédio e o Teatro Conchita de Moraes estão abertos, mas por enquanto  os aprendizes e alunos estão esperando informações mais precisas. A inda não há garantia da continuidade do projeto e sim promessas.

O Movimento ELT LIVRE continua e exige que as reivindicações sejam atendidas de forma efetiva. Entre elas: Abertura da licitação para funcionamento da ELT a partir de 2014; autonomia dos processos pedagógicos, do uso do espaço e de seu calendário; planejamento de reforma do espaço, com manutenção da agenda de trabalho da escola na sua sede; contratação de funcionários engajados no trabalho colaborativo que o projeto propõe e fim das tentativas de desmanche e/ou sabotagem dos trabalhos pedagógicos.

Apoio à ELT
O Aplauso, como a classe artística,  reafirma a importância da instituição para a formação e o aprimoramento de artistas na área de artes cênicas.

Os núcleos são gratuitos e qualquer mudança nas diretrizes do projeto, que não respeite a autonomia dos processos pedagógicos na utilização do espaço da escola e do calendário escolar, prejudicará o êxito das atividades da Escola.

Para acompanhar as notícias acessem: http://escolalivredeteatro.blogspot.com.br/

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.