A Loba em lugar do Lobo

Michel Fernandes, especial para o Último Segundo (michelfernandes@superig.com.br)

Maria Maya, Christiane Torloni e Leonardo Franco em <i>A Loba de Ray Ban</i>
Maria Maya, Christiane Torloni e Leonardo Franco em A Loba de Ray Ban

 

Quando dirigiu a primeira montagem do texto escrito pelo ator Renato Borghi, O Lobo de Ray-Ban, o diretor José Possi Neto contou com o ator Raul Cortez no papel do protagonista e levou, então, os principais prêmios de teatro na época. Agora o Lobo é A Loba de Ray-Ban, novamente sob direção de José Possi Neto, trazendo a atriz Christiane Torloni no papel da atriz, dona da companhia que é pano de fundo do espetáculo que navega a nau da metalinguagem.

Após uma tumultuada sessão-despedida do ator que, na vida real, é marido de Júlia Ferraz (Christiane Torloni), a grande atriz dona da companhia, a empresária simula em seu camarim algumas formas de cometer o homicídio do mesmo que abandonou o teatro para estrelar uma telenovela.

Durante esse “quase-monólogo”, Júlia evoca em sua memória, vivenciada por meio de flashbacks, fragmentos de sua trajetória, de como se deu seu casamento com o ator e, também, o romance iniciado com uma jovem atriz, interpretada por Maria Maya, símbolo do dilacerar de seu casamento.

 lobaraybanNeste primeiro momento, Possi utiliza o palco com a criatividade e exuberância que o belíssimo cenário de Jean-Pierre Tortil – formado por cortinas, roldanas, cordas e outros elementos capazes de abrigar variadas e ricas marcações de cena – proporciona. E a iluminação, também assinada por José Possi Neto, afirma os recursos metateatrais que tão bem utiliza. Não há como esquecer dos belíssimos figurinos assinados por Fábio Namatame que fazem de A Loba de Ray-Ban um alumbramento visual.

Renato Borghi fez adaptações absolutamente felizes em sua versão feminina de O Lobo de Ray-Ban. Em lugar de Ricardo III, de Shakespeare, e Eduardo II, de Marlowe, em A Loba de Ray-Ban, a peça que eles encenam é Medeia, de Eurípedes, e a que a jovem atriz é admitida na companhia trata-se de  As Criadas, de Jean Genet.

 

A LOBA DE RAY-BAN

Quintas e sábados, 21h. Sextas, 21h30. Domingos, 19h; Até 20 de dezembro. Teatro do Shopping Frei Caneca. R. Frei Caneca, 569, 6º andar – Consolação – Centro. Telefone: 3472-2229. Aceita os cartões Amex, Diners, MasterCard, Visa. Ingresso: R$ 80.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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