A Mecânica das Borboletas retrata conflito entre irmãos

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"A Mecânica das Borboletas" - foto de Guga Melgar

Eriberto Leão e Otto Júnior são os gêmeos Rômulo e Remo que assumem posturas opostas na vida e 20 anos depois precisam fazer um acerto de contas. Suzana Faíni e Ana Kutner completam o elenco da peça de Walter Daguerre dirigida por Paulo de Moraes


SÃO PAULO – O argumento de A Mecânica das Borboletas, em cartaz no Teatro Anchieta (SESC Consolação), nasceu depois que o dramaturgo Walter Daguerre passou uma temporada numa fazenda gaúcha em que os afazeres eram somente os rurais e campestres, nada da vida urbana e tecnológica. estes opostos (urbano/rural, digital/analógico) motivaram o autor a criar os gêmeos Rômulo e Remo, interpretados respectivamente por Eriberto Leão e Otto Júnior, que encarnam ideais de vida opostos e ao mesmo tempo muito próximos e inconciliáveis: a liberdade que o mundo oferece e a responsabilidade em cuidar da família.

Rômulo deixa o lar e se aventura pelo mundo, tornando-se um escritor de sucesso; já Remo assume a oficina mecânica deixada pelo pai após sua morte, casa-se e cuida da mãe, que ficou perturbada com tantas perdas. A volta do filho pródigo provoca atritos e uma reviravolta no destino de toda a família.

Num cenário criativo — assinado por Carla Berri e pelo diretor Paulo de Moraes— em que a oficina, a cozinha e o jardim da casa se misturam – como acontece nas relações familiares que se entrelaçam -, a chegada de Rômulo desestrutura o ambiente.

Como ficou 20 anos longe da cidadezinha do interior, no sul do país, não sabe da morte do pai e muito menos que a mãe, interpretada com esmero e sensibilidade por Suzana Faíni, hoje vive entre a realidade e a fantasia que criou para si.

No entanto, o maior conflito é com o irmão: o ideal pela aventura é comum em ambos, mas Remo precisou assumir a chefia da casa e direcionou o desejo de viajar na construção de uma moto Harley Davidson, que permanece parada pela falta de uma única peça, a borboleta do carburador.

"A Mecânica das Borboletas" - foto de Guga Melgar

O atrito entre os irmãos se acirra ainda mais quando Rômulo descobre que o irmão casou-se com sua antiga namorada Liza (Ana Kutner).

Perdas, frustrações, culpas, cobranças, amor, raiva, enfim uma gama de sentimentos é o que os gêmeos e Liza (o terceiro vértice do triângulo) precisam digerir para prosseguir na trajetória da vida.

Entre os destaques de A Mecânica das Borboletas, ressaltaria a iluminação de Maneco Quinderé que valoriza cada detalhe do cenário e o clima de animosidade e interação entre os dois irmãos. A interpretação de Suzana Faíni para a perturbada Rosália é comovente e Eriberto Leão sabe levar seu carisma para a composição do escritor que volta para as suas raízes com a intenção de dar novo salto em sua vida afetiva e profissional.

Roteiro:
A Mecânica das Borboletas
. Texto: Walter Daguerre. Direção: Paulo de Moraes. Elenco: Ana Kutner, Eriberto Leão, Otto Jr e Suzana Faíni. Produção executiva: Gabriel Bortolini. Cenário: Carla Berri e Paulo de Moraes. Iluminação: Maneco Quinderê.  Figurinos: Rita Murtinho. Trilha sonora original: Ricco Viana. Direção de produção: Bianca de Felippes.

Serviço:
Teatro Anchieta, SESC Consolação (280 lugares), Rua Dr. Vila Nova, 245, tel. 3234-3000. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo 18h. Ingressos: Ingressos: R$ 32 e R$ 16 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 8 (trabalhador no comércio e serviço matriculado no SESC e dependentes). Formas de pagamento: dinheiro, cheque (à vista) e cartões. Duração: 80 minutos. Recomendação: 12 anos.
Temporada: até 27/05.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*