A Vingança do Espelho homenageia Zezé Macedo

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

Peça de Flávio Marinho faz parte do projeto "Trilogia da Comédia"

SÃO PAULO – A criadinha do Brasil, Greta Garbo brasileira, Carlitos de saias. Tantos apelidos foram dados para Zezé Macedo, uma das maiores comediantes brasileiras. A Vingança do Espelho: A História de Zezé Macedo, projeto idealizado por Eduardo Barata, dirigido por Amir Haddad, e com Betty Gofman, Tadeu Mello, Mouhamed Harfouch, Marta Paret e Marcelo Várzea no elenco, estreia no Teatro Vivo, nesta sexta-feira (9), 21h30, cumprindo temporada sempre as sextas às 21h30, sábados às 21h e domingo às 19h, com preço único promocional de R$10 na primeira semana de espetáculo.

“Homenagear Zezé Macedo não é só resgatar a memória das atrizes populares é também relembrar como é possível fazer uma linha interpretativa sofisticada, elegante, popular e extremamente brasileira”, esclarece Flávio Marinho autor da peça.

O espetáculo faz parte do projeto “Trilogia do Riso”, idealizado e produzido por Eduardo Barata, que conta a trajetória pessoal e profissional de grandes damas das comédias e das chanchadas: A Garota do Biquíni Vermelho, que homenageia Sônia Mamed; A Vingança do Espelho: A História de Zezé Macedo, sucesso de público e crítica durante a temporada no Rio de Janeiro e Consuelo Leandro, que será dirigido por Ernesto Piccolo.

“Comecei a pensar neste projeto em 2007. Iniciei a pesquisa e verifiquei que não há, com a exceção de Dercy Gonçalves, quase registros biográficos ou bibliográficos das atrizes que trabalharam com humor. Mergulhei nos vídeos e filmes, convidei o jornalista Daniel Schenker para a pesquisa. O Flávio foi um caminho natural, ele é um grande conhecedor de teatro, televisão e cinema, pesquisador e biógrafo do Oscarito. Logo depois pensei num diretor que pudesse retratar uma atriz tão brasileira, tão comunicativa e tão popular, Amir Haddad. Quando convidei a Betty tinha certeza que ela teria talento e a elegância artística necessária para interpretar a Zezé”, conta Eduardo Barata idealizador do projeto.

“Eu estava há 6 anos sem pisar num palco, um dos lugares que mais amo estar na minha vida. Não faltaram convites, interessantes até, mas tinha outro projeto importantíssimo como prioridade: Ser mãe. Quando minhas filhas estavam por completar 6 meses, recebo um telefonema do Eduardo Barata, produtor da peça, me convidando para interpretar Zezé Macedo. Não tive dúvida, aceitei de imediato, no primeiro minuto, o desafio. No telefonema, o Barata já foi me contando boa parte da interessantíssima biografia da Zezé. Coisas que ninguém sabe sobre a linda e muito comum vida dela. Assim que desliguei o telefone, me deu um friozinho na barriga”, revela Betty Gofman que tem em seu currículo o prêmio Shell de melhor atriz por sua atuação na comédia O Burguês Ridículo.

Beth Goffman vive Zezé Macedo em "A Vingança do Espelho"

Zezé nasceu em Silva Jardim, interior do Rio e perdeu os pais muito cedo. Casou e teve um filho. Perdeu o filho quando a criança tinha 1 ano de idade. O trauma foi tão grande que Zezé perdeu a voz e quando voltou, voltou do jeito que todo mundo conhece. Existem registros dizendo que a voz da Zezé, antes desta perda trágica era diferente da voz que se tornou conhecida nacionalmente.

De Silva Jardim foi para o Rio de Janeiro,onde teve inúmeros empregos até iniciar a carreira como atriz. Começou no rádio, no teatro e logo foi descoberta por Watson Macedo que a convidou para fazer sua primeira participação em cinema, O Petróleo é Nosso, em 1954, aos 38 anos de idade. Trabalhou muito na Atlântida, com Watson e Carlos Manga, os principais diretores das chanchadas. O grande parceiro de Zezé Macedo na cena cinematográfica foi Oscarito, que pedia aos produtores e diretores para que ela fosse sempre sua partner. Desses encontros, surgiram filmes memoráveis, como O Homem do Sputnik.

A atriz consolidou uma trajetória importante na TV, participando de vários humorísticos na Globo. Seu grande parceiro na emissora foi Chico Anísio. Ficou 11 anos no ar como a Dona Bela, na Escolinha do Professor Raimundo, com o inesquecível jargão: “SÓ PENSA NAQUILO”.

Zezé Macedo é uma personagem com várias faces. Muito reservada na vida pessoal, transmitia uma melancolia profunda e ao mesmo tempo, na vida profissional explodia despudoradamente. A atriz possui em seu currículo o feito de ter sido recordista em participações de filmes no Brasil: 108 longas.

A Vingança do Espelho, porque a Zezé Macedo foi uma atriz única, brincou muito com os conceitos da beleza e feiúra. Nunca o espelho teve tantas faces como no caso da Zezé Macedo”, diz Flávio.

O texto foge da biografia tradicional linear cronológica e narra a trajetória da primeira dama da chanchada: Zezé Macedo. Da sua aparência a seus amores, passando pelo sucesso no cinema e na TV, o espetáculo é desenvolvido utilizando a metalinguagem e tendo como cenário uma sala de ensaio.

“A montagem é a mais simples possível. A metalinguagem e uma companhia teatral no texto libertam a direção para encenar a construção de um espetáculo dentro de A Vingança do Espelho, conta Amir Haddad.

A VINGANÇA DO ESPELHO mostra uma companhia de teatro se preparando para encenar a vida de Zezé Macedo. O texto utiliza recursos de idas e vindas, buscando o passado em Silva Jardim, a adolescência, a perda do filho, além do auge da chanchada, a passagem pelo teatro de revista, os filmes, as relações de amor e amizade, a homenagem que ela recebeu de uma escola de samba, e até os bastidores da televisão.

“Zezé é uma atriz que conseguiu fazer algo em torno da caricatura, mas uma caricatura sem perder a ternura, com humanidade, com fragilidade. O espectador se importava com a Zezé, ao mesmo tempo em que ria dela”, finaliza o autor Flávio Marinho.

Ficha Técnica

Texto: Flávio Marinho

Direção: Amir Haddad

Elenco: Betty Gofman, Tadeu Mello, Mouhamed Harfouch, Marta Paret e Marcelo Várzea

Direção de Arte: Afonso Tostes

Iluminação: Paulo Denizot

Trilha Sonora: Alessandro Perssan

Idealização: Eduardo Barata

Produção: Barata Comunicação

Serviço

Local: Teatro Vivo

Capacidade: 290 lugares (268 numerados, 10 numerados obesos, 6 cadeirantes e 6 extras sem numeração)

End.: Avenida Doutor Chucri Zaidan, 860, Morumbi

Tel.: (11) 7420-1520

Dias: Estreia 08/03 para convidados, 09/03 para público. Até 29 de abril.

Horário: Sexta às 21:30, sábado às 21h e domingo às 19h.

Ingresso: Sexta R$ 40,00 (inteira) e 20,00 (meia); sábado e domingo R$ 50,00 (inteira) e 25,00 (meia).
Na primeira semana do espetáculo, preço único promocional R$ 10,00. Funcionamento da Bilheteria: 14h00 às 20h00 (terça a quinta); a partir das 14h00 (sexta a domingo)

Classificação: 12 anos

Duração: 110 minuto

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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