Adeus à Berta Zemel: Dama misteriosa

EM REDE – Tive o privilégio de assistir o retorno de Berta Zemel aos palcos. Foi na encenação de Anjo Duro, escrita e dirigida por Luiz Valcazaras, que versava sobre a vida e trabalho da médica Nise da Silveira. Além do tributo ao legado de Nise, o espetáculo também homenageava um dos maiores atores brasileiros. Falo de Rubens Corrêa, parceiro da médica no trabalho de integração na sociedade de pacientes portadores com transtornos psíquicos. Anjo Duro marcou a volta de Berta ao teatro como atriz, após vinte e cinco anos longe da ribalta.

Sua saída dos palcos tinha sido em grande estilo, quando na década de 1970, atuou no belo e trágico A Vinda do Messias, primeiro texto de Timochenco Wehbi a ser encenado. Nele temos um impiedoso retrato da solidão feminina em que a personagem, uma pobre costureira sonha com a vinda de um homem chamado Messias. Trata-se de um dos grandes textos dramáticos brasileiros, que até os dias de hoje é constantemente remontado.

 Anjo Duro também deu a Berta o Prêmio APCA de Melhor Atriz, em 2000. E cultivando uma aura de mistério, ela não voltou a atuar no teatro, depois de seu tão celebrado retorno. Continuou a trabalhar como professora de interpretação, ofício que exercitou durante toda sua carreira. E nos legou outra genial interpretação, desta vez no cinema, como a sofrida mãe da protagonista de A Casa de Alice, de 2007.

Luís Francisco Wasilewski

Pós-Doutor pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ Mestre e Doutor em Literatura Brasileira pela USP Tem artigos sobre teatro publicados em periódicos como Zero Hora, Correio do Povo, Aplauso Brasil e a revista Quero Teatro Autor do livro Isto é Besteirol: o Teatro de Vicente Pereira, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2010. Contato pelo e-mail:fran_theatro@yahoo.com.br