Adeus a Sérgio Britto

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

O ator Sérgio Britto

RIO DE JANEIRO – Da mesma geração que o ator Paulo Autran, Sérgio Britto dá adeus aos palcos e deixa mais uma lacuna na galeria de grandes intérpretes. Aos 88 anos, Britto morreu ontem no Hospital Copa d’ Or em decorrência de insuficiência respiratória aguda. Internado há cerca de um mês no mesmo hospital, o corpo do ator será velado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro à partir das 14h, e  o enterro ocorrerá no cemitério São João Batista neste domingo (18), às 11h.

Sua última aparição em palcos paulistanos se deu no início desse ano no espetáculo Recordar é Viver, texto de estreia de Hélio Sussekind, o qual assinava, também, a produção. Sob direção de Eduardo Tolentino de Araújo, interpretava Alberto, pai de Henrique (José Roberto Jardim), um jovem autor em constante crise, e casado com Ana (Suely Franco), uma matriarca intransigente e geniosa que enfrenta crise de Sindrome do Pânico.

Em 67 anos de palco, Sérgio deixa um rol de personagens inesquecíveis como o Rei Lear da peça homônima de Shakespeare, o psicanalista Carl Gustav Jung, o pai da inesquecível montagem de Longa Jornada de um Dia Noite Adentro – de Eugène O’ Neill, sob de direção de Naum Alves de Souza, e ao lado de Cleyde Yáconis -, entre outros, criou em 1959, ao lado de Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, o grupo Teatro dos Sete, responsável por montagens antológicas de textos como O Beijo no Asfalto, Com a Pulga Atrás da Orelha e A Profissão da Senhora Warren, numa carreira marcada pela procura de personagens que expressem o que deseja dizer e, ao mesmo tempo, sirvam a seu estudo da alma humana.

Marcou história, também, na teledramaturgia: em 1965 dirigiu a primeira novela, Ilusões Perdidas, da TV Globo.

Sergio Britto caracterizado como D. Pedro II em especial de fim de ano da Globo, em 2008

Sérgio Cabral, governador do Rio, divulgou uma nota lamentando o ocorrido:

“Morre um dos maiores atores da história da dramaturgia brasileira. Culto, elegante, sarcástico, explorou todos os canais de comunicação para a sua arte. Entretanto, no teatro foi o maior. Decretarei luto por 3 dias à memória desse grande brasileiro”.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.