“ADEUS, PALHAÇOS MORTOS” ESTREIA NO RIO DE JANEIRO

RIO DE JANEIRO – Adeus, Palhaços Mortos foi um dos maiores sucessos da temporada teatral de 2016 na cidade de São Paulo. Teve ótima recepção na crítica especializada como atestam a conquista do Prêmio Shell SP de Melhor Cenário e as 4 indicações ao Prêmio Aplauso Brasil (Melhor Figurino, Melhor Atriz, Melhor Direção e Melhor Espetáculo).

O espetáculo é uma adaptação da obra Petit Boulot Pour Vieux Clown do premiado dramaturgo romeno Matei Visniec. Neste espetáculo a companhia teatral Academia de Palhaços faz uma releitura crítica de seus nove anos de trajetória artística no universo do teatro popular circense, a partir da provocação de um dos mais promissores diretores da cena contemporânea paulistana, a saber, José Roberto Jardim.

A obra expõe de maneira provocativa três velhos palhaços de circo que acidentalmente se reencontram, depois de muitos anos, na antessala de uma agência de empregos. Eles sabem que só um será escolhido. Então suas amizades, memórias, segredos, pequenezas e vilanias serão expostos, criando, dessa maneira, uma ode ao ofício do ator e uma profunda reflexão sobre os meandros da carreira artística.

A sala de espera desse teste de casting, que nunca acontece, se revela um não-lugar, um limbo onde estas três figuras se veem condenadas a rever suas escolhas éticas e estéticas, num exercício infinito de reflexão sobre a resiliência do artista, a urgência da Arte e a sacralidade do ofício.

As cenas se encadeiam em uma sequência de Tableaux Vivants nos quais a estaticidade dos corpos em embate dialético com a fluidez das composições vocais, criam recortes descontínuos no espaço-tempo, deslocando abruptamente a percepção do espectador entre lembranças doces de uma vida devotada à arte e o medo do futuro de incertezas, decadência e morte.

O espaço cênico que abriga esta encenação é um cubo cuja face frontal e as duas faces laterais são fechadas por uma fina tela que recebe a cada cena diferentes vídeo-projeções mapeadas que ora revelam e ora escondem os atores e ajudam a criar desta maneira o não-lugar no qual os três personagens se encontram, utilizando-se de grafismos abstratos e de trechos de vídeos documentais de registro da trajetória da companhia Academia de Palhaços.

Toda esta engrenagem composta pela interação entre vídeo-mapping e atores é regida por uma trilha sonora eletroacústica bastante violenta que ajuda a criar os abruptos deslocamentos de percepção propostos pela encenação.

“Cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado, são fotogramas vagando nas memórias individuais e coletivas daquela trupe circense, são vozes do passado ecoando em busca de algum sentido”, diz o diretor José Roberto Jardim.

O espectador ao ser impactado pela violência dos deslocamentos espaço-temporais é convidado a um passeio pelas questões que movem estes velhos artistas desde seu passado de glória até seu  futuro.

Em cena, junto aos atores, o diretor musical Tiago de Mello executa ao vivo a trilha sonora eletroacústica.

“O Tiago é o quarto elemento, ele está em cena a peça inteira e tem mais de 500 mudanças de som, fazendo uma trilha sonora muito complexa”,diz o ator Rodrigo Pocidônio.

Produzido em 2016 com os recursos do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, o espetáculo Adeus, Palhaços Mortos reúne uma premiada equipe de criadores: José Roberto Jardim assina a direção e adaptação dramatúrgica do texto original. No elenco estão Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio, integrantes da companhia paulistana Academia de Palhaços, que em 2017 completa 10 anos; Tiago de Mello, o diretor musical, é um dos expoentes mais profícuos da música experimental eletroacústica do Brasil; o cenário e as vídeo-projeções ficaram a cargo da BijaRi, um grupo de arquitetos, artistas plásticos e vídeo-makers especializados em instalações e mapping; o figurino foi desenhado e criado pelo estilista Lino Villaventura e o visagismo é assinado por Leopoldo Pacheco.

 

Serviço

Adeus, Palhaços Mortos

Texto Original: Matei Visniec

Direção e Adaptação: José Roberto Jardim

Elenco: Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio

Local: Sesc Copacabana (Mezanino).Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro.Informações: (21) 2547-0156

Temporada: 4 a 28 de maio,quinta a sábado às 21h e domingo às 20h

Ingressos: R$ 6 (Associados Sesc RJ), R$ 12 (meia) e R$ 25 (inteira)

Bilheteria – Horário de funcionamento: Segunda, de 9h às 16h; Terça a Sexta, de 8h às 21h; Sábado, de 13h às 21h; Domingo, de 13h às 20h.

Classificação:12 anos

Duração: 70 minutos

Gênero: Drama

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com.br)

Luís Francisco Wasilewski

Pós-Doutor pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ Mestre e Doutor em Literatura Brasileira pela USP Tem artigos sobre teatro publicados em periódicos como Zero Hora, Correio do Povo, Aplauso Brasil e a revista Quero Teatro Autor do livro Isto é Besteirol: o Teatro de Vicente Pereira, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2010. Contato pelo e-mail:fran_theatro@yahoo.com.br