AGENDA: A PREMIADA ATRIZ NICOLE CORDERY REESTREIA “ALICE , RETRATO DE MULHER QUE COZINHA AO FUNDO”, EM TEMPORADA GRATUITA

Cassiano Leonardo Especial para o Aplauso Brasil (Cassiano@aplausobrasil.com.br)

SÃO PAULO – O monólogo Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo põe em cena a companheira de Gertrude Stein, Alice B. Toklas. Autora de um famoso livro de receitas, Alice foi também personagem de uma Autobiografia escrita por outra pessoa: Gertrude Stein. Os múltiplos fragmentos que compõem a vida dessa mulher singular são vividos em presente contínuo pela atriz Nicole Cordery.

Com direção de Malú Bazán, o solo fala sobre a figura de Alice B. Toklas. Com uma dramaturgia fragmentada e dissonante, tal qual a literatura de Gertrude Stein, a peça lança um olhar em perspectiva para a relação entre as duas mulheres na Paris dos anos 20.

A dramaturgia de Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo assinada por Marina Corazza partiu de duas importantes referências: The Alice B. Toklas Cookbook, escrito por Alice e A autobiografia de Alice B. Toklas, escrita por Gertrude Stein.

No primeiro, Alice, companheira de Gertrude Stein, já doente, descreve as receitas servidas em um dos endereços mais badalados da Paris dos anos 20 onde viveu com Stein, o 27 Rue de Fleurus. Em meio às receitas, de forma absolutamente prosaica e autêntica, Alice revela fatos e anedotas de sua vida ao lado de Stein e sobre a efervescência cultural da qual faziam parte.

Já o segundo, se tornou o livro mais conhecido de Gertrude no qual escreve a “autobiografia” de sua companheira. Ao assumir a voz de Alice, Gertrude conquista a popularidade literária que tanto almejava de forma a ampliar o alcance de suas pesquisas literárias na direção de uma estética cubista na literatura. Mas e a própria Alice: quem era? O que vivia? O que dizia e como dizia?

Depois da morte de sua companheira, Alice viveu ainda mais 20 anos nos quais se ocupou em preservar e divulgar a obra de Stein.

A peça discute as fronteiras entre realidade e ficção, entre as histórias e suas dissonantes interpretações. Nela, Alice passeia por diferentes tempos e espaços, numa espécie de mosaico. Escolher a personagem real, ao mesmo tempo fictícia, de Alice B. Toklas potencializa múltiplas miradas sobre a relação de amor entre essas duas mulheres e sobre como influenciaram e foram influenciadas pela efervescente Paris dos anos 20 e 30.

Desde o início do trabalho, criar um jogo de espelhos, que embaralha a noção do eu e do outro, que confunde as fronteiras entre a ficção e o real foi um dos objetivos do projeto. A perseguição foi por uma dramaturgia que ousasse friccionar as pesquisas estéticas de Stein, as memórias de Alice, e também a posição de quem olha com certo distanciamento histórico, se reconhecendo e se estranhando com essas duas mulheres.

Ficha Técnica:
Dramaturgia: Marina Corazza
Direção: Malú Bazán
Atriz: Nicole Cordery
Cenários e figurinos: Anne Cerutti
Iluminação: Nelson Ferreira
Trilha sonora: Rui Barossi e Pedro Canales
Apoio vocal: Lucia Gayotto

Serviço
Oficina Cultural Oswald de Andrade
de 12/01 a 28/01
quinta a sábado
quintas e sextas 20h
sábados 18h

Dias 14, 21 e 28/01
Aos sábados, após o espetáculo, haverá bate-papo com atriz, diretora e dramaturga da peça, Nicole Cordery, Malú Bazán e Marina Corazza, respectivamente, e a jornalista convidada Gabriela Longman – Mestre em Arte e Linguagem pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS-Paris) e doutoranda em teoria literária pela USP.

Lotação 40 pessoas
Indicação 14 anos
Duração: 60 minutos
Grátis