AGENDA: “A ULTIMA DANÇA” INSPIRADO EM DIÁRIO DE DRAMATURGA E FILÓSOFA FRANCESA PODE SER VISTA ATÉ 28 DE NOVEMBRO

Cassiano Leonardo, especial para o Aplauso Brasil (cassiano@aplausobrasil.com.br)

aultSÃO PAULO – Se você tivesse uma vida de luxo e fartura você a abandonaria para vivenciar o sofrimento , a fome, o calor, as doenças, as ordens, o medo, o ritmo crescente do trabalho, o esgotamento, o envelhecimento, a infelicidade, o emburramento. a opressão, a humilhação , e muito mais coisas que operários vivem em algumas linhas de produção ?

Você eu não sei,  mas Simone Adolphine Weil (1909 – 1943) por volta dos 20 anos de idade o fez , dramaturga e filosofa Francesa , filha de judeus , se despediu da família e amigos , para vivenciar na pele o cotidiano dos operários . Formada em filosofia pela Sorbonne, foi a primeira mulher catedrática da França e apaixonada pelo tema da condição humana no mundo do trabalho. Lutou na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos, e na Resistência Francesa, em Londres; por ser bastante conhecida, foi impedida de retornar à França como pretendia; acometida de tuberculose, não teria admitido se alimentar além da ração diária permitida aos soldados, nos campos de batalha, ou aos civis pelos tickets de racionamento. Com a progressiva deterioração de seu estado de saúde, em estado de desnutrição, faleceu poucos dias depois de seu internamento hospitalar aos 34 anos de idade

Tudo isso fez Simone escrever um diário Expérience de la vie d’usine” (“Vivendo a vida da fábrica”) e nas pesquisas publicadas por Eclea Bosi (“Simone Weil – A condição operária e outros estudos sobre a opressão”)

A atriz Natalia Gonsales leva ao teatro os escritos desta francesa, que narram sua vida na fábrica, a resistência  às guerras e à força. A Última Dança  foi toda construída a partir de seus relatos e cartas.

As greves, os pensamentos retraídos, o cansaço, a tragédia grega no cotidiano do povo, o esmagamento da minoria, as relações de força na história que geram a opressão até os dias de hoje são temas que ela pensou, escreveu de maneira audaz e que são abordados nessa encenação”, comenta a atriz .

César Baptista é o responsável pela dramaturgia e adaptação do diário de Simone para o teatro. Em cena a atriz e algumas máquinas de linha de produção – que fazem parte do cenário assinado pelo cenógrafo, ator e diretor Flávio Tolezani.

A trilha é composta por ruídos das correias e barulhos de macetadas. Outras manifestações sonoras do ambiente fabril são transformadas em músicas compostas pelo premiado compositor Daniel Maia. A luz desenhada por Igor Sane é responsável pela atmosfera dura e fria de uma fábrica e pela mudança de temperatura ambiente que os operários eram/são submetidos (“o frio vivido pelos operários era capaz de paralisar os movimentos, enquanto que o calor era opressivo” – Simone Weil).

Ficha Técnica
Concepção e Atuação: Natalia Gonsales. Encenação: Natalia Gonsales, César Baptista, Fernanda Bueno e Janaína Suaudeau. Provocadores: César Baptista e Janaína Suaudeau. Criação Dramatúrgica: César Baptista. Direção de Movimento e Coreografia: Fernanda Bueno. Composição Sonora: Daniel Maia. Iluminação: Igor Sane. Cenário: Flávio Tolezani. Figurino: Natália Gonsales. Designer Gráfico: Murilo Thaveira. Fotografia: Flávio Tolezani. Produção Executiva: Anna Zêpa. Direção de Produção: Natalia Gonsales

Serviço:
Local: Viga Espaço Cênico – Sala Viga.
Rua Capote Valente, 1323. São Paulo / SP
Capacidade: 80 lugares
Informações: (11) 3801-1843
Atéa 28 de novembro
Segundas-feiras, às 21h
Ingresso: R$ 30
Horário de funcionamento da bilheteria: duas horas antes do espetáculo, com possibilidade de reserva por telefone a partir das 14h, para chegada até 15 min. antes do início da sessão. Gênero: drama. Até 28 de novembro.

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