Albedo busca trabalhar um “território neutro” entre as linguagens da dança e do teatro

Redação do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com)

ALBEDO
ALBEDO

SÃO PAULO – Com apenas seis apresentações – dias 06,07, 08, 13, 14 e 15 –, no Teatro Anchieta (SESC Consolação), a Companhia de Dança Maurício de Oliveira & Os Siameses apresenta sua nova criação, Albedo, cujo objeto estilístico é trabalhar um “território neutro” entre as linguagens da  dança e do teatro.

 Dom Quixote é um invisível fio condutor da construção do espetáculo. Cervantes trouxe a vida um personagem, imortalmente atual, para apresentar um painel crítico de um mundo que ainda acreditava em vãos ideais de nobreza e heroica cavalaria. Dom Quixote é a um tempo sublime e ridículo, idealista e lunático, buscando a pureza ideal, mas inescapavelmente preso de cada volta de um colorido e obscuro caminho.

Perseguimos ideais de beleza que são colocados na nossa época, tal como no tempo de Cervantes se perseguiam títulos de nobreza. Mas em algum momento agônico percebemos que beleza e feiura estão inextrincavelmente ligado. Quando o tumulto das nossas falas se dissolver no hálito lunar, existira uma heroica montaria que nos leve ao encalço daquilo que foi chamado de beleza? Ou quando nos percebermos mortos, quem estará realmente morto, já que percepção é vida? Talvez estejamos então a caminho de enunciar com nosso corpo, alquimicamente, a palavra renascida.

 

Na alquimia, após o caos ou a massa confusa da fase Nigredo, onde encontramos a impura matéria primeva ou um mundo imaginal de elementos a serem transformados, temos a etapa da Albedo, aonde as impurezas foram lavadas, e a matéria se tornou branca, lunar, prata. Um princípio de pureza aprisionado na matéria é libertado.

No espetáculo Albedo é trabalhado um território, simultaneamente imaginário e real, onde o fazer artístico da dança se transforma pelo primado da presença em cena. O que tradicionalmente se chama dança e o que tradicionalmente se chama teatro perde a importância da sua distinção.

O real de cada dia e o real do sonho, que só percebemos quando estamos dormindo, se fundem e se multiplicam em imagens que nos resgatam e nos dão o sentido da transformação alquímica.

As máscaras que nos aderem a elas, e que carregam a marca dos teatros de bonecos da tradição popular, aparecem para revelar o que escondemos, e para obscurecer aparências que acreditamos como realidades absolutas.

“Iniciamos a montagem de Albedo em novembro do ano passado. Logo nos primeiros meses definimos os desenhos e fabricação das máscaras desenvolvidas por Duda Paiva”, conta o coreografo Mauricio de Oliveira. “Temos trabalhado ao longo dos últimos 4 meses, são 6 intérpretes em cena num trabalho que tem a duração de 50 minutos”, completa.

Esta é a terceira vez que Mauricio de Oliveira estabelece uma parceria com o renomado criador de bonecos Duda Paiva, que vive e trabalha em Amsterdam. Para essa criação, Paiva e Mauricio decidiram trabalhar com máscaras feitas de espuma.
Albedorealizado por meio do 15º Programa Municipal de Fomento à Dança, estreia em São Paulo após o sucesso da companhia de dança no Red Noroeste Festival de Danza, no México. Foram seis apresentações do já consagrado Objeto Gritante, espetáculo que atualmente participa do Circuito Cultural Paulista.

 

Ficha técnica
Concepção e Direção: Maurício de Oliveira
Coreografia: Mauricio de Oliveira e elenco
Dramaturgia: Bergson Queiroz e Mauricio de Oliveira
Conceito e treinamento em manipulação dos Objetos/Máscaras : Duda Paiva
Criação dos Objetos/ Máscaras: Duda Paiva e Evandro Serodio
Desenho de luz: Raquel Balekian
Operação de Luz: Raquel Balekian ou Agostinho Oliveira da Silva Filho
Identidade Visual: Mauricio de Oliveira
Trilha Sonora: The Haxan Cloak
Figurino: Gustavo Silvestre
Designer Grafico: Ivan Bernardelli
Intérpretes/Criadores: Andressa Cabral, Daniela Moraes, Danielle Rodrigues, Rodrigo Rivera, Marina Salgado, Ivan Bernardelli
Texto: Mauricio de Oliveira e Bergson Queiroz
Direção de Produção: Tanza Produções – Alessandra Herszkowicz
Assistente de Produção: Tanza Produções – Gabriela Boschetti

Este projeto foi contemplado pelo 15º Edital de Fomento à Dança

 

 

Albedo

Sesc Consolação:

R. Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque, São Paulo, 01222-020

 

Telefone:(11) 3234-3000

 

Dias: 6, 7, 8, 13, 14 e 15 de junho

 

Preços:

R$ 30,00 (inteira) R$ 15,00 (usuário) R$ 6,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes)

Lugares: 280

Ar Condicionado: sim

Horários: sextas e sábados às 21h e domingos às 18h

Ar Condicionado: Sim

Valet: Não

Acesso para deficientes: Sim

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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