Alberto Guzik e seu legado

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Alberto Guzik (1944-2010)

Conheci Alberto Guzik quando ele estava de volta dos Estados Unidos, onde fez curso de teatro, e nos deu aula de Crítica Teatral na ECA (Escola de Comunicação e Artes). Éramos da segunda turma daquela escola, tendo prestado vestibular no ano de 1968. Foram explanações muito interessantes sobre o teatro e a crítica americanos. Um professor que regulava de idade com muitos dos alunos o que tornava suas aulas mais próximas e divertidas. Naquela época também foram seus alunos entre outros a Mariângela Alves Lima e o José Possi Neto.

Posteriormente tivemos aulas com o Sábato Magaldi que, ao invés de aulas teóricas, nos mandava criticar peças em cartaz, método que sempre usei quando lecionei crítica e que era bem menos agradável do que aulas do futuro grande crítico do Jornal da Tarde.

Seu mestrado sobre o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), TBC: Crônica de um Sonho, é um trabalho que tem o reconhecimento de todos os que conhecem o período dos anos 1950 e costuma ser consultado pelos alunos. Suas críticas durante do tempo do JT e Estadão, deveriam ser editadas para ficarem à disposição daqueles que pretendem conhecer o teatro posterior, sem se basear apenas nos mais que consagrados Décio Almeida Prado e Sábato. Ainda mais que ambos deixaram de escrever em jornais acompanhando as temporadas. Primeiro o Décio, no início dos anos 1960 e depois o próprio Sábato a quem Guzik substituiu com brilho.

Me lembro de ter sido dirigida por Alberto – ainda na graduação – numa peça chamada Marcelo e Marcela, eu é claro, era do coro. Depois de deixar a mídia impressa, Guzik se dedicou de maneira mais constante à atuação, integrando os grupo d’ Os Satyros e também a direção teatral.

Falta mencionar seu legado como autor que não é pouco. São peças extremamente bem escritas entre as quais destacaria Um Deus Cruel e nos brindou com um romance que depois adaptou para o palco Risco de Vida.

Creio dever a ele e a Aimar Labaki (então crítico da Folha) minha indicação para integrar a comissão do prêmio Shell de teatro, onde estivemos muitos anos juntos e nem sempre concordando com as indicações, como acontece a todos que votam em premiações bem como nos que se candidatam aos incentivos do tipo Fomento e Proac.

Guzik foi uma pessoa íntegra, sincera e competente em todas as atividades que exerceu, Sua morte foi uma grande perda para nosso querido teatro.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*