Alinne Moraes é Dorotéia

Nanda Rovere, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Teatro Raul Cortez recebe peça escrita por Nelson Rodrigues

SÃO PAULO – Depois de temporada no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, Dorotéia chega a São Paulo. A atriz Alinne Moraes é a protagonista da montagem que conta a história de Dorotéia, prostituta que abandona a profissão após a perda de seu filho e procura a família em busca de salvação. No elenco estão: Gilberto Gawronski, Alexandre Pinheiro, Keli Freitas, Marcus Majella e Paulo Verlings. Dirigida por João Fonseca, a peça fica em cartaz no Teatro Raul Cortez até 14 de outubro.

Em Dorotéia, considerada por muitos uma obra maldita, Nelson coloca em questão como a sociedade condena as pessoas por sua beleza. Doroteia vai à casa de suas primas Dona Flávia, Carmelita e Maura, que são viúvas e muito feias. As três a repudiam devido à sua beleza.

São personagens que reprimem os seus desejos sexuais e para evitar que o pecado tome conta de sua residência, Dona Flávia impõe uma condição para aceitar a presença de Doroteia: que ela fique feia.

Alinne Moraes entrou em contato com o texto há dois anos e se identificou com a trajetória da prostituta que precisa se enfeiarpara assim não chamar mais a atenção de ninguém e ser aceita pelas parentes.  A atriz contou que muitas vezes quis se tornar feia para passar despercebida entre as pessoas.

É a segunda peça de Alinne Moaes.  A atriz, que em 2007 protagonizou  Dhrama: O Incrível Diálogo entre Krishna e Arjuna, de João Falcão, se apresenta pela primeira vez na capital paulista.

Alinne recusou papeis na TV para se dedicar exclusivamente a esse trabalho e diz estar muito satisfeita com o resultado:¨Precisava respirar novos ares¨, diz.  ¨Teatro é a arte do improviso. Nos aprofundamosnum mesmo texto a cada apresentação. Ainda tenho muito o que aprender e tudo o que vier são coisas positivas¨, complementa.

Teatro Raul Cortez recebe peça escrita por Nelson Rodrigues

Com 29 anos de idade, Alinne acredita ter maturidade suficiente para ar vida à Doroteia. Para apresentar uma interpretação consistente , bem como uma aparência física sem atrativos, parte do princípio que a beleza e a feiura vêm de dentro pra fora: ¨Brinquei com as expressões faciais e corporais para conseguir que ela ficasse feia¨, diz a atriz.

Na opinião da atriz, João Fonseca é um dos grandes diretores de sua geração, por isso o convidou para assinar a encenação do espetáculo. É admiradora de seu trabalho desde que assistiu a Escravas do Amor, espetáculo baseado em texto de Nelson Rodrigues.

Há tempos Alinne e Fonseca estavam planejando uma parceria no teatro. Além disso, Fonseca admira muito Nelson e sua primeira encenação foi um texto do dramaturgo, o que lhe dá legitimidade para mergulhar na obra do dramaturgo com segurança.

Segundo o diretor, Dorotéia é uma obra aberta porque é possível encená-la utilizando qualquer linguagem cênica. ¨Procurei dar ao texto um ar teatral, contemporâneo e focar a atenção na farsa que o Nelson propõe nessa obra, afirma João Fonseca.

Dorotéia, escrita em 1949, é a peça mais diferenciada do Nelson.  A história é atemporal, isto é, se passa em época indefinida. O linguajar dos personagens não é carioca e, sim, rebuscado, na segunda pessoa do plural.

Para interpretar as primas de Dorotéia o diretor escolheu homens, o que não é nenhuma novidade, mas garante ao espetáculo o tom de farsa. São seres deploráveis e sem nenhuma feminilidade.

O ator Gilberto Grawonsky, interprete de Dona Flávia, afirma que é um desafio viver a personagem, porque ela representa a mulher após a emancipação e proporciona reflexões sobre o preconceito e o machismo. Alexandre Pinheiro é Carmelita e Paulo Verlings interpreta Maura.

Completando o elenco, está Keli Freitas como a jovem Das Dores e Marcus Majella, que também vive a uma mulher, Dona Assunta da Abadia.

Ficha técnica:
Texto: Nelson Rodrigues
Direção: João Fonseca
Elenco
Alinne Moraes (Dorotéia)
Gilberto Gawronski (D. Flávia)
Alexandre Pinheiro (Carmelita)
Keli Freitas (Das Dores)
Marcus Majella (D. Assunta da Abadia)
Paulo Verlings (Maura)
Figurinos: Thanara Schönardie
Cenografia: Nello Marrese
Iluminação: Luiz Paulo Nenen
Realização: Artcênicas Ideias e Soluções Artísticas

Serviço:
Doroteia

Teatro Raul Cortez (Rua Doutor Plínio Barreto, 285, Bela Vista)
Temporada: Até 14 de outubro
Horários: sextas às 21h30, sábados às 21h; domingos às 19h
Ingressos: R$60,00 (sexta-feira e domingo) e R$ 70,00 (sábado)
Bilheteria: De terça a quinta-feira. Das 14h às 20 horas. Sexta-feira a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Os ingressos também estarão disponíveis pela internet: www.ingressorapido.com.br, telefone: 4003-1212
Estacionamento Valet: R$20
Classificação etária: 14 anos

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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