Alô Dolly: Marília Pêra e Miguel Falabella pela primeira vez no palco

 

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Miguel Falabella e Marília Pêra em "Alo, Dolly"
Miguel Falabella e Marília Pêra em “Alo, Dolly”

Famoso musical da Broadway chega a São Paulo para uma temporada de três meses. Versão de Falabella e com Marília como Dolly Levi, a produção conta com 29 atores e 16 músicos dirigidos por Carlos Bauzys

SÃO PAULO – À beira de completar 50 anos — estreou na Broadway em 1964 —, o musical Alô, Dolly! (Hello, Dolly!) acaba de desembarcar em São Paulo para uma temporada prevista de três meses, no Teatro Bradesco, depois do sucesso carioca. Com versão de Miguel Falabella, que atua e também assina a direção, a superprodução é capitaneada por Marília Pêra, que dá vida à casamenteira Dolly Levi, e traz no elenco 29 atores e 16 músicos da orquestra regida pelo maestro Carlos Bauzys.

A trama, baseada na peça A casamenteira, de Michael Stewart, se passa em Nova York, em 1890, e narra as peripécias da casamenteira (e trambiqueira) Dolly, que fora contratada pelo viúvo-rico, avarento e mal-humorado comerciante Horácio Vandergelder, vivido por Miguel Falabella, para conseguir novo matrimônio. Horácio vive numa cidadezinha próxima a Nova York e Dolly encontrou uma pretendente para ele, mas como está viúva e na penúria, faz mil artimanhas para convencê-lo que ela é a melhor opção para os seus problemas de solidão.

Paralelamente à história central do comerciante, Dolly mantém viva sua função de cupido, tanto que ajuda outros casais a subirem ao altar. Emengarda (Brenda Nadler), sobrinha de Horácio, é apaixonada por Ambrósio (Thiago Machado), um artista plástico pobre, motivo que faz com que o comerciante proíba o namoro; aí entra a mãozinha da casamenteira, que faz de tudo para unir o casal.

Outros que são beneficiados por Dolly são os empregados de Horácio, Cornélio (Frederico Reuter) e seu fiel escudeiro Barnabé (Ubiracy Paraná do Brasil); com a viagem do patrão a Nova York, ambos resolvem se divertir e também viajam para lá, onde conhecem duas garotas Irene (Alessandra Verney) e Minnie (Ester Elias).

"Alô, Dolly"
“Alô, Dolly”

A paixão é avassaladora entre eles, mas quando Horácio descobre a “fuga” dos empregados, despede os dois. Dolly novamente entra em ação e convence o futuro marido a mudar de ideia.

Sucesso na Broadway, o musical ganhou versão cinematográfica, com direção de Gene Kelly e Barbra Streisand e Walter Matthau nos papéis centrais; aqui no Brasil Bibi Ferreira e Paulo Fortes montaram o espetáculo nos anos 60, com estrondoso sucesso.

A diferença da montagem atual é que Falabella resolveu dar uma pitada de brasilidade: seu personagem carrega um sotaque bem caipira:

“É uma assinatura minha, colocar um molho brasileiro no Tio Sam”, brinca o diretor em entrevista coletiva.

Outra curiosidade desta versão é poder ver Marília contracenando com seu filho Ricardo: ele abre o segundo ato na pele de Rudolph, o maître do restaurante onde todos irão jantar. Dolly e Rudolph dançam e cantam um lindo número musical. Além do belo cenário de Renato Theobaldo e Roberto Rolnik e ótimas coreografias de Fernanda Chamma, um destaque de Alô Dolly! é para o figurino de Fause Haten: os dois vestidos usados por Dolly no segundo ato são deslumbrantes.

E não poderia ser de outra forma: Marília Pêra é a grande expoente do musical. Na pele de um personagem leve e divertido, a atriz traz seu charme e elegância à casamenteira — há um número em que ela dança por todo o cenário, mostrando toda graça e desenvoltura. Sua interpretação para os clássicos do musical também é o ponto alto do espetáculo.

VEJA TAMBÉM 

Miguel Falabella e Marília Pêra protagonizam Alô, Dolly!

Assista alguns trechos de Alô, Dolly

Roteiro:
Alô, Dolly!
Texto: Michael Stewart, baseado na peça The Matchmarker – A Casamenteira. Músicas e letras: Jerry Herman. Versão brasileira e direção geral: Miguel Falabella. Direção musical: Carlos Bauzys. Elenco: Marília Pêra, Miguel Falabella, Alessandra Verney, Frederico Reuter, Ubiracy Paraná do Brasil, Ester Elias, Brenda Nadler, Ricardo Pêra, Patricia Bueno, Thiago Machado. Coreografias: Fernanda Chamma. Cenário: Renato Theobaldo e Roberto Rolnik. Figurino: Fause Haten. Visagismo: Anderson Bueno. Iluminação: Paulo Cesar Medeiros. Designer de som: Gabriel D’Angelo. Fotos: Caio Gallucci.

Serviço:
Teatro Bradesco (1.439 lugares), Bourbon Shopping, Rua Turiassu, 2.100 – 3º piso. Horários: quinta às 21h, sexta às 21h30, sábado às 18h e 21h30 e domingo às 18h. Ingressos: de R$ 20 a R$ 200. Bilheteria: domingo a quinta, das 12h às 20h; sexta e sábado, das 12h às 22h. Aceita todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheque. Vendas pela Internet: www.ingressorapido.com.br e telefone: 4003-1212. Duração: 160 minutos (intervalo de 15 minutos). Classificação: Livre
Temporada: até 02 de junho

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

1 comentário

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*