Antunes Filho apresenta 10ª edição de Prêt-à-Porter

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

"O Homem das Viagens", – com Marcos de Andrade e Natalie Pascoal. Senhorita convida recém-conhecido para o chá da tarde.

Pilar de seu método de investigação teatral, Antunes Filho assina a coordenação da 10ª edição do Prêt-à-Porter que ocupará o 7º andar do SESC Consolação, sede de seu Centro de Pesquisa Teatral (CPT).

Segundo escreve o crítico e ensaísta teatral, Sebastião Milaré – autor, entre outros, de Antunes Filho e a Dimensão Utópica e Hierofania – O Teatro Segundo Antunes Filho, obras indispensáveis para os que desejam conhecer o  legado de um dos principais diretores do país – “A divisa “ser e não ser, eis a questão”, lançada por Antunes Filho à época do “CPT Aberto”, em 1998, encontrou expressão exata no prêt-à-porter, que surgia naquele evento. Outros conceitos tentavam definir a linguagem, como “falso naturalismo” e “espetáculo que não é espetáculo”. Este indicava o paradoxo agônico do espetáculo teatral que se construía na contramão das teorias e procedimentos vigentes, parecendo antes pronunciamento estético do que espetáculo propriamente dito. Estética naturalista, na aparência, que se concretizava por técnicas e meios opostos aos do tradicional naturalismo. É e não é, revela ao ocultar, questiona do geral às filigranas a idéia cênica e o tema abordado para buscar respostas na ação dramática.

"Cruzamentos", – com Geraldo Mario e Marcelo Szpektor. Empresário, ainda traumatizado por conflitos no Oriente, estabelece estranha relação com um de seus funcionários.

Porém respostas prenhes de indagações, jamais absolutas e lapidares. Ato de ininterruptas e sobrepostas pulsações, com cara de improviso e emocionante simplicidade.

Desde o primeiro momento o prêt-à-porter teatral do CPT encantou o público e seduziu estudiosos da arte dramática. Afaste-se de imediato, no entanto, a idéia de inspiração adventícia, que move o artista a resultados impactantes. Pelo contrário: é fruto de décadas de investigação e experimentação à procura da essência teatral, ou do teatro constituído a partir da célula fundamental: o ator. Idéias que foram registradas ao longo do tempo. Já em 1958, em entrevista a J. J. de Barros Bella, publicada na Folha da Manhã, Antunes Filho afirmava que “devemos partir da máxima simplicidade, sem os cacoetes, sem as grandes eloqüências que comovem o público”, propondo “partir do nada, da mínima verdade, da mínima coisa”. Estava certo de que o teatro pode dispensar tudo, até mesmo a arquitetura cênica e o autor, mas não acontece sem o ator, que é senhor absoluto da manifestação dramática. Para isso ele deve se preparar física, intelectual e espiritualmente com rigor, disciplina e absoluta entrega à arte. Como diretor/teórico Antunes sempre pesquisou modos e meios que dessem ao ator condições de exercer o ofício no mais alto sentido. Com a instituição do CPT-SESC, em 1982, encontrou o território propício e a necessária continuidade de trabalho experimental, constituindo o seu método para o ator. O prêt-à-porter  atesta o triunfo da idéia do ator/senhor da cena: não se restringe à interpretação, é também o autor, o diretor, o cenógrafo, o figurinista… Enfim, o ator-criador.

A décima edição do prét-à-porter deve ser saudada não como vitória de um artista, ou de um grupo, mas a conquista de uma expressão dramática, implicando conceitos, modos e técnicas que beneficiam o teatro como um todo.

Em 2009 ganhou o Prêmio Shell de Teatro de São Paulo, na Categoria Especial, pela primeira década do Projeto, agora selecionou três cenas que serão apresentadas às 19h15 das segundas-feiras.

"Adorável Callas", –com Nara Chaib Mendes e Patrícia Carvalho. Enfermeira passa mais um dia cuidando de renomada artista.

O espetáculo é composto por três movimentos – Adorável Callas, com Nara Chaib Mendes e Patrícia Carvalho; O Homem das Viagens, com Marcos de Andrade e Natalie Pascoal e Cruzamentos, com Geraldo Mario e Marcelo Szpektor.

PRÊT-À-PORTER 10

Ficha Técnica

Produção Executiva: Emerson Danesi e Geraldo Mário

Prod. Figurinos e objetos de cena: Rosangela Ribeiro

Coordenação Geral: Antunes Filho

Elenco: Geraldo Mario, Marcelo Szpektor, Marcos de Andrade, Nara Chaib Mendes, Natalie Pascoal e Patrícia Carvalho.

Serviço:

SESC Consolação

Rua Dr. Vila Nova, 245

De 29/08 a 31/10.

Segundas, 19h15.

Espaço do CPT – 7º andar

60 lugares

Indicação faixa Etária: 16 anos

Duração: 90 minutos

Preços – R$ 10,00 [inteira]; R$ 5,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante] e R$ 2,50 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.