APCA divulga resultado de 2020 com menos premiados e mostra poder de reinvenção da arte em retrato de ano tão duro para o setor

EM REDE – Em assembleia em formato virtual inédito que reuniu os críticos na noite da segunda-feira, 18 de janeiro de 2021, a APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes escolheu os melhores de 2020 nas seguintes categorias: Arquitetura, Artes Visuais, Cinema, Dança, Literatura, Música Popular, Rádio, Teatro, Teatro Infanto-Juvenil e Televisão. 

Neste ano, marcado pelos impactos da pandemia da Covid- 19 em todos os setores da sociedade e em especial nas atividades artísticas, as áreas optaram pela realização de uma premiação com menos categorias, em caráter de excepcionalidade.

Celso Curi, presidente da APCA, afirma: “Em 2020, as artes enfrentaram a pior de suas crises estruturais dos últimos tempos: política e de saúde pública. A união de nossos artistas provou mais uma vez que juntos somos mais fortes e que sempre sairemos vencedores. Tudo isso acabou oferecendo aos críticos da APCA um outro olhar para a produção artística, agora com o território ampliado pela virtualidade.”

A cerimônia e formato de entrega a todos os artistas contemplados neste Prêmio APCA, a 64ª. Premiação da entidade, serão definidos e divulgados em breve.

No ano atípico, os prêmios foram diferenciados e mostraram a força da arte que se reinventou e mostrou que pode e deve existir em outros formatos. Arquitetura, por exemplo, deu prêmio de Urbanidades para o Padre Júlio Lancellotti, que fez um trabalho de resistência e luta pela vida no centro de São Paulo.

Dança premiou a Lei Aldir Blanc, garantindo condições emergenciais de sustentabilidade para a cadeia produtiva da dança, enquanto literatura também se abriu para o olhar digital com Nara Vidal, pela revista digital Capitolina Books, que difunde literatura brasileira — on-line, bilíngue (português / inglês) e gratuita — no exterior. A representatividade e temas que também dividiram o palco da vida em meio a pandemia, foram comtemplados, como a série Bom Dia Verônica, da Netflix, que trouxe a violência contra a mulher, foi sucesso e abocanhou diversos prêmios em televisão. No ano também marcado pelo #BlackLivesMatter ( Vidas Negras Importam), Teatro conferiu o prêmio de  espetáculo ao musical Bertoleza, que além de trazer o protagonismo feminino em uma adaptação literária de O Cortiço tinha um elenco negro.

Sem esquecer das perdas – que ocorreram de todas as formas em 2020 – os jurados de teatro Michel Fernandes – criador e patrono do site Aplauso Brasil – e Erika Riedel tiveram suas trajetórias homenageadas em um texto que antecedeu os premiados. “Antes de ir aos vencedores da APCA Teatro de 2020, é importante lembrar e reafirmar o relevante trabalho feito pelos jurados Michel Fernandes e Erika Riedel, mortos em 2020. O ano que levou tanta gente, nos tirou também dois grandes nomes da crítica e que faziam da arte sua missão. Michel enfrentou por uma vida uma dura doença degenerativa e Erika lutou com bravura contra um câncer. Ambos eram guerreiros do teatro. Fica a eles a homenagem do júri”.

Confira a lista completa:

SEGUEM OS VENCEDORES:

ARQUITETURA

Obra de Arquitetura: Estação Antártica Comandante Ferraz, do Estúdio 41

Fronteiras da Arquitetura: Marcha a Ré, de Nuno Ramos e Teatro da Vertigem

Urbanidade: Padre Júlio Lancellotti

Votaram: Abilio Guerra, Fernando Serapião, Francesco Perrotta-Bosch, Gabriel Kogan, Guilherme Wisnik, Luiz Recaman, Maria Isabel Villac, Mônica Junqueira de Camargo, Nadia Somekh, Renato Anelli.

ARTES VISUAIS

Exposição Internacional: Egito Antigo no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil)

Atividade Cultural: IAC – Instituto de Arte Contemporânea que, ao comemorar 20 anos de excepcional atuação, inaugurou sua nova sede

Arte/Tecnologia: MIS Experience com a mostra Leonardo Da Vinci – 500 Anos de um Gênio

Votaram:  Antonio Zago, Bob Sousa, Dalva Abrantes, José Henrique Fabre Rolim, João J. Spinelli, Silvia Balady e Ricardo Nicola.

Cinema

Longa-metragem: M8 – Quando a Morte Socorre a Vida, de Jeferson De

longa-metragem: Sertânia, de Geraldo Sarno

média-metragem: Sete Dias em Maio, de Affonso Uchoa

Votaram: Flávia Guerra, Orlando Margarido e Walter Cezar Addeo

DANÇA

CRIAÇÃO: Silêncio, vídeo performance de Eduardo Fukushima e Sérgio Roizenblit

DIFUSÃO: Programação de Dança do FarOFFa – Circuito Paralelo de Artes de São Paulo, e do FarOFFa no sofá

AÇÃO DE FORMAÇÃO: Ayodele Balé, escola de formação em danças preferencialmente para pessoas negras e as não negras de baixa renda

AÇÃO DE SUSTENTABILIDADE: Senadora Benedita da Silva e Deputada Federal Jandira Fegalli, pelo trabalho em prol da elaboração, votação e regulamentação da Lei Aldir Blanc, garantindo condições emergenciais de sustentabilidade para a cadeia produtiva da dança

PRÊMIO ESPECIAL: 80 Anos da EDASP – Escola de Dança de São Paulo

Votaram: Cássia Navas, Henrique Rochelle, Iara Biderman e Yaskara Manzini

 

Literatura

TRABALHO EDITORIAL: *Gita Guinsburg*, pelas realizações à frente da Editora Perspectiva — refletindo a resistência de todas as editoras no contexto da pandemia.

DIFUSÃO DE LITERATURA BRASILEIRA*Bel Santos Mayer*, pela propagação de literatura brasileira contemporânea — e mediação de leituras — durante a pandemia, valendo-se de meios aplicados a propostas de isolamento social.

DIFUSÃO DE LITERATURA BRASILEIRA NO EXTERIOR: *Nara Vidal*, pela revista digital Capitolina Books, que difunde literatura brasileira — on-line, bilíngue (português / inglês) e gratuita — no exterior.

Votaram: Amilton Pinheiro, Felipe Franco Munhoz, Gabriel Kwak e Ubiratan Brasil

música POPULAR

ARTISTA DO ANO: Teresa Cristina

ARTISTA REVELAÇÃO
: Jup do Bairro – “Corpo sem Juízo”

MELHOR LIVE: Caetano Veloso

MELHOR DISCO: “Rastilho”, Kiko Dinucci

Votaram:  Adriana de Barros, Alexandre Matias, José Norberto Flesch, Marcelo Costa, Pedro Antunes e Roberta Martinelli

 

Rádio

VALORIZAÇÃO DO RÁDIO – Luiz Fernando Magliocca , que esteve ligado a momentos importantes do rádio, desde os anos 70.

PROFISSIONAL DO ANO: José Eduardo Piedade Catalano , mais antigo radialista profissional na ativa, que comemorou 72 anos de trabalho, na apresentação de programas na Rádio Difusora de Santa Cruz do Rio Pardo/SP.

PODCAST: Atenção, Silêncio no Ar – Criação, produção e apresentação do radialista, César Rosa. Em pauta, a história do rádio FM paulistano.

Votaram: Fausto Silva Neto, Marcelo Abud, Marco Antônio Ribeiro e Maria Fernanda Teixeira

Teatro

Antes de ir aos vencedores da APCA Teatro de 2020, é importante lembrar e reafirmar o relevante trabalho feito pelos jurados Michel Fernandes e Erika Riedel, mortos em 2020. O ano que levou tanta gente, nos tirou também dois grandes nomes da crítica e que faziam da arte sua missão. Michel enfrentou por uma vida uma dura doença degenerativa e Erika lutou com bravura contra um câncer. Ambos eram guerreiros do teatro. Fica a eles a homenagem do júri.

ESPETÁCULO: Bertoleza, Direção e adaptação: Anderson Claudir; Texto final: Anderson Claudir e Le Ticia Conde

ESPETÁCULO VIRTUAL: Peça, com concepção e atuação Marat Descartes e direção de Janaina Leite

PRÊMIO ESPECIAL: Série “Cena Inquieta” em 26 episódios dirigida por Toni Venturi com curadoria de Silvana Garcia sobre teatros de grupo brasileiros.

Votaram: Celso Curi, Edgar Olimpio de Souza, Evaristo Martins de Azevedo, José Cetra Filho, Kyra Piscitelli, Maria Eugênia de Menezes, Miguel Arcanjo Prado e Vinício Angelici

TEATRO INFANTO-JUVENIL

 

  1. PRÊMIO ESPECIAL DA QUARENTENA 2020 POR LEVAR AO MEIO DIGITAL, DE FORMA CRIATIVA E DINÂMICA, DUAS SÉRIES LÚDICAS COM INTERAÇÃO ONLINE DE CRIANÇAS: Grupo Esparrama (Diz aí…Vamos Brincar?)
  1. PRÊMIO ESPECIAL DA QUARENTENA 2020 POR LEVAR AO MEIO DIGITAL, DE FORMA INTERATIVA, COM ATUAÇÃO ONLINE DO PRÓPRIO PÚBLICO, UMA AVENTURA POLICIAL VOLTADA PARA O PÚBLICO JOVEM:  Caso Cabaré Privê– texto e direção de Pedro Granato, com a Cia. Pequeno Ato.
  1. PRÊMIO ESPECIAL DA QUARENTENA 2020 POR LEVAR AO MEIO DIGITAL, NO FORMATO PRÉ-GRAVADO, TRÊS ESPETÁCULOS RECENTES DE SEU REPERTÓRIO, COMPLETAMENTE REESCRITOS E REEDITADOS, LEVANDO EM CONTA AS ESPECIFICIDADES DA LINGUAGEM AUDIOVISUAL: Trilogia Olho Mágico, da Cia. Delas, com direção de Thaís Medeiros (Ep. 1 – Caroline Lucretia Hershel/ Ep. 2 – Maria Sibylla Merian/ Ep. 3 – Mary Anning)

Votaram: Beatriz Rosenberg, Dib Carneiro Neto, Gabriela Romeu e Mônica Rodrigues da Costa.

 

TELEVISÃO

ATRIZ: Camila Morgado (Bom Dia, Verônica/ Zola Filmes-Netflix) e Tatiana Tibúrcio (Especial Falas Negras/TV Globo).

ATOR: Eduardo Moscovis (Bom Dia, Verônica/ Zola Filmes-Netflix)

DRAMATURGIA: Bom Dia, Verônica (Zola Filmes-Netflix)

PROGRAMA: Conversa com Bial (TV Globo)

HUMOR: Marcelo AdnetSinta-se em Casa/Globoplay

DESTAQUE DO ANO: CNN Brasil

 

Votaram: Edianez Parente, Fabio Maksymczuk, Leão Lobo, Neuber Fischer, Paulo Gustavo Pereira e Tony Goes.

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Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!