Artigo: Andrea Beltrão encabeça o elenco da comédia musical Jacinta

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

"Jacinta"
“Jacinta”

A partir da peça de Newton Moreno, Aderbal Freire-Filho, Branco Mello e Emerson Villani criaram o musical sobre a trajetória da pior atriz do mundo. Andrea divide o palco com 5 atores e 4 músicos

SÃO PAULO – Sucesso carioca, a comédia musical Jacinta acaba de estrear no SESC Vila Mariana para uma curta temporada. Andrea Beltrão lidera uma trupe de atores e músicos, que contam as aventuras de uma atriz portuguesa do século XVI que é deportada de Lisboa depois que a rainha morre ao fim de sua catastrófica performance. Jacinta foge para o Brasil, chegando aqui com a fama de pior atriz do mundo. A partir do texto de Newton Moreno, o espetáculo ganhou forma de musical com a chegada do diretor Aderbal Freire-Filho e dos músicos Branco Mello e Emerson Villani.

“Criamos as melodias de acordo com o que as letras pediam. Há música medieval, rock pesado e chega até ao funk”, diz Branco Mello, músico da banda de rock Titãs, que assina a direção musical.

Ao lado de Andrea, estão os atores Augusto Madeira, Gillray Coutinho, Isio Ghelman, José Mauro Brant e Rodrigo França, além dos músicos Ricardo Rito (teclado), Tassio Ramos (baixo), Helio Ratis (bateria) e Maurício Coringa (guitarra).

"Jacinta"
“Jacinta”

Mesmo não sendo muito talentosa, Jacinta é persistente e sai pelo mundo em busca de aplauso e reconhecimento. De acordo com a atriz — que faz questão de carregar no sotaque lisboeta em cena —, a peça faz uma homenagem à arte de representar:

“O espetáculo é quase uma fábula sobre a nossa profissão. A peça é um passeio pelo mundo do teatro, o que a preenche de significado para nós. E Jacinta não poderia deixar de ter sotaque, que adoro! Qualquer sotaque eu adoro, pois me dá outra persona”, explica Andrea Beltrão.

Já no Brasil, as desventuras de Jacinta continuam. Ela viaja pelo país, indo de São Vicente ao Rio, depois Salvador, Recife, Vila Rica (antiga Ouro Preto) e chega à linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, que dividia o novo mundo entre Portugal e Espanha.

Jacinta é uma peça sobre gente mambembe, marginal. Sobre um país que foi colonizado sem o menor talento. Sobre os pequenos e grandes artistas quem mantêm o edifício teatral. Sobre um ofício que exige persistência, luta e recomeço. Sobre uma atriz que quer ser aplaudida e ninguém aplaude.Sobre vocação e talento. Jacinta é nossa declaração de amor ao teatro”, confessa Newton Moreno.

Além da sintonia e perfeito entrosamento dos atores em cena, destaque para a iluminação de Maneco Quideré, a cenografia de Fernando Mello da Costa e os criativos figurinos de Antonio Medeiros.

O único senão fica para o volume do som: por serem apresentadas no volume máximo, algumas canções ficam incompreensíveis.

Roteiro:
Jacinta. Texto: Newton Moreno. Canções de Branco Mello e Emerson Villani (melodias), Aderbal Freire-Filho e Newton Moreno (letras). Direção: Aderbal Freire-Filho. Diretor-assistente: Fernando Philbert. Direção musical: Branco Mello. Direção vocal: Cris Delanno. Elenco: Andrea Beltrão, Augusto Madeira, Gllray Coutinho, Isio Ghelman, José Mauro Brant e Rodrigo França. Músicos: Ricardo Rito (teclado), Tassio Ramos (baixo), Helio Ratis (bateria) e Maurício Coringa (guitarra). Prosódia: Iris Gomes da Costa. Coreografia: João Saldanha. Cenários: Fernando Mello da Costa. Figurinos: Antonio Medeiros. Iluminação: Maneco Quinderé. Produtor executivo : Wagner Pacheco.

Serviço:
SESC Vila Mariana (611 lugares), Rua Pelotas, 141, tel: 5080-3000. Horários: sexta e sábado às 21h, domingo e feriados às 18h. Ingressos: R$ 32,00, R$ 16,00 (usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e prof. rede pública), R$ 6,40 (trabalhador no comércio matriculado no Sesc e dependentes). Bilheteria: terça a sexta-feira das 9h às 21h30, sábado das 10h às 21h30, domingo e feriados das 10h às 18h30 (ingressos à venda em todas as unidades do Sesc).  Aceita-se todos os cartões. Duração: 130 minutos. Classificação: 12 anos. Temporada: até 22 de setembro.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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