ARTIGO: ELKE UMA ARTISTA MÚLTIPLA

Elke morreu, na terça-feira, 16, no Rio de Janeiro aos 71 anos. Foto: reprodução.
Elke Maravilha morreu, na terça-feira, 16, no Rio de Janeiro, aos 71 anos. Foto: reprodução.

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

RIO DE JANEIRO – Como definir o que foi Elke Maravilha? Atriz, manequim, cantora, professora, jurada de televisão e eterna defensora dos direitos LGBTT. Ela foi tudo isso e é das poucas pessoas no mundo que, podemos dizer, seja insubstituível.

Na década de 1960, morou em Porto Alegre onde foi aluna do curso de Letras na UFRGS. Ela ainda se chamava Elke Georgievna Grunnupp. Entre seus colegas estavam Luís Artur Nunes e Caio Fernando Abreu. Esta convivência gerou belos frutos. Caio a dedicou o conto Ascensão e Queda de Robhéa, Manequim e Robô, do livro O Ovo Apunhalado, editado em 1975. Naquela época, Elke já começava a brilhar nacionalmente. O “Maravilha”, que se tornou seu sobrenome, foi uma criação do jornalista e autor de novelas Daniel Más.

No âmbito teatral esteve diretamente envolvida com a formação do Dzi Croquettes. Foi  ela quem apresentou Bayard Tonelli para Wagner Ribeiro, o mentor deste grupo que revolucionou a história do teatro brasileiro.

Era também uma atriz bissexta. Atuou em filmes como Xica da Silva, Pixote, a Lei do Mais Fraco e o recente Carrossel 2: O Sumiço da Maria Joaquina.Paulo Francis dizia (e eu concordo) que ela deveria ter sido mais aproveitada como atriz pelo cinema brasileiro. Interpretou Inês de Castro no teatro no espetáculo A Rainha Morta, ao lado de Rosita Thomaz Lopes e Zezé Mota, sob a direção de Luiz Carlos Ripper. No entanto, foi como jurada do televisivo Cassino do Chacrinha que ela chegou no coração do Brasil. Sua afinidade com Abelardo Barbosa foi tão grande que Elke se transformou em uma das principais personagens de Chacrinha,o Musical.

E antes do movimento se fortalecer, manteve uma atuação constante e empenhada na defesa dos direitos LGBTT. Como escrevi no começo, defini-la é tarefa árdua. Da mesma forma, reviver tudo que foi e representou é impossível.Este artigo é apenas uma síntese. Elke foi muito mais do que escrevi.

Luís Francisco Wasilewski

Pós-Doutor pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ Mestre e Doutor em Literatura Brasileira pela USP Tem artigos sobre teatro publicados em periódicos como Zero Hora, Correio do Povo, Aplauso Brasil e a revista Quero Teatro Autor do livro Isto é Besteirol: o Teatro de Vicente Pereira, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2010. Contato pelo e-mail:fran_theatro@yahoo.com.br