SÃO PAULO – O espetáculo Bruta Flor fez três anos de sucesso, ao trazer o universo LGBT à cena. O texto de Vitor de Oliveira e Carlos Fernando de Barros, com adaptação e direção de Márcio Rosario é em tempos de domínio de Lei de Incentivo, em que quase ninguém sobre ao palco sem ter um dinheiro garantido, uma lição importante. Mais do que isso, a prova de que tempo em cartaz gera público e é importante para os artistas que querem plateia para além de dinheiro.

Agora no cinema, É Márcio Rosário que irá encampar a produção e contará com a direção de Hsu Chien. Os dois já têm no currículo uma parceria de sucesso: curta Flerte, no qual ganharam melhor curtam metragem de ficção em 2014 pela Academia Brasileira de Cinema. O próximo passo deve ser a definição do elenco.

Cinema e teatro estão ligados muitas vezes e é importante que esse intercâmbio se dê de fato. No Brasil se uma produção de cinema não faz sucesso logo na primeira semana, é difícil sua permanência em cartaz, por isso Bruta Flor deve encarar um outro desafio.

Mas dessa vez, deve ser mais fácil, pois construíram um público sólido em suas apresentações. E, então, de certa forma, celebrarão esse feito raro com o cinema.

Bruta Flor é importante por não economizar no drama e nas questões pesadas, embora, nas duas vezes distintas que fui assistir ao espetáculo, chamou-me atenção o humor em que o público trata o espelho em que se sujeitam por meio da trama. Logo, pode-se dizer também que há um estranho humor no cotidiano cortante mostrado ali.

Bruta Flor é interessante porque não é binário e não é só LGBT, embora a temática seja primordialmente, essa. Fala de família, construção, estudo, violência contra a mulher, homofobia, desejos e trata de sair do armário. De convenções sociais. Tudo isso sem medo de abordar temas velados como o sexo.

Precisamos falar de muitos dos temas que estão ali expostos. O público na maioria LGBT deve concordar, já que estava em massa no teatro e deve estar no cinema. Mas todos nós precisamos discutir melhor o que ocorre com nossos desejos e sobre o que ocorre dentro de nossas famílias. Não seria essa uma das funções da arte?

Por acreditar nisso, Bruta Flor chegará ao cinema, teatro e arte é senão acreditar. O público fez mostrou que queria e a produção corajosa seguiu. Bom que a Três Tons Visuais e a Afinal Filmes, liderado pelo produtor Marcelo Pedrazzi resolveu olhar o público e apostar na história para filmes. É preciso ouvir a audiência e que sirva de exemplo. A resistência se mostrou tangível.

Editora assistente, redatora, repórter e crítica de teatro.

 

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)