ARTIGO: FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIO “É TUDO VERDADE” TRAZ INTENSIDADE, BIOGRAFIA E CLÁSSICOS

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br

"O martírio de Joana D’Arc" de 1928.
“O martírio de Joana D’Arc” de 1928.

No 20º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade as produções biográficas estão com toda força na programação. Se não são biográficos, em sua maioria, falam de grandes produções do cinema, clássicos de toda a parte.

Eu em dúvida do que ver, decidi me levar pela surpresa. E então, uma amiga selecionou dois filmes e eu escolhi pela hora.

E como é bom se surpreender. Como é bom ter boa curadoria, dessas que você pode ir no sorteio sem medo. Programação boa é isso!!

Eu crítica de teatro, perseguida pela arte que domina minha alma, acabei no filme sobre atriz Renée Falconetti – também conhecida como Maria Falconetti.

Ela que tinha paixão pelo teatro, vê a chance de crescer como protagonista do filme de Carl Theodore Dreyer, O martírio de Joana D’Arc (1928). O clássico feito no final do cinema mudo enlouqueceu a atriz.

Os métodos de Dreyer para atingir o realismo, a história de Falconetti, que passa pelo Brasil e morre em miséria na Argentina e os mistérios que envolvem o próprio filme, sumido até 1980, quando foi achado em um hospício norueguês, é um enredo e tanto.

A história remontada (praticamente inteira) pelo diretor Argentino Mirko Stopar em forma de arquivo merece ser vista.

O filme é curto ( tem cerca de 1 hora) e o tempo se deve a quantidade de material que o diretor conseguiu reunir em 6 anos de trabalho.

A filha de Falconetti se recusou a falar com ele, mesmo depois de marcar encontro, por 4 vezes, na França.

No documentário temos chance de ver uma boa reconstrução, pesquisa, boa fotografia e para os que gostam de teatro, como eu, vale um passeio pelos bucólicos teatros de Paris e Buenos Aires pela tela, envolto a um clássico do cinema.

Para os que gostam de poesia passam também referências ao poeta Vinícius de Moraes, que recebeu a atriz no Brasil, e Gabriela Mistral, poetisa Argentina que trocou cartas com Falconetti.

Vale conferir este e outros tantos trabalhos do “É Tudo Verdade”. São mais de 100 filmes de toda parte. E é GRÁTIS!!!

O Festival acontece em várias capitais. Em São Paulo vai até 19 de abril. Passa pelo Rio de Janeiro (10 a 19 de abril), Belo Horizonte (29 de abril a 4 de maio), Santos (7 a 10 de maio) e Brasília (27 de maio a 1 de junho).

EM TEMPO: O cinema não estava lotado, ontem (13), na Livraria Cultura, mas espero que pela hora (a sessão era às 19h). E aconversa com o diretor, após o filme, foi muito interessante. Teve que ser parada, inclusive, pela organização, para não atrapalhar a próxima sessão, que seria às 21h.

Acesse o site do Festival: http://www.etudoverdade.com.br/br/home/ 

 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!