Artigo: Hoje o tempo voa amor…

SÃO PAULO – A 23ª Parada do Orgulho LGBT aconteceu neste domingo (23) na Avenida Paulista. O clima foi de celebração: 50 anos de Stonewall.  A revolta contra as constantes e violentas batidas policiais no bar novaiorquino Stonewall Inn, que deu origem aos “Movimentos da Causa Gay”, como eram chamados antigamente. Aos poucos foram incorporadas as outras causas ditas de “desvio sexual e de conduta”, como lésbicas (origem da antiga sigla GLS para Gays, Lésbicas e Simpatizantes), travestis (GLBT), transsexuais (GLBTT) e demais denominações (GLBTT+). Para dar maior visibilidade para as Lésbicas o “L” veio para frente e ficou (LGBT+) levando à sigla atualmente conhecida e em crescente evolução.

 

Politização

Criticada por alguns que associam o evento à uma festa e não ao protesto que deveria ser, a recente votação do STF que equipara a Homofobia ao crime de racismo, e a presença do deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) deram um tom mais político à Parada.

Os manifestantes estavam afiados em gritos de crítica ao governo. Muitas foram as faixas e fantasias de protesto.

Até mesmo o Prefeito de São Paulo Bruno Covas manifestou em entrevista no local, o seu desejo de que o Brasil se torne um país cada vez mais democrático, criticando a postura do Governo Federal em suspender uma propaganda de um importante banco, por motivo de intolerância à diversidade.

Altos e Baixos

É notório que a Parada cresce a cada ano, e em 2019 foram 19 trios elétricos e sete horas de evento. Atrações nacionais e internacionais, atores globais, formadores de opinião, drags, cantores, políticos, mas o que chamou a atenção foi o grande número de famílias participando.

Foram baixos os números de incidentes registrados, em comparação com outros anos. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, 18 pessoas foram presas.

Foi grande o número de empresas que patrocinaram carros, de salgadinho a aplicativo de transporte, de bebida energética a loja de eletroeletrônico, casamento coletivo, e madrinha grávida (a apresentadora Fernanda Lima foi madrinha do evento e mesmo grávida compareceu).

Surpresa

O Cantor Lulu Santos fez uma apresentação surpresa durante a Parada do Orgulho LGBT 2019. Do alto do décimo oitavo trio, Lulu celebrou os cinquenta anos de Stonewall. O “Poket Show” teve início com “Toda forma de amor”, cantado ao vivo e acompanhado em coro por todos os presentes.

Sob o olhar atento do marido Clebson Teixeira, que também recebeu o carinho dos participantes da Parada, Lulu cantou mais duas músicas, “Tempos Modernos” e “Pra sempre”, composta para Clebson.

Para ambos, foi um momento visivelmente emocionante. O acolhimento e reações positivas a seu relacionamento são citados constantemente por Lulu. Clebson mais tímido, se limitou a sorrir e acenar para a multidão de três milhões de pessoas. Mas se soltou mais durante uma brincadeira, durante entrevista a Joven Pan News revelando ser o mais ciumento do casal, afirmando que tinha até a senha do celular do companheiro.

O show foi rápido ou foi o tempo que voou, escorreu pelas mãos. Mas o recado que ficou, ou pelo menos deveria, é que consideramos justa toda forma de amor.

Raphael Martins, especial para o Aplauso Brasil

 

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*