ARTIGO: O ADEUS AO GRANDE BUFÃO

Luís Francisco Wasilewski, do Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

 

Domingos Montagner (foto) morre afogado em Sergipe. Foto: divulgação
Domingos Montagner (foto) morre afogado em Sergipe. Foto: divulgação

SERGIPE – Domingos Montagner despontou para o sucesso nacional com a telenovela Cordel Encantado. Tornou-se, então, um dos galãs mais requisitados para as produções da Rede Globo de Televisão. Estava atuando, atualmente, em Velho Chico. Lembro de um epíteto que surgiu na época em que ele apareceu em Cordel Encantado o chamando de “O novo José Mayer”.

No entanto, os que singram o universo teatral já conheciam o talento de Domingos, principalmente, nos espetáculos que realizou com sua companhia teatral La Mínima. Uma das primeiras encenações de repercussão do grupo, a saber, A Noite dos Palhaços Mudos, lhe deu o Prêmio Shell de Melhor Ator.  O grupo também se notabilizou por sua atuação em difundir as técnicas circenses, através de um trabalho constante de oficinas.

Ator em cena de 'Mistero Buffo', sucesso que ficou quase quatro anos em cartaz. Foto: Carlos Gueller
Ator em cena de ‘Mistero Buffo’, sucesso que ficou quase quatro anos em cartaz. Foto: Carlos Gueller

Em 2009, o La Mínima encomendou a Neyde Veneziano uma nova tradução de Mistero Buffo, do grande Dario Fo. Por ser amigo de Neyde, tive o privilégio de acompanhar a gênese desse projeto. E que resultou em um espetáculo inesquecível, onde Domingos pôde mostrar todo o virtuosismo de sua arte como bufão, clown e músico. Assisti Mistero Buffo duas vezes. O espetáculo se tornou um sucesso popular, ficando em cartaz durante quatro anos. A segunda apresentação que vi foi em Porto Alegre. Havia um momento da encenação no qual eles cantavam o clássico da nossa canção popular Romance de uma Caveira, de Alvarenga e Ranchinho. Em Porto Alegre, Domingos dedicou a música para Nico Nicolaiewsky da dupla Tangos & Tragédias, marco da cena teatral brasileira e que tinha como um de seus grandes momentos, justamente, na execução da música de Alvarenga e Ranchinho.Nico morreu, de forma prematura, interrompendo uma trajetória genial como artista. E, infelizmente, Domingos também teve este destino.