Artigo: Para Luiz Carlos Góes

Luís Francisco Wasilewski, do Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com.br)

Luiz Carlos Góes (foto). Foto/Crédito: Facebook/Arquivo Pessoal
Luiz Carlos Góes (foto). Foto/Crédito: Facebook/Arquivo Pessoal

SÃO PAULO – Tornou-se comum nas redes sociais quando ocorre um ato homofóbico (infelizmente, eles tem sido cada vez mais frequentes) alguém citar o conto Terça Feira Gorda, do livro Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu. No conto dois homens que namoram são agredidos verbal e fisicamente por um grupo de intolerantes. Como boa parte da literatura de Caio, esta narrativa é baseada em um episódio ocorrido com o escritor. Pois na Terça, dia 21, morreu o cúmplice do autor nesta história horrível e a quem o conto foi dedicado.

Estou falando de Luiz Carlos Góes, que marcou a cena cultural brasileira com suas peças teatrais e composições musicais. Sua primeira peça a receber uma encenação foi Síndica, Qual é a Tua?, dirigida por Antonio Pedro, em 1976, com Marília Pêra e Jacqueline Laurence no elenco.

Após este espetáculo Góes passou a integrar o grupo criador do que se convencionou chamar de Teatro Besteirol. Ele mais Mauro Rasi, Vicente Pereira e Eduardo Dussek trabalharam em As Mil e Uma Encarnações de Pompeu Loredo, o espetáculo que suscitou a aparição do rótulo Besteirol.

A feliz parceria com Dussek na composição das músicas de Pompeu Loredo deu origem a uma das duplas mais talentosas de compositores brasileiros. Juntos criaram joias como Folia no Matagal, Barrados no Baile, Eu Velejava em Você e Chocante. Além de terem sido cantadas por Dussek, as músicas da dupla ganharam belas versões nas vozes de nomes como Ney Matogrosso e Zizi Possi.

Foi também na década de 1980 que a dramaturgia de Luiz Carlos começou a ser encenada com regularidade. Esquetes geniais seus integraram montagens como Classificados Desclassificados e Brasil, A Peça.

Sua dramaturgia é marcada por um humor mórbido. Doentes terminais, sadomasoquistas são figuras marcantes em suas criações dramatúrgicas.

Quando comecei o Mestrado na USP sobre o Teatro Besteirol, em 2005, tive o privilégio de ter Góes como interlocutor. Foi sempre afável comigo.

Nos últimos anos tornou–se colaborador frequente de Miguel Falabella na TV. Aquele Beijo, Pé na Cova e o recente Sexo e as Negas contaram com sua colaboração na escrita. Sua partida nos deixa mais pobres.