Artigo: Peça de Beto Bellini inspirada em obra de Tchekhov encerra temporada

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

"A Gaivota no Infinito do Espelho"
“A Gaivota no Infinito do Espelho”

Com direção de Marcelo Galdino e 12 atores em cena, A Gaivota no Infinito do Espelho retrata as reflexões de um homem sobre sua vida e sua relação com o teatro. No Espaço Satyros Um só até 06 de junho

SÃO PAULO – Um veterano diretor teatral faz um balanço da vida, revê sua relação com os filhos e, das lembranças do sucesso da carreira — a direção de A Gaivota de Anton Tchekhov —, reflete sobre a importância do teatro na sua existência. Este é o mote central do espetáculo A Gaivota no Infinito do Espelho, de Beto Bellini, que permanece em cartaz no Espaço Satyros Um somente por mais duas semanas.

Sob a direção de Marcelo Galdino, o espetáculo é de metalinguagem, com uma peça dentro de outra peça. São 12 atores — capitaneados pelo próprio autor que interpreta o velho diretor—, que mesclam cenas da montagem do clássico de Tchekhov com momentos de suas vidas hoje. 

Num jogo ágil e contínuo entre as reminiscências da montagem clássica do diretor e o momento atual em que vive aquela trupe teatral, o espectador precisa ficar atento para captar as nuances da trama.

“Os textos de Tchekhov, como todos os clássicos, são de uma abrangência universal. Sobreviveram a um século e vão sobreviver mais. No entanto, não quisemos montar A Gaivota; estudamos este clássico com o objetivo de junto com o nosso Núcleo de Criação agregar as pessoas para o exercício do pensamento,” explica Beto Bellini.

"A Gaivota" inspira peça de Beto Belini
“A Gaivota” inspira peça de Beto Belini

Das reflexões daquele diretor no final da vida, o que me chamou atenção foi a referência à importância do teatro como espaço de discussão do homem de seu tempo, assim como Tchekhov sempre pretendeu com sua dramaturgia. Por intermédio da conflituosa relação que ele mantém com os três filhos, frutos de dois casamentos, o autor propõe uma discussão sobre a família contemporânea e que tipo de relação afetiva se estabelece, já que os laços entre os membros do núcleo familiar hoje, na maioria das vezes, estão tão frágeis.

O grande destaque de A Gaivota no Infinito do Espelho é sem dúvida a entrega total dos atores ao projeto; o vigor e a garra da interpretação de seus personagens (cada um dos 12 atores vive diversos papéis) contagia a plateia.

Não perca, o espetáculo está no Satyros só até o dia 06 de junho.

Roteiro:
A Gaivota no Infinito do Espelho
. Texto: Beto Bellini. Direção e cenografia: Marcelo Galdino. Assistente de direção: Gisa Guttervil. Elenco: Gisa Guttervil, Beto Bellini, Fransérgio Araújo, Deborah Graça, Danilo Amaral, Amanda Pereira, Gustavo Merighi, Letícia Trebbi, Rebeca Zadra, Paloma Souza, Arthur Alavarse e Luci Savassa. Figurino: Daíse Neves. Iluminação: Pâmola Cidrack. Trilha sonora: Henrique Mello. Fotografia: Demian Golovaty. Coordenação de produção: Erika Barbosa.
Serviço:
Espaço dos Satyros Um (70 lugares), Prça. Franklin Roosevelt, 214, tel: 3255-0994. Horários: quartas e quintas às 21h. Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (desconto para moradores da Prça Roosevelt : R$ 5,00 – necessário comprovante de residência). Reservas pelo tel: 99402 4659. Duração: 80 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 6 de junho.

 

Peça de Beto Bellini inspirada em obra de Tchekhov encerra temporada
Maurício Mellone, para o
www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Com direção de Marcelo Galdino e 12 atores em cena, A Gaivota no Infinito do Espelho retrata as reflexões de um homem sobre sua vida e sua relação com o teatro. No Espaço Satyros Um só até 06 de junho

SÃO PAULO – Um veterano diretor teatral faz um balanço da vida, revê sua relação com os filhos e, das lembranças do sucesso da carreira — a direção de A Gaivota de Anton Tchekhov —, reflete sobre a importância do teatro na sua existência. Este é o mote central do espetáculo A Gaivota no Infinito do Espelho, de Beto Bellini, que permanece em cartaz no Espaço Satyros Um somente por mais duas semanas.

Sob a direção de Marcelo Galdino, o espetáculo é de metalinguagem, com uma peça dentro de outra peça. São 12 atores — capitaneados pelo próprio autor que interpreta o velho diretor—, que mesclam cenas da montagem do clássico de Tchekhov com momentos de suas vidas hoje.

Num jogo ágil e contínuo entre as reminiscências da montagem clássica do diretor e o momento atual em que vive aquela trupe teatral, o espectador precisa ficar atento para captar as nuances da trama.

“Os textos de Tchekhov, como todos os clássicos, são de uma abrangência universal. Sobreviveram a um século e vão sobreviver mais. No entanto, não quisemos montar A Gaivota; estudamos este clássico com o objetivo de junto com o nosso Núcleo de Criação agregar as pessoas para o exercício do pensamento,” explica Beto Bellini.

Das reflexões daquele diretor no final da vida, o que me chamou atenção foi a referência à importância do teatro como espaço de discussão do homem de seu tempo, assim como Tchekhov sempre pretendeu com sua dramaturgia. Por intermédio da conflituosa relação que ele mantém com os três filhos, frutos de dois casamentos, o autor propõe uma discussão sobre a família contemporânea e que tipo de relação afetiva se estabelece, já que os laços entre os membros do núcleo familiar hoje, na maioria das vezes, estão tão frágeis.

O grande destaque de A Gaivota no Infinito do Espelho é sem dúvida a entrega total dos atores ao projeto; o vigor e a garra da interpretação de seus personagens (cada um dos 12 atores vive diversos papéis) contagia a plateia.

Não perca, o espetáculo está no Satyros só até o dia 06 de junho.

Roteiro:
A Gaivota no Infinito do Espelho
. Texto: Beto Bellini. Direção e cenografia: Marcelo Galdino. Assistente de direção: Gisa Guttervil. Elenco: Gisa Guttervil, Beto Bellini, Fransérgio Araújo, Deborah Graça, Danilo Amaral, Amanda Pereira, Gustavo Merighi, Letícia Trebbi, Rebeca Zadra, Paloma Souza, Arthur Alavarse e Luci Savassa. Figurino: Daíse Neves. Iluminação: Pâmola Cidrack. Trilha sonora: Henrique Mello. Fotografia: Demian Golovaty. Coordenação de produção: Erika Barbosa.
Serviço:
Espaço dos Satyros Um (70 lugares), Prça. Franklin Roosevelt, 214, tel: 3255-0994. Horários: quartas e quintas às 21h. Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (desconto para moradores da Prça Roosevelt : R$ 5,00 – necessário comprovante de residência). Reservas pelo tel: 99402 4659. Duração: 80 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 6 de junho.

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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