ARTIGO: PEÇA DE SUSPENSE E MISTÉRIO ENCERRA TEMPORADA NO FINAL DO MÊS

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

SÃO PAULO – A Dama de Negro, está em cartaz em Londres desde 1988 e já foi assistida por mais de 10 milhões de espectadores no mundo todo. A montagem brasileira é dirigida por Roberto Lage e conta no elenco com Ben-Hur Prado, Josafá Filho e Gabriella Aly. Este sucesso da peça se deve ao enredo de suspense, mistério e terror, que é baseado no romance da escritora britânica Susan Hill, The Woman in Black. A adaptação para o teatro, de Stephen Mallattrat, é a que a montagem brasileira se utiliza.

Assim a história central do romance, em que o jovem advogado Arthur Kipps aceita a missão de seus chefes de representar o escritório no funeral de uma velha cliente e organizar o inventário dela, é retratada de outra maneira.

A trama começa com Kipps (Ben-Hur), já mais velho, tentando encenar a peça que escreveu sobre sua aventura vivida no início de sua carreira; ele acredita que ao contar tudo o que viveu na Casa do Pântano, quando remexeu no passado da velha cliente, possa exorcizar todos os fantasmas que o acompanham até então.

No entanto, sem talento na arte de representar, Kipps procura um ator, vivido por Josafá Filho, que tenta ajudá-lo.

O ator, ao perceber que Kipps realmente não teria condições de atuar, assume o papel do advogado e interpreta a misteriosa e intrigante história do advogado. O público percebe que está diante de uma peça dentro de outra peça.

A DAMA DE NEGRO
A DAMA DE NEGRO

A missão de Kipps é dar início ao inventário da Sra. Drablow, mas já em seu enterro ele vislumbra uma mulher toda de negro, que irá modificar o destino de sua missão.

Mesmo sem saber o porquê da população da pequena cidade mercante de Crythin Gifford se recusar a lhe dar informações, ele parte para a Casa do Pântano, que fica longe da cidade e é de difícil acesso. Lá dá início a seu trabalho de pesquisa dos documentos da cliente, mas começa a ouvir ruídos estranhos, a ver vultos e novamente vê a enigmática mulher de negro.

A todo o momento há a quebra da narrativa e o ator comenta com o velho advogado sobre a encenação de sua história; eles trocam o figurino, modificam os objetos de cena e novamente voltam a encenar a peça escrita por Kipps. Desta forma, o espectador fica atento aos dois momentos narrativos e é envolvido totalmente no clima de mistério e terror da trama, culminando com um desfecho revelador e surpreendente.

Além de um texto com uma trama bem articulada, A Dama de Negro se destaca pela direção criteriosa do diretor Roberto Lage, que sabe como ninguém usar de recursos sonoros vindos do fundo da plateia e de uma iluminação precisa para criar o clima de suspense que a peça exige.

No dia em que assisti ao esptáculo, a reação de pânico do público ao final é o aval do grande sucesso que a peça conquista pelo mundo desde sua estreia, há mais de 20 anos.

Quem gosta da tensão de histórias de terror não pode perder. Em cartaz só até o final do mês.

Roteiro:
A Dama de Negro. Texto: Stephen Mallatratt, adaptação do livro de Susan Hill. Tradução: Mariana Aroxa. Direção: Roberto Lage. Elenco: Ben-Hur Prado, Josafá Filho e Gabriella Aly. Cenário e figurinos: Heron Medeiros. Iluminação: Wagner Freire. Trilha sonora: Aline Meyer. Fotografia: Peri José. Direção de produção: Ben-Hur Prado.Realização: Bem-Hur Produções Artísticas.
Serviço:
Teatro Nair Bello, Shopping Frei Caneca (200 lugares), Rua Frei Caneca, 569, 3º Piso, tel. (11) 3472.2414. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: sexta e domingo R$ 50,00 e sábado R$ 60,00. Duração: 80 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 27 de julho

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

4 Comentários
  1. Eu assisti esse espetáculo, paguei caro e achei muuuuuuito ruim…
    A única coisa que vale MUUUUUUITO A PENA é a atuação do Ben Hur Prado que é um EXCELENTE ATOR…
    O otro ator não suportávamos mais ouvir a voz, o texto dado com o msm ritmo o tempo todo era um porre…
    Ah! Sem contar em algumas coisas, tipo a cachorra imaginária, que são de deixar qualquer um com vergonha alheia…

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