Artigo: Peça dirigida por Bob Wilson com elenco brasileiro acaba domingo

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Lígia Cortez em A DAMA DO MAR
Lígia Cortez em A DAMA DO MAR

Com texto de Susan Sontag baseado na peça de Ibsen, A Dama do Mar , o diretor americano pela 1ª vez trabalha com atores brasileiros. Com Lígia Cortez, Ondina Clais Castilho, Hélio Cícero, Luiz Damasceno e Bete Coelho

SÃO PAULO – Impossível acompanhar a extensa programação cultural da cidade de São Paulo. Mas há algumas atrações que merecem mais atenção do público e não se pode deixar de conferir. Mesmo que no finalzinho da temporada. Este é o caso da montagem de A Dama do Mar — em cartaz só até domingo no SESC Pinheiros —, um projeto assinado pelo diretor norte-americano Robert Wilson (o badalado Bob Wilson), que não só dirige como é o responsável pelo cenário e pelo conceito de iluminação.

A Dama do Mar, de Susan Sontag, é baseada no clássico de Henrik Ibsen, e faz uma releitura da lenda da mulher foca, Ellida, que depois de ter vivido na juventude a liberdade do mar selvagem da Noruega, renuncia a tudo e se casa com um velho médico viúvo e pai de duas filhas. Dirigindo pela primeira vez atores brasileiros, Bob realizou testes e optou por duas atrizes para interpretarem a personagem título: Lígia Cortez e Ondina Clais Castilho se revezam no papel de Ellida e sua enteada Bolette.

Completam o elenco, Hélio Cícero (o médico Hartwig Wangel), Luiz Damasceno (o professor Arnholm) e Felipe Sacon (o estrangeiro); Bete Coelho faz uma participação especial como Hilde, a outra enteada.

Bob Wilson consegue reter a atenção do público desde o prólogo: sem uma fala, os atores deslizam pelo cenário sob uma iluminação marcante. Deu-me a impressão que este início é um misto de artes plásticas, dança e teatro! No programa da peça, o diretor explica seu método de trabalho:

“Como sempre, parti do cenário, que para mim é a arquitetura que está entre o que vejo e o que ouço. O que me tocou neste texto é uma luz contínua que é atingida por uma linha de tempo sobrenatural. A beleza está no modo pelo qual esses dois mundos se chocam”, diz Robert Wilson.

A DAMA DO MAR texto de Susan Sontag  baseado na peça de Henrik Ibsen
A DAMA DO MAR
texto de Susan Sontag
baseado na peça de Henrik Ibsen

Os paulistanos que assistiram a A Dama do Mar dirigira por Sérgio Ferrara no ano passado — Ondina Catilho e Luiz Damasceno interpretaram o casal Ellida e Dr. Wangel— têm condições de fazer ricas comparações, já que Ferrara optou por uma versão mais realista do que a de Bob Wilson.

Nesta versão escrita por Susan Sontag, o fascínio pelo mar de Ellida e sua paixão avassaladora pelo estrangeiro (um ser até místico em cena) ficam mais evidentes. No entanto, a essência da peça de Ibsen, a dúvida daquela mulher entre manter o casamento ou abandonar tudo por sua atração pelo mar, fica bem marcada na versão do diretor norte-americano.

Fiquei impressionado com a plasticidade do espetáculo: com poucos elementos em cena, uma trilha, assinada por Michael Galasso, que reproduz fielmente os sons do mar e o lindo figurino assinado por Giorgio Armani, A Dama do Mar envolve toda a plateia num clima onírico e de liberdade, que é o tema central discutido por Ellida.

A afinação do elenco é outro grande destaque: na noite em que assisti, tive a grata satisfação de poder contar com a performance extraordinária de Lígia Cortez como a protagonista.

Na minha opinião, o espetáculo é um dos grandes destaques do cenário teatral deste ano. Realmente imperdível, só até o dia 7 de julho, neste domingo. Corra!

Roteiro:
A Dama do Mar
. Texto: Susan Sontag, inspirada em Henrik Ibsen. Direção, cenografia e iluminação: Robert Wilson. Co-direção: Giuseppe Frigeni. Assistência de direção: Julian Mommert e André Guerreiro Lopes. Elenco: Lígia Cortez, Ondina Clais Castilho, Hélio Cícero, Luiz Damasceno, Felipe Sacon e Bete Coelho. Figurino: Giorgio Armani. Música: Michael Galasso. Som: Peter Cerone. Iluminação: A.J. Weissbard e Robert Wilson. Direção de cena: Rafael Bicudo. Fotos: Luciano Romano. Realização: SESC SP
Serviço:

SESC Pinheiros, Teatro Paulo Autran (700 lugares), Rua Paes Leme, 195, tel. 3095-9400. Horários: sextas às 21h; sábados, às 20h e domingos, às 18h. Ingressos: R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública); R$ 10,00 (comerciários e trabalhadores em empresas do comércio). Bilheteria: terça a sexta das 10h às 21h30; sábados das 10h às 21h30, domingos e feriados das 10h às 18h30. Duração: 1h30. Classificação: 16 anos. Temporada: até 07 de julho de 2013.

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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