Artigo: Peça disseca a relação entre um homem e uma mulher

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

"Holher e Mumem"
“Holher e Mumem”

João Paulo Lorenzon e Arieta Corrêa vivem o arquétipo de um casal que chega a se fundir em Holher Mumem. Até que ponto dois seres se misturam numa relação afetiva? Sessões segundas e terças, às 20h no SESC Consolação

SÃO PAULO – Texto árido e provocador, em que um casal discute a relação amorosa de forma visceral, literalmente! Esta a sensação que tive ao assistir a estreia de Holher Mumem, peça em cartaz no SESC Consolação, Espaço Beta, em que João Paulo Lorenzon é o responsável pela dramaturgia e direção, além de dividir o palco com Arieta Corrêa, que assina a cenografia e produção do espetáculo.

Mais do que pôr a nu a relação amorosa entre um homem e uma mulher, a peça questiona se é possível a fusão entre duas pessoas que se amam, como no título peculiar em que há uma mescla das palavras:

“O título gera uma sonoridade incomum, sugerindo uma relação amorosa estranha, mas há limite para a fusão amorosa? Na trama Ele e Ela buscam superar a singularidade pela fusão. Eles estão num não-lugar, se misturam, se enterram, se dissolvem. Deixam marcas na história, pegadas no tempo e vestígios nos corpos um do outro, evocando o caráter animalesco do amor”, explica o ator.

Num momento em que o modelo tradicional de amor romântico está sendo questionado e posto em prova, dramaturgos contribuem para fomentar esta discussão. Ao sair da sala de espetáculo duas peças me vieram à cabeça: Deus é um DJ, de Falk Richter, encenado por Marcos Damigo e Guta Ruiz, e Intimidades, de Gustavo Machado com Roberta Alonso e Otto JR, que ainda está em cartaz na cidade. Os três textos conversam entre si sobre que tipo de relação amorosa as pessoas almejam nos dias atuais.

"Holher e Mumem"
“Holher e Mumem”

Para Lorenzon, os personagens de sua peça desejam “romper a anestesia que contamina a humanidade contemporânea e encontrar a força que nos aponta o paraíso perdido”.
O cenário constituído de um monte de terra vermelha tem função primordial na montagem, pois é nesta terra que os personagens se enterram e se interagem. O que me chamou a atenção em Holher Mumem foi exatamente a entrega de João Paulo e Arieta aos personagens: além de muito bem sintonizados, eles mantêm o tom intimista e tenso que a trama exige durante os 50 minutos de espetáculo.

Roteiro:
HOLHER MUMEM. Texto e direção: João Paulo Lorenzon. Cenografia e produção: Arieta Côrrea. Elenco: Arieta Côrrea e João Paulo Lorenzon. Desenho de luz: Lúcia Chedieck. Sonoplastia: Raul Teixeira. Figurino: Angela Coelho da Fonseca e Fernanda Franken. Supervisão teórica do projeto: Alan Victor Meyer. Fotos: Maurizio Mancioli e Julieta Bacchin.

Serviço:
SESC Consolação, Espaço Beta (50 lugares), Rua Dr. Vila Nova, 245, tel: 3234-3000. Horários: segundas e terças, às 20h. Ingressos: R$ 10,00 (inteira); R$ 5,00 (usuário SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública); R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). Duração: 50 minutos. Classificação: 14 anos. Temporada: até 15 de outubro.
 

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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