Artigo: Peça mostra amor de um casal gay, da juventude à velhice.

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Ou você poderia me beijar_Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano
Ou você poderia me beijar_Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano

Ou Você Poderia me Beijar, texto inédito no país com direção de Zé Henrique de Paula mostra 60 anos de vida em comum de dois homens que se amam e como é lidar com a iminência da morte de um deles. Casal é vivido por seis atores

SÃO PAULO – Delicadeza, esta a melhor definição do espetáculo dirigido por Zé Henrique de Paula, Ou Você Poderia me Beijar, que acaba de estrear no Teatro do Núcleo Experimental.

 Ou você poderiOu você poderia me beijar_Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano a me beijar_Roney Facchini e Cláudio Curi
Ou você poderiOu você poderia me beijar_Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano a me beijar_Roney Facchini e Cláudio Curi

Texto inédito no Brasil do dramaturgo britânico Neil Bartlett — que escreveu em parceria com a companhia sul-africana Handspring Puppet, dirigida por Adrian Kohler e Basil Jones — traz um painel da vida de dois homens que se amam (na peça eles não têm nome, são chamados de A e B).

Ou você poderia me beijar_Clara Carvalho
Ou você poderia me beijar_Clara Carvalho

Eles se conhecem no final da adolescência e por mais de 60 anos vivem juntos, mas têm de lidar com a morte iminente de um deles que sofre de enfisema pulmonar e com os trâmites burocráticos para garantir os direitos civis ao cônjuge sobrevivente.

Todos os personagens femininos são interpretados por Clara Carvalho e o casal é vivido por Thiago Carreira e Felipe Ramos na fase jovem, por Marco Antônio Pâmio e Rodrigo Caetano na maturidade e por Roney Facchini e Cláudio Curi na velhice.
Os atores ficam em cena praticamente durante todo o espetáculo: as três fases da vida do casal são representadas aleatoriamente e o público vai identificando quem é quem no decorrer da trama.

O minucioso trabalho gestual e de corpo facilita esta identificação.

Fiquei impressionado com o rigor e a entrega dos atores na composição dos personagens!

Se na TV comemorou-se o primeiro beijo entre um casal gay (em Amor à Vida de Walcyr Carrasco), nesta montagem de Zé Henrique de Paula para o Núcleo Experimental a questão da vida afetiva entre dois homens vai muito além.

Ou você poderia me beijar_Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano
Ou você poderia me beijar_Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano

A peça mostra desde o primeiro encontro, a primeira transa, a decisão de moraram juntos e a constituição do vínculo afetivo entre eles. São mais de 60 anos de vida a dois, em que a cumplicidade, o respeito e o amor fundamentam esta relação.

A assistência ao idoso e como a sociedade lida com o casal idoso e gay também são questões discutidas em Ou Você Poderia me Beijar.
Por mais que haja progresso no comportamento social, até na Inglaterra é preciso lutar pelos direitos civis dos casais gays. E a peça deixa clara a importância da regulamentação dos direitos civis:

“Esta peça é um elogio ao amor, com tudo o que ele tem de sublime. É também uma reflexão sobre as dificuldades de nutrir esse amor ao longo do tempo. E essas dificuldades agem insidiosamente na forma de preconceito, intolerância e segregação. Por isto que esta peça é dedicada aos habitantes de 76 países onde é ilegal amar alguém do mesmo sexo”, argumenta Zé Henrique de Paula, que além da direção assina a cenografia e figurinos da peça.
Além de um texto sensível e que discute em profundidade a relação entre dois homens que se amam, gostaria de destacar a delicadeza com que o diretor tratou o tema e o formato da montagem: a relação de tesão, afeto e amor entre o casal fica evidente graças ao trabalho de composição dos seis atores — os gestos de carinho entre o casal é evidenciado em cada fase da vida deles e os atores souberem muito bem caracterizar este casal.
Roteiro: Texto: Neil Bartlett e Handspring Puppet Company. Tradução e adaptação: Thiago Ledier. Direção: Zé Henrique de Paula. Elenco: Clara Carvalho, Roney Facchini, Cláudio Curi, Marco Antonio Pâmio, Rodrigo Caetano, Thiago Carreira e Felipe Ramos. Preparação de atores: Inês Aranha. Assistente de direção: Thiago Ledier. Trilha original e preparação vocal: Fernanda Maia. Piano: Fernanda Maia e Rafa Miranda. Cenário e figurinos: Zé Henrique de Paula. Iluminação: Fran Barros. Vídeo e design gráfico: Herbert Bianchi. Fotografia: Ronaldo Gutierrez. Produção executiva: Priscilla Oliva.

Serviço:
Teatro do Núcleo Experimental (56 lugares), Rua Barra Funda, 637, tel: (11) 3259-0898. Horários: sextas e sábados às 21h e domingos às 19h. Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia) e R$10,00 (cadastrados). Vendas: bilheteria abre uma hora antes do espetáculo ou pelo site: www.compreingressos.com. Duração: 90 minutos. Classificação: 14 anos. Ar condicionado e acesso para deficientes. Estacionamento conveniado, R$ 10,00. Temporada: até 27 de abril.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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