As donas das vozes da favela


Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

"Hospital da Gente" - Grupo Clariô de Teatro

A poesia da obra literária de Marcelino Freire, acrescida da singela e delicada condução do diretor Mário Pazini e de interpretações talhadas com verdade de quem conhece de perto adasobre o que se fala, Hospital da Gente coloca em cena tipos femininos conhecidos como a mãe, a catadora de lixo, a dona de boteco, uma velha, a prostituta, entre outras, moradoras de uma favela que vive à mercê da destruição quando a chuva aumenta e as águas da enchente invadem os barracos.

Entretanto, Hospital da Gente não cai no perigo da autocomiseração, ocupando-se mais em mostrar o cotidiano daqueles moradores do que lamentar e explanar sobre os motivos que os levaram à situação tatuada pelo risco social.
O cenário-instalação de Alexandre Souza (João) insere o público na ação, tornando-o cúmplice, integrante da cena. Os figurinos assinados pelo grupo são parte do artesanato que faz a plástica do espetáculo.

"Hospital da Gente" - Grupo Clariô de Teatro
Naruna Costa compôs letras belíssimas, além de responder pela direção musical competente e pelo inesquecível arranjo de Beradêro, de Chico César.

*Michel Fernandes viajou a convite do FIT
Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

2 Comentários
  1. Destaque mais que merecido a esse trabalho – e ilustrar a matéria com foto precisamente da “cena da bacia” atinge em cheio quem já assistiu a peça. Tanto o texto quanto a interpretação da Naruna Costa atingem um ápice antológico nessa cena – a tal ponto que um ou dois anos depois de assistir eu ainda não a consigo relatar para ninguém, pois não consigo conter o choro quando tento! É uma cena capaz de se inscrever com tamanha força no coração & mente de quem a vê que termina mudando nossa interpretação do mundo – por tocar num dos pontos mais críticos que se possa imaginar nesse sentido. Ou seja: gera não só emoção como também entendimento e teoria, no bom sentido da palavra. Dá para duvidar que isso seja ARTE DA GRANDE?

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