Aspectos da cultura brasileira tratados com competência em Terra de Santo

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)

Os Fofos Encenam "Terra de Santo" - foto de João Caldas
Os Fofos Encenam “Terra de Santo” – foto de João Caldas

SÃO PAULO– Terra de Santo, com o grupo Os Fofos Encenam, está em cartaz no Espaço dos Fofos. A peça fez temporada no Sesc Belenzinho e no Espaço dos Fofos em 2012. A temporada atual acontece segunda e terça, às 20h; sábado às 21h; domingo às 18h, até 10 de março. Elenco: Carlos Ataíde, Carol Badra , Cris Rocha, Erica Montanheiro, José Roberto Jardim, Kátia Daher, Luciana Lyra, Marcelo Andrade, Paulo Pontes, Simone Evaristo, Viviane Madu, Zé Valdir e como (stand-in) Rafaela Penteado. Texto de Newton Moreno em processo colaborativo com o grupo. Direção de Newton Moreno e Fernando Neves, com figurinos e maquiagem de Carol Badra e Leopoldo Pacheco. Direção musical de Fernando Esteves; cenários de Newton Moreno, Marcelo Andrade e Zé Valdir; iluminação de Eduardo Edu Reyes.

A sala de espera do Espaço dos Fofos se transforma no lugarejo onde cortadores de cana apresentam o seu cotidiano, seus dramas e sonhos.

"Terra de Santo" - foto de João Caldas
“Terra de Santo” – foto de João Caldas

Público e atores se misturam. Entramos no mundo dos trabalhadores e para que esse contato fique mais intenso, compartilhamos a¨bóia-fria¨com os personagens.

È um dia santo e os cortadores de cana vivem um drama: eles são obrigados a compactuar com a destruição de uma terra santa, em nome do progresso.

Mulheres ocupam terras de uma usina de cana e lá realizam os seus rituais sagrados. Elas dizem que a propriedade da terra foi doada a um santo e que há registro em cartório. Para tentar manter a posse do lugar e preservar a história de brancos, negros, judeus e índios da região, elas precisam travar uma briga com os donos do poder .

Num segundo momento, o público é convidado a entrar na sala de espetáculos, local em que são encenadas as tradições e crenças de um povo. Entramos em contato com os seus antepassados e com todo o sofrimento de pessoas que sempre tiveram as suas vidas atreladas ao cultivo da cana.

Cenas fortes, de intensa dramaticidade, de rituais e cantos nos transportam para uma realidade em que a dor predomina.

A direção de Fernando Neves e Newton Moreno é primorosa, assim como a atuação do elenco. Os movimentos e gestos são precisos, e preciosos. Luz, cenário, figurino e trilha ambientam a história nas fazendas de cana.

Na primeira parte o humor está presente, apesar da vida sacrificada dos trabalhadores. Já na segunda parte, o texto e a encenação são mais complexos e exigem que o espectador esteja atento.

Por esse motivo, resolvi assistir à montagem duas vezes. Valeu a pena, pois foi possível perceber detalhes que não havia prestado muita atenção, diante de tantas informações que são transmitidas, e também foi proveitosos rever cenas que agora ganharam um novo frescor e significado.

Ficha técnica:

Texto: Newton Moreno em processo colaborativo com o grupo

Direção: Newton Moreno e Fernando Neves

Figurinos e maquiagem: Carol Badra e Leopoldo Pacheco

Direção musical: Fernando Esteves

Cenários: Newton Moreno, Marcelo Andrade e Zé Valdir

Iluminação: Eduardo Reyes

Direção de produção: Emerson Mostacco.

Serviço:

Terra de Santo

Espaço dos Fofos – Rua Adoniran Barbo…sa, 151 – Bela Vista -Tel.: (11) 3101-6640
(melhor reservar porque o espaço é pequeno e o público tem prestigiado a peça)
Segunda e terça, às 20h; sábado às 21h; domingo às 18h. Em cartaz até 10/3/2013.
Ingressos: R$ 30.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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