SÃO PAULO – Eu não vou começar esta homenagem a Beatriz Segall falando de sua personagem icônica na televisão, porque já virou folclore o fato de que ela não gostava desta associação. Beatriz teve uma importante carreira no teatro brasileiro. Atuou na lendária encenação de Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki que José Celso Martinez Corrêa dirigiu, em 1963, no Teatro Oficina.

Na década de 1970, seu trabalho como atriz se somou ao de produtora, quando ao lado do marido Mauricio Segall assumiu a direção do Theatro São Pedro, em São Paulo. Além de encenações importantes com Marta Saré, de Gianfrancesco Guarnieri, a casa foi também um marco na resistência à ditadura militar.

 Em 1984, foi dirigida pelo jovem Miguel Falabella em Emily, de William Luce, peça em que interpretou a poeta norte-americana Emily Dickinson. O resultado foi um espetáculo que marcou a trajetória teatral da atriz e seu diretor. Quando o GNT produziu, em 2001, a série Grandes Damas, que homenageou as grandes intérpretes brasileiras, Beatriz confessou que Emily foi o momento mais feliz de sua carreira.

A partir de 1995 pude acompanhar como espectador seus trabalhos teatrais. Teve um grande momento na montagem de Três Mulheres Altas, de Edward Albee, ao lado de Nathalia Timberg e Marisa Orth.A direção era de José Possi Neto, com quem manteve fértil parceira artística. Tive também o privilégio de ver o derradeiro espetáculo da atriz, o musical Nine, bela criação de Charles Möeller e Claudio Botelho.

E como estou encerrando esta homenagem, posso dizer que toda a classe e refinamento da atriz chegaram ao grande público, quando interpretou Odete Roitman na telenovela Vale Tudo, exibida em 1988 e, atualmente sendo reprisada no Canal Viva. Até hoje é considerada a maior vilã de todos os tempos. Obrigado, Beatriz.

Luís Francisco Wasilewski, do Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)