‘BIENAL SESC DE DANÇA‘ ACONTECE DOS DIAS 17 A 27 DE SETEMBRO EM CAMPINAS

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com=)*

TRAGEDIA
TRAGEDIA

CAMPINAS – A 9ª edição da Bienal Sesc de Dança foi lançada em Campinas, na quinta-feira (27) sob clima de festa. É a primeira vez que a cidade, no interior de São Paulo, sedia o evento. Nas outras edições a sede foi Santos, no litoral. A ideia é fomentar a dança, onde o Estado de São Paulo tem o primeiro curso de graduação voltado para a área (na Unicamp). Além do Sesc, outros palcos e ruas prometem ser tomadas por arte, entre os dias 17 e 27 de setembro. A programação tem 31 espetáculos do Brasil, França, Portugal, Argentina, Uruguai e Áustria.   

O lançamento contou com discursos emocionados do diretor regional do Sesc Danilo Santos de Miranda e do secretário de cultura Ney Carrasco. Além disso, houve apresentação do espetáculo Estado Imediato, do Grupo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Os ingressos começaram a ser vendidos na última sexta-feira, 28 de agosto, em todas as unidades do SESC do Estado de São Paulo.

"Duo Para Dois Perdidos" é um dos espetáculos de Campinas, sede da Bienal Sesc de Dança, que estará no Festival. Foto: divulgação
“Duo Para Dois Perdidos” é um dos espetáculos de Campinas, sede da Bienal Sesc de Dança, que estará no Festival. Foto: divulgação

Miranda começou sua fala explicando que trazer a Bienal para Campinas reforça a intenção do SESC em equilibrar suas iniciativas entre os municípios de São Paulo. “Na cidade de Santos mantemos uma ação tão significativa, tão importante quanto, que é uma iniciativa voltada para as artes cênicas: Festival Mirada, com manifestações de toda a América Latina e mais da Península Ibérica. Isso continua a cada dois anos sendo realizado lá e a próxima edição acontecerá no próximo ano (2016). Então, por diversas razões, trazemos para Campinas a Bienal SESC de Dança e esperamos que tenha o mesmo alcance e sucesso que teve (por oito anos) na cidade de Santos”.

Danilo lembrou o espírito do SESC em “expandir a arte”. Por isso, reforçou que o Festival vai além de apresentações, tendo função e atividades didáticas e formativas. Outro fator importante, é a “ocupação da cidade como algo intencional”. Razão pela qual o evento ocorre no SESC, nos equipamentos culturais da cidade, como por exemplo, o Teatro Municipal Castro Mendes e espaços públicos, como no caso do Terminal Rodoviário”.

Para encerrar sua fala, o gerente regional do SESC , citou o filósofo Friedrich Nietzsche em Assim falou Zaratustra: “Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar. E quando vi o meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo e solene: era o espírito do pesadume. Por ele caem todas as coisas.Eu aprendi a andar; por conseguinte corro. Eu aprendi a voar; portanto não quero que me empurrem para mudar de lugar. Agora sou leve, agora vôo; agora vejo a mim mesmo por baixo de mim, agora dança em mim um Deus”.

O secretário de Cultura de Campinas, que é da área da música e das artes, também fez um emocionado discurso. Falou da importância em se fomentar a arte. Lembrou que dança não pode ser confundido com esporte e falou da tradição da cidade no seguimento da dança.

“Campinas tem uma vida nesse segmento artístico de dança muito significativa. Porém, ao longo do tempo, não construiu companhias de dança em uma quantidade suficiente para absorver todo mundo que ela forma. Então, se você observar hoje, você tem no mundo todo (nas companhias de dança) dançarinos formados em Campinas, que pelo seu grau de excelência foram quase obrigados a sair daqui para ter uma vida de bailarino profissional”, disse.

Carrasco complementou que “Campinas tem que se constituir como um polo de dança, assim como já é um polo de teatro experimental e música”. Disse ainda, que são eventos como a Bienal que fomentam nesse núcleo.

Agradecendo ao SESC pelo ‘presente’, Carrasco termina com a fala de que a dança não é esporte. “É um outro domínio. Arte é um domínio diferente do esporte. O esportista compete. O artista não. Uma vez que ele consiga levar sua expressão para o palco ele é um vencedor”.

Programação
Neste ano, além dos 31 espetáculos de dança, há cinco intervenções, duas instalações e uma grade de ações formativas (com mesas, debates, oficinas, aulas e residências).

Claudia Garcia, curadora da Bienal SESC de Dança, contou que foram 550 inscrições na convocatória aberta feita no site do SESC. “O trabalho de curadoria intenso durou quatro dias. Dos 550 inscritos selecionamos 100. Dos 100 fomos até chegar nos escolhidos finais”.

Claudia diz que houve muitas inscrições de grupos de Campinas. Mas “nós não nos sentimos obrigados a selecioná-los. Tem dois grupos que farão parte (Footing, da Seis + 1 Cia de dança  e Suportar, da Cia Domínio Público) . Elas estão na seleção por que são boas e não por ser da cidade”, disse.

Mostra Perfomática Bizarra, o encontro de três artistas que questionam o modelo heteronomativo, branco e ocidental em espetáculos diferentes.

Além de pensar o urbano e a cidade a partir de Campinas, “a mostra traz reflexão à questão política, social, de gênero e identidade”.

Claudia, inclusive,destaca a Mostra Perfomática Bizarra, o encontro de três artistas que questionam o modelo heteronomativo, branco e ocidental em espetáculos diferentes.  É “o que a dança tem a falar sobre esse tema que está na pauta com contundência e humor”.

A curadora também ressalta o O grupo Cena 11, dirigido por Alejandro Ahmed, que abre o processo de criação do espetáculo Protocolo Elefante. E as montagens internacionais Tragédia (Francesa), responsável pela abertura da Bienal e Futuros Primitivos do argentino Luis Garay.

 

SESC CAMPINAS APRENSENTA BIENAL SESC DE DANÇA 2015

DE 17 a 27 de setembro

Ingressos à venda a partir de 28 de agosto, em todas unidades do Estado de São Paulo.

Acesse: www.sesc.org.br/bienaldedanca

*A jornalista viajou a convite da Bienal SESC de Dança. 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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