Cabeça de Papelão: de volta para comemorar 15 anos da Cia da Revista

Artigo de Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Baseada no conto de João do Rio, a peça mostra um homem que para se adaptar à sociedade troca sua cabeça por uma de papelão. Direção de Kleber Montanheiro e dramaturgia de Ana Roxo

Cia da Revista comemora 15 anos com "Cabeça de Papelão"

SÃO PAULO – Para celebrar 15 anos de atividades e três da nova sede, o MINITEATRO, a premiada Cia da Revista re-estreou passada a comédia Cabeça de Papelão, inspirada no conto O Homem da Cabeça de Papelão do jornalista carioca João do Rio. Com dez atores e dois músicos em cena, a montagem retrata a trajetória de vida de Antenor, um homem que se sente excluído da sociedade em que vive, o País do Sol, justamente por dizer sempre a mais pura verdade. Ele tem problemas amorosos, profissionais, financeiros e morais por praticar o bem e dizer o que sente. Descobre que para se adaptar às imposições do mundo é preciso mudar de cabeça: vai ao relojoeiro e deixa sua cabeça para consertar e leva uma de papelão. Antenor, depois desta troca, é reconhecido pela sociedade e conquista dinheiro, poder, amor e fama. A pequena plateia é conduzida à sala e se acomoda em dois praticáveis em paralelo, deixando uma faixa no meio onde as cenas acontecem. Em clima de teatro de revista e carnaval, o enredo é permeado por canções e marchinhas satíricas.

Cia da Revista comemora 15 anos com "Cabeça de Papelão"

O diretor Kleber Montanheiro, que assina o cenário, figurino e iluminação, utiliza diversos recursos e linguagens para contextualizar o universo de Antenor, o ‘desajustado’ socialmente. “A idéia é que as linguagens conversem entre si, formando uma só história. Na cena em que o protagonista se apaixona pela filha da costureira, tudo vira um grande baile, com direito a gelo seco no chão e vestidos longos. Quando ele troca sua cabeça por uma de papelão, usamos um IPad, referência ao que estamos sujeitos com a tecnologia hoje em dia”, explica o diretor. Em função da disposição física proposta pela montagem, os espectadores estão muito próximos dos atores, o que facilita a identidade e sintonia com o enredo. Quem já não usou uma cabeça de papelão para se adaptar a determinada situação, seja profissional, seja lidar com a burocracia estatal? “Sim, eu uso. Todos nós usamos cabeça de papelão. Esta obra possibilita uma reflexão sobre a cidade que habitamos e suas possibilidades de mutações. Mas a cidade não muda, quem muda somos nós, por meio de nossos pensamentos, crenças e posições perante o mundo que nos cerca. Precisamos olhar com olhos de enxergar. Precisamos de Antenores, sem cabeça de papelão”, arremata Montanheiro. Além de ressaltar a coesão e união dos atores em cena, outros destaques de Cabeça de Papelão ficam para a direção precisa e o envolvimento em todo o processo de criação do diretor Kleber Montanheiro e para a trilha sonora envolvente, criada por Adilson Rodrigues. Uma última dica: fique atento ao início do espetáculo e descubra de onde vêm as vozes que cantam a música Cabeça. Parabéns e vida longa à Cia da Revista! Roteiro: Cabeça de Papelão. Texto: inspirado na obra de João do Rio. Direção, cenografia, figurinos e iluminação: Kleber Montanheiro. Dramaturgia: Ana Roxo. Direção musical: Adilson Rodrigues. Assistência de direção: Deborah Penafiel. Elenco:Adriano Merlini, Bruna Longo, Daniela Flor, Gabriela Segato, Heloisa Maria, Luiza Torres, Natália Quadros, Paulo Vasconcelos, Pedro Bacellar e Pedro Henrique Carneiro. Músicos: Arnaldo Janiak Junior e Gustavo Vellutini. Fotos: Leonardo Vaz e Álvaro Barcellos.  Realização: Cia. da Revista. Serviço: Miniteatro (30 lugares), Praça Roosevelt, 108, tel. 3255-0829. Horários: sábados e domingos às 21hs. Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia). Aceita-se dinheiro e cartões. Bilheteria: sábados e domingos a partir das 19h. Duração: 60 minutos. Ar condicionado. Temporada: até dezembro.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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