Cacá Carvalho de volta com sua A Poltrona Escura

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

A POLTRONA ESCURA

Que Cacá Carvalho é um dos melhores atores do teatro brasileiro é um consenso. Quem o assistiu como Macunaíma, na adaptação teatral do romance homônimo de Mário de Andrade, com direção de Antunes Filho, ou mesmo Meu Tio, o Auaretê, de Guimarães Rosa, como o onceiro (de onça mesmo) dirigido por Roberto Lage, ou ainda como criado de Dom Juan, peça escrita por Molière – montagem em que contracenava com Edson Celulari –, tem certeza disso. Acontece que os italianos também já descobriram as qualidades de Cacá. Tanto que compraram seu passe. Durante vários anos ele foi professor de interpretação da Fundazione Pontedera, Toscana, e responsável pelos elencos que atuam nas peças da companhia de teatro desta mesma entidade.

Quem já o viu em cena – e também quem nunca o viu – agora tem a chance de aplaudi-lo em A Poltrona Escura, de Luigi Pirandello, que acabou de re-estrear no Teatro Eva Herz, palco dentro da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional .

Não é o primeiro Pirandello na carreira do intérprete, que já fez grande sucesso com O Homem com a Flor na Boca. O presente espetáculo foi encenado por Roberto Bacci, da mesma Fundazione, um profissional competente e sem exibicionismos como se pode notar ao ver como coloca Cacá em cena.

Para se ter uma ideia, na cena há apenas uma poltrona coberta com um veludo marinho, uma cadeira, dois paletós. Eficientes cenário e figurinos de Márcio Medina, e que conseguem dar conta dos três contos de Pirandello reunidos num só texto: Os Pés Na Grama, Carrinho de Mão e O Sopro.

O primeiro trata de um viúvo recente; no segundo, vê-se um homem indignado com sua idade e sua vida, que lhe dificulta achar uma companheira; no terceiro é um desesperado que sofre um surto psicótico, ou quem sabe apenas uma fantasia surrealista.

Nesta leitura, pode-se pensar que se trata de um processo vivido pelo mesmo homem apresentado sempre pelo mesmo ator que dá um show.

O acerto da adaptação, e a escolha dos contos certos para criar essa unidade, devem ser creditados a de Stefano Geraci, traduzido para o português por Anna Mantovani.

Por tudo isto, Cacá Carvalho como sempre, está imperdível.

A POLTRONA ESCURA, de Luigi Pirandello. Com Cacá Carvalho. Dir. Roberto Bacci. (90min). Teatro Eva Herz. Av. Paulista, 2073. Conj. Nacional / Livraria Cultura. T. 11 3170.4059. Metrô Consolação. Bilhet: seg a dom, 14h. 166lug.

Ter a qui, 21h. R$40. 16 anos. Até 22/04.


Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

5 Comentários
  1. …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………Eu o assistí,… no,
    ……………………………………………………………………………………………….
    ……………………………….”Don Ruan” e no “Poltrona”.
    ………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………No Don Ruan,
    ……………………….fiquei tão impressionado com sua
    ……………………………….atuação que comecei a
    ………………………………………….aplaudí-lo
    …………………………………… no meio da cena.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………………………..Para minha surpresa,
    ……………………………………..o teatro INTEIRO
    …………………………………………………ME
    ……………………………..acompanhou nas palmas.
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………….Ou seja,
    ………….todos estavam sentindo a mesma coisa que
    ……………………………………………….eu.
    ………………………………………………………………………………………………..
    ……………………………………Já no,…Poltrona,
    …………………………….ele estava meio nervoso
    ……………………………e o monólogo não é FÁCIL.
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………….Mesmo assim,….foi um bom espetáculo.
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………….Voltando,
    ……………………………………………ainda
    …………………………………..no DOM RUAN.
    …………………………………………………………..
    ……………………………….Nunca mais esqueci
    ………………………….da sua presença no PALCO
    ……………………………….e da forma como ele
    …………………………………….envolve TODOS
    …………………………………como sê fôsse uma,
    ………………………………………… mágica.
    ……………………………………………………………………………………………….
    …………………………………Passado uns dias,
    ………………………………….fui ver no “estadão”
    …………………………a ‘crítica” sobre o Don Ruan
    ……………………………………………….e
    ……………….o “crítico”,….me,….sólta éssa,…… “pélora”…:
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………………………………………………………………..
    …………..” Que ele,..Caca,…dificultava o ENTENDIMENTO
    ……………………………………………da péça…”
    ………………………………………………………………………………………………..
    …………………E em volta,….uma porrada de FÓTOS do,
    ……………………………………..Edson Celulari.
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………É,….. móle..?
    …………………………………………………………………………………………………
    …………Depois os caras não sabem,..por que a imprensa
    ………………………………..é tão DESACREDITADA.
    ………………………………………………………………………………………………..

  2. Estive assistindo a peça”O homem com a flor na boca” e mais uma vez o Mestre Cacá Carvalho deu um show em sua apresentação…..Realmente vale a pena assisti-lo. Agora no novo espaço na Casa Laboratório para as Artes do Teatro na rua Concelheiro brotero,182 Barra Funda Sab e Dom fone 3661-0068

  3. Estive assistindo a peça”O homem com a flor na boca” e mais uma vez o Mestre Cacá Carvalho deu um show em sua apresentação…..Realmente vale a pena assisti-lo. Agora no novo espaço na Casa Laboratório para as Artes do Teatro na rua Concelheiro brotero,182 Barra Funda Sab e Dom fone 3661-0068

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