Cais apresenta histórias bem contadas dos moradores da Ilha Grande

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Com texto e direção de Kiko Marques e um elenco de 12 atores e 2 músicos,  CAIS ou da Indiferença das Embarcações retrata a história e a memória da ilha por meio da trajetória de vida de três gerações

http://www.youtube.com/watch?v=lc3rGvVGrX8
http://www.youtube.com/watch?v=lc3rGvVGrX8

SÃO PAULO – Encenada no espaço subterrâneo do Instituto Capobianco, a peça CAIS ou da Indiferença das Embarcações reproduz com fidelidade o cais da Ilha Grande, palco escolhido pelo ator Kiko Marques para sintetizar as histórias de vida dos moradores da ilha. Muito bem articuladas, as tramas são contadas por intermédio do velho barco, o Sargento Evilázio, interpretado pelo veterano ator Walter Portela, que funciona como uma espécie de testemunha ocular da história e da memória locais.

A trama apresentada de maneira não cronológica — o dia 31 de dezembro é o elo comum de todas as histórias — divide-se em dois atos, cada um deles com dois quadros. Estes quadros contam a trajetória de três gerações: Waldeci (Kiko Marques), seu filho Walcimar (Marcelo Laham) e seu neto Walciano (Marco Aurélio Campos). Entre a vida desta família, outras histórias se entrelaçam, criando um grande painel documental daquele lugarejo.

Kiko Marques, que também assina a direção do espetáculo, confessa que frequenta a Ilha Grande desde sua infância, onde passava suas férias escolares. Desta forma, acompanhou não só as transformações do lugar como foi colecionando histórias dos moradores:

“É curioso conhecer um lugar visitando-o sempre na mesma época. Propus-me não só a juntar os fragmentos de memória desses anos, como conhecer a história local: descobri um lugar de uma riqueza cultural e histórica muito especiais. Nenhuma das histórias da peça é totalmente real, mas também nenhuma é totalmente fictícia. Todas contêm, com alguma fidelidade, a trajetória histórica do lugar e se compõem de coisas que aconteceram realmente, ouvidas ou vividas por mim, mas costuradas segundo as necessidades da trama”, diz o ator.

"Cais" - http://www.institutocapobianco.org.br
“Cais” – http://www.institutocapobianco.org.br

Todo o barco possui uma poita, um tipo de âncora, que é amarrada a uma boia. Com o Barco Evilázio não é diferente: ele conta com a Poita Rosimeri (Rose de Oliveira), que o auxilia na narrativa; ela a cada quadro contado escreve numa lousa os nomes dos personagens, o que facilita na compreensão do enredo.

O que mais me chamou a atenção em CAIS ou da Indiferença das Embarcações foi a perfeita sintonia entre o elenco e a entrega total de todos os atores à composição de seus personagens. A união e a energia vibrante da equipe transparecem no excelente resultado apresentado no palco. Difícil ressaltar o trabalho de algum dos 12 atores, mas Walter Portela emociona como o narrador, além da visceral interpretação de Kiko Marques, Alejandra Sampaio, Marcelo Laham e Maurício de Barros.
Um dos grandes espetáculos em cartaz na cidade. No entanto, o público precisa ficar atento: a peça é encenada somente às segundas e terças e são apenas 30 lugares na plateia.

Fotos: Ligia Jardim

Roteiro:
Cais ou da Indiferença das Embarcações. Texto e direção: Kiko Marques. Com: Velha Companhia e o ator convidado Walter Portella. Elenco: Alejandra Sampaio, Kiko Marques, Maristela Chelala, Marcelo Diaz, Marcelo Laham, Marcelo Marothy, Marco Aurélio Campos, Maurício de Barros, Patrícia Gordo, Rose de Oliveira e Virgínia Buckowski. Direção musical e trilha original: UMANTO. Cenário e figurino: Chris Aizner. Iluminação: Alessandra Domingues. Fotos: Ligia Jardim. Direção e confecção de bonecos: Grupo Sobrevento. Assistentes de direção: Milena Gasparetti, Paula Ravache e Verônica Sarno.
Serviço: Instituto Cultural Capobianco, Teatro da Memória (30 lugares), Rua Álvaro de Carvalho, 97, tel. 3237-1187. Horáios: segundas e terças, às 20h. Ingressos: R$ 30. Bilheteria: abre duas horas antes do início do espetáculo, nos dias de apresentação; quartas e sextas das 14h às 18h. Pagamento só dinheiro ou cheque. Duração: 180 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 26 de março de 2013.

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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