SÃO PAULO – O musical Cargas D’Água – Um Musical de Bolso, de autoria de Vitor Rocha, busca promover uma viagem ao sertão mineiro e o nome ¨de bolso¨ se refere a sua curta duração (90 min), ao uso de poucos elementos cênicos e também à presença de poucos atores em cena. A estreia é domingo, 29, às 15 horas, na Cia da Revista. As sessões acontecem aos domingos até 27 de maio.

Na trama, um menino perde a sua mãe e tem que conviver somente com o seu padrasto. Acaba esquecendo o seu nome por ser sempre chamado de moleque.

A sua vida sem graça ganha motivação quando ele faz amizade com um peixe e ele decide levar o seu amigo para conhecer o mar, contornando o Brasil adentro.

Nessa aventura, o personagem encontra amizades, dissabores e aprende a lidar com os percalços da vida, perdendo o medo dos homens. Acaba conhecendo uma trupe de artistas e começa a se enveredar pelo mundo da arte.

No palco, os jovens atores Ana Paula Villar como Pepita, André Torquato como Moleque e Vitor Rocha como Charles. Como swings: Gustavo Mazzei e Victória Ariante, que também assina assistência de direção.

Cargas D’água apresenta dez músicas autorais, de Vitor Rocha e Ana Paula Villar com produção musical de Paulo Altafim.  Os atores cantam ao vivo, mas não existe banda no palco – todos os arranjos foram gravados e mixados em estúdio.

Para divulgar o musical, a equipe realizou uma coletiva no Espaço Cia da Revista, com uma recepção regada a quitutes famosos da culinária mineira, como o famoso pão de queijo e Romeu e Julieta (goiabada com queijo).

A atriz Ana Paula Villar, que entre outros trabalhos participou do musical Urinal, de Zé Henrique de Paula, e de My Fair Lady, com direção de Jorge Takla,  destaca que é um grande prazer participar de um musical genuinamente brasileiro onde ela pode compor as músicas em conjunto com o ator e dramaturgo Vitor Rocha. ¨Um musical com muita poesia que fala sobre os medos do ser humano¨, pontua.

O encontro com Rocha aconteceu através do musical Casusbelli, também de autoria de Vitor, quando a atriz se propôs a ajuda-lo no projeto com o objetivo de mostrar que é possível realizar um projeto sem grandes aparatos financeiros. A ideia é falar da cultura brasileira, sem desrespeitar a base do teatro musical norte-americano, mas apresentando uma linguagem que valorize a raiz brasileira do elenco.

Vitor Rocha, mineiro de Jacutinga, estreia a sua segunda peça na capital paulista, a primeira foi Comitiva esperança, em 2016, também de sua autoria, mas sem a assinatura da trilha sonora.

O artista conta que sempre teve muita vontade de criar uma história ambientada no interior e abordando a amplidão do país. ¨Tenho muita admiração por Minas Gerais e pelo Nordeste, e quis juntar as culturas dessas localidades através de uma viagem pelo Brasil e de um espetáculo com poucos recursos cênicos, que pudesse acolher as pessoas como acontece geralmente no interior¨, diz.

¨A ideia da trama surgiu a partir da pergunta do quê o mineiro poderia buscar numa viagem, e aí veio a resposta óbvia: o mar. Foi assim que criei a história da jornada desse moleque, que é livremente inspirada na vida do meu irmão e num artigo que falava sobre os medos dos seres humanos¨, conta , sinalizando que o texto foi finalizado no decorrer dos  ensaios, onde as canções eram compostas a partir do texto e das cenas criadas.

Para finalizar a conversa, Rocha declarou a sua paixão pela culinária mineira, que é um dos maiores símbolos, na sua opinião, da riqueza da cultura brasileira: ¨A comida mineira está muito presente no texto e nas músicas. Desde a primeira cena já citamos o pão de queijo e ao longo da trama falamos do doce de leite e da goiabada, por exemplo, usando metáforas e também de outras formas¨.

O ator André Torquato acabou de voltar de um período de estudos sobre teatro musical nos Estados Unidos, estava buscando um trabalho e ficou encantado com a possibilidade de fazer parte do elenco de um musical autoral e brasileiro.

Conta que leu o texto no avião, na vinda de Nova York para o Brasil, e de cara se emocionou com o seu conteúdo. ¨ É importante o aumento de musicais autorais e brasileiros, que não sejam realizados por grandes produtoras, para que o desejo de montar mais espetáculos nesse formato reverbere em mais artistas. Ao falamos da nossa cultura no palco ocupamos um lugar diferente no coração de quem faz e de quem assiste¨, opina.

Para finalizar a conversa, o ator ressalta o ineditismo desse trabalho e acredita que o público vai se surpreender com a simplicidade e a profundidade do espetáculo. ¨Ele retrata a diversidade do nosso país, formado por um mix de culturas¨.

Ficha Técnica:

Idealização e Texto: Vitor Rocha

Letras e Músicas: Ana Paula Villar e Vitor Rocha

Direção: Vitor Rocha

Assistência de Direção: Victória Ariante

Direção musical e arranjos: Hector de Paula

Produção Musical: Paulo Altafim

Harmonizador: Walter Amantéa

Cenário: Elefante na Lata

Fotos e Vídeos de Divulgação: Tomaz Quaresma

Elenco: Ana Paula Villar, André Torquato, Gustavo Mazzei, Victória Ariante e Vitor Rocha

Músicos: Beatriz Schmidt, Cauê Brisolla, Fernando Bastos, Gabriel Fabbri, Hector de Paula, Ivo Vatanabe

Serviço:

De 29 de abril a 27 de maio

Todos os domingos às 15h

Espaço Cia da Revista
(Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecilia, São Paulo – SP)

R$60,00 inteira e R$30,00 meia (diante a apresentação de documento)

Os ingressos podem ser adquiridos no local do evento uma hora antes.

Duração: 90 minutos

Nanda Rovere, especial para o Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)