Cassio Scapin fala da estreia da peça sobre Myriam Muniz

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

"Eu não dava praquilo"
“Eu não dava praquilo”

O ator conta sobre a criação do monólogo Eu não dava praquilo, que escreveu com Cássio Junqueira. A peça estreia em julho no CCBB/SP e homenageia a atriz e a arte de interpretar

SÃO PAULO – A poucos dias da estreia nacional do monólogo Eu não dava praquilo que faz uma justa homenagem à atriz paulista Myriam Muniz falecida em 2004, o ator Cassio Scapin me concedeu uma entrevista para contar sobre este novo trabalho. Aos 48 anos, inúmeros prêmios na carreira e passagens marcantes no teatro, na TV e no cinema, Scapin pela primeira vez se aventurou como autor — divide a parceria do texto com seu xará Cássio Junqueira.

Durante nossa conversa, ele fala sobre esta experiência autoral, além de explicar o processo criativo da montagem, seu entrosamento com o diretor Elias Andreato (especialista em monólogos) e a intenção do espetáculo, que é no fundo fazer uma grande homenagem à arte de interpretar por intermédio da carreira e do método peculiar de ensinar teatro da atriz Myriam Muniz.

Abrindo uma brecha na concorrida agenda — além dos ensaios para a estreia, Scapin está no elenco da peça Lampião e Lancelote, em cartaz até 30/06 —, o ator fez questão de atender à reportagem e logo no início explica esta primeira experiência autoral:

É a primeira vez que escrevo para teatro. Mas em Eu não dava praquilo não é um trabalho de dramaturgia propriamente dito. São pensamentos da Myriam Muniz que eu e o Cássio Junqueira interligamos. Criamos um raciocínio já que o raciocínio dela era caótico e divertido. Roteirizamos e criamos a dinâmica cênica num monólogo. Há poemas do Cássio e pensamentos nossos misturados aos pensamentos da Myriam”, diz.

"Eu não dava praquilo"
“Eu não dava praquilo”

Além de entrevistas com amigos da atriz, a pesquisa para a concepção da peça teve como base o livro da escritora Maria Thereza Vargas, Giramundo- o Percurso de uma Atriz, e o DVD que as amigas Carmo Sodré, Muriel Matalon, Vânia Toledo, Angela Dória e Sandra Mantovani lançaram um ano após sua morte com uma entrevista feita em 1999, no apartamento onde Myiam morava, em São Paulo.

Eu não dava praquilo será o quarto monólogo na carreira do ator, que já encenou Diana, de Celso Frateschi em 1987, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e direção de Regina Galdino (1998), e Quando Comi o Cão, em 2003, do russo Evguéni Grichkovets, com direção de José Simões.

Mesmo com esta bagagem com solos, ele afirma que o processo de composição deste espetáculo está sendo mais difícil:

Confesso que como participo da autoria do texto, minha composição em cena está sendo mais difícil. Quando se tem o norte que não é da sua cabeça, pode-se contrapor, dialogar. Como criei também o texto, há um terreno arenoso desta vez. Fico com dúvida se o nosso trabalho fará jus ao pensamento da Myriam. Mas por outro lado, está sendo muito estimulante este processo criativo”.

Se Scapin vive um momento desafiador na carreira já que vai estar só em cena num texto de que participa como autor, ele tem um grande aliado nesta  aventura: o ator Elias Andreato, especialista em monólogos, que dirige a peça:

O Elias é um craque em solo, é um craque em escrever os solos que interpreta. Minha relação com ele está sendo deliciosa, ele é supergeneroso e carinhoso; tem um jeito de dirigir que me deixa muito confortável em cena”, esclarece o ator.

Para encerrar, Scapin faz questão de reforçar a intenção que eles têm com o espetáculo. Mais do que homenagear a grande atriz, diretora e professora Myriam Muniz, a peça é uma homenagem à arte de interpretar:

O monólogo, cômico dramático, faz uma homenagem ao ator por meio do método peculiar de se ensinar teatro criado por Myriam Muniz. Com a herança do Teatro de Arena em que ela foi atuante, seu método juntava o sacro e o profano, o drama e a comédia, com forte sabor brasileiro”.

E Cassio Scapin finaliza tentando definir esta influente artista brasileira:

Myriam tinha uma personalidade ímpar, que conferiu a ela uma forma inigualável de representar. Impulsiva, intuitiva, geniosa, mas de uma generosidade hoje rara nos palcos. Em sua trajetória não se consegue descolar trabalho e vida. Seu ofício era o seu jeito de existir”, conclui o ator.

Eu não dava praquilo estreia dia 12 de julho no CCBB/SP, permanecendo em cartaz até final de setembro. Outro diferencial da peça são os horários: além do final de semana, haverá sessão às segundas, dia em que a classe teatral tem folga e poderá conferir esta nova performance do premiado ator Cassio Scapin.
Aguardem e não deixem de conferir!

Fotos: João Caldas

Roteiro:
Eu não dava praquilo
. Texto: Cássio Junqueira e Cassio Scapin. Direção: Elias Andreato. Elenco: Cassio Scapin. Figurino e cenário: Fabio Namatame. Iluminação: Wagner Freire. Trilha sonora: Jonatan Harold. Assistente de direção: André Acioli. Produção executiva: Angela Dória. Fotos: João Caldas. Programação visual: Denise Bacellar. Direção de produção: Fernanda Signorini. Realização: Signorini Produções e Dub Serviços Artísticos.
Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil (125 lugares), Rua Álvares Penteado, 112, São Paulo. Informações: tel: 3113-3651 / 3113-3652. Horários: sábado às 20h, domingo às 19he segunda às 20h. Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia). Bilheteria: terça a domingo, das 9h às 20h. Ingressos: venda pelo site www.ingressorapido.com.br e na bilheteria do CCBB. Estacionamento: conveniado Estapar – Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos). Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Duração: 60min. Classificação: 16 anos. Temporada: de 12 de julho a 23 de setembro de 2013.

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.