Célia Forte faz uma Ciranda na vida de mãe, filha e neta

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone, parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Com Tania Bondezan e Daniela Galli e direção de José Possi Neto, novo texto da jornalista e dramaturga mostra como o destino pode aprontar ciladas em nossas vidas

Daniela Galli e Tania Bondezan em "Ciranda"

Um retrato do universo feminino tendo como foco 15 anos na vida de três mulheres da mesma família, a mãe, sua filha e a neta. Esse o argumento da nova peça de Célia Forte, Ciranda, em cartaz no Teatro Eva Herz até 28 de agosto, com Tania Bondezan e Daniela Galli dando vida a essas três mulheres de gerações distintas.

Nesse segundo texto teatral, Célia Forte debruça-se novamente sobre o mundo feminino. Se em Amigas, pero no mucho a rivalidade entre quatro amigas (interpretadas por atores) era o mote central, dessa vez a essência da discussão fica para as diferenças de visão de mundo entre mãe e filha e como o destino provoca verdadeiras cirandas na vida das pessoas.

Tudo acontece na casa de Lena (Tania), uma mulher libertária que vive até hoje a filosofia hippie dos anos 1960/70. O cenário de Fábio Namatame, que também responde pelo figurino, é rico em referência ao mundo psicodélico da moradora, o que deixa a filha Boina (Daniela) em pânico; as discussões entre elas são constantes. Boina (que odeia o nome dado pela mãe) é uma executiva bem-sucedida, casada com um americano e que tem uma filha pequena. Ela não entende a vida sem compromisso da mãe e sua eterna despreocupação com as finanças. Lena, por sua vez, adora a vida: tem sempre novos amores, bebe, fuma, se diverte. Mundos opostos, ou seja, mãe liberal e “bicho grilo” e filha conservadora e capitalista. Numa das ciladas do destino, elas são obrigadas a se separar e Lena passa a cuidar da neta. Passados 15 anos sem se verem, Boina volta para se reconciliar com Lena, mas a mãe já havia morrido e ela é obrigada a conviver com a filha, uma adolescente que reproduz o modo descompromissado de viver da avó.

Qual o limite de nosso tempo em comum?

As atrizes vivem personalidades opostas: no início o ponto de vista defendido por uma é atacado pela outra e na parte final a mesma atriz defende o que atacou no início da trama. Belo exercício de interpretação, em que tanto Tania como Daniela cumprem muito bem seus papéis, convencendo plenamente o público da verdade de seus personagens.

Gostaria de ressaltar dois argumentos do texto de Célia; o primeiro é a rivalidade feminina, muito comum na nossa sociedade. Parece que a mulher extrapola até a condição mãe e filha e vê na outra sempre uma rival. Entre pai e filho acredito que não haja tanta rivalidade como no mundo das mulheres. E outro ponto que me chamou a atenção na peça é quando a mãe confessa que não sabia “que já era o tempo da revisão”, do balanço de suas vidas. Será que temos noção do momento certo de revermos nossas convicções, nossas verdades, nossos sentimentos? Muitas vezes não sabemos a hora de ceder e desperdiçamos energia com brigas, intrigas e discussões. O entendimento e a chance de dizer ‘eu te amo’ muitas vezes escapam de nossas mãos!

Roterio:

Ciranda, de Célia Regina Forte. Direção: José Possi Neto. Elenco: Tania Bondezan e Daniela Galli. Cenário e figurino: Fábio Namatame. Iluminação: Wagner Freire. Trilha Sonora: Tunica Teixeira e Aline Meyer. Assistente de direção: Eduardo Santiago. Preparação corporal: Vivien Buckup. Pintura de adereços: Antonio Ocelio de Sá Alencar e Jady Forte. Fotos: João Caldas.Produtora: Selma Morente
Serviço: Teatro Eva Herz (166 lugares), Avenida Paulista, 2.073 – Livraria Cultura / Conjunto Nacional. Informações:             (11) 3170-4059       – www.teatroevaherz.com.br. Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 18h. Ingressos: Sexta R$ 40; Sábado e Domingo R$ 50. Bilheteria: terça a sábado, das 14h às 21h. Domingo, das 12h às 19h. Em feriado, sujeito à alteração. Aceita todos os cartões de crédito. Não aceita cheque. Vendas pela internet: www.ingresso.com. Vendas por telefone: 4003-2330. Duração: 80 minutos. Classificação Etária: 12 anos. Temporada: até 28 de agosto.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

1 comentário
  1. Assisti a peça com a minha filha.meu Deus como nos identificamos! através de risos e lágrimas,posso garantir que estávamos no lugar na hora certa muito obrigada a tods envolvidos neste lindo trabalho, quanto a interpretação das atrizes, sem palavras. Vocês são otimos!

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