Célia Helena ganha biografia pela Coleção Aplauso

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

Célia Helena com a filha Elisa Ohtake

“O essencial é identificar-me com a personagem, pois como atriz sou meio bicho, totalmente intuitiva, não adianta querer racionalizar as coisas. Senti, captei, e pronto, interpreto”. As palavras são da atriz Célia Helena, uma das mais importantes da história do teatro brasileiro, ao definir a forma como desenvolvia seu trabalho, reconhecido nos palcos e também no ensino das artes cênicas aos jovens. Na essência, ela era “Uma atriz visceral”, tal qual sugere o perfil descrito pela também atriz e escritora Nydia Licia na obra da Coleção Aplauso, produzida pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com lançamento marcado para a próxima quinta-feira (13), na livraria Cultura do Conjunto Nacional. Na oportunidade também será lançada a revista Olhares, da Escola Superior de Artes Célia Helena, editada por Luiz Fernando Ramos, crítico de teatro e um dos editores da revista Sala Preta, da Universidade de São Paulo, onde é professor da Escola de Artes e Comunicação.

Uma das dez filhas do casal Octaviano Raymundo Silva e Lygia Camargo Silva, Célia Helena sempre procurou usar a intuição para nortear seus passos como artista. Aos 15 anos decidiu ser atriz, opção ousada para os padrões da época. O fato incomum de escolher o rumo de sua vida tão cedo denotava uma independência não usual em famílias burguesas nos idos dos anos 1950.

Celinha, como é denominada por Nydia, enfrentou críticas e conselhos contrários a sua escolha. Convicta, mesmo não podendo ser aceita na Escola de Arte Dramática (EAD) pela pouca idade, se inscreveu no Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo com o intuito de aprender a arte de representar.

Começa então a história de uma das mais elogiadas atrizes brasileiras, dona de uma beleza, talento e personalidade inquietantes. Seu legado ficou em suas mais de cem interpretações, que incluem 80 peças de teatro e produções de TV e cinema. Além, é claro, da criação de sua escola de ensino de artes cênicas, que hoje se tornou uma faculdade.

A pesquisa de Nydia para contar a trajetória da artista contou com várias fontes, como as peças, programas de TV, filmes no quais a atriz participou, quanto pessoal da atriz, entre eles depoimentos da filha, Ligia Cortez, fruto do relacionamento de Célia Helena com Raul Cortez. A obra conta com uma homenagem do diretor José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina, escrita em 2008, por ocasião dos 47 anos do Teatro Oficina Uzyna Uzona.

Célia foi um dos nomes mais importantes na história do Teatro Oficina. Com o grupo, em 1963, estreou “Os Pequenos Burgueses”, um dos marcos e um dos maiores sucessos do grupo de teatro dirigido por José Celso. Na década de 90, a atriz participou de uma remontagem do texto de Gorki, desta vez sob a direção de Jorge Takla.

Artista já consagrada decide, em 1975, fundar a Célia Helena Produções Artísticas S/C Ltda. Monta espetáculos voltados ao público jovem e, em 27 de junho de 1977, inaugura o Teatro Escola Célia Helena, na Liberdade, região central de São Paulo.

O espaço foi o primeiro a oferecer cursos para crianças, pré-adolescentes e adolescentes, mantidos até os dias atuais. Como as despesas eram grandes, Célia Helena não parou de trabalhar em produções teatrais e de TV.

Célia Helena morreu em 1997, aos 61 anos, vítima de um câncer raro que ataca as paredes dos Vasos sanguíneos. Atualmente a Escola Superior de Artes Cênicas é administrada por sua filha Ligia.

Nydia Licia, a autora do livro, recebeu o Prêmio Jabuti pela biografia de Raul Cortez, também editada pela Coleção Aplauso.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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