Christiane Torloni, Jorge Takla, Fause Haten e José Possi Neto participam do projeto “De Dentro Pra Fora”, de Anselmo Zolla

Christiane Torloni, José Possi Neto, Fause Haten e Jorge Takla são convidados do projeto.

EM REDE – Qual é o futuro da arte? O que será dos espetáculos após a pandemia? Como o público irá se comportar quando pudermos voltar a sentar nas poltronas dos teatros? A arte virtual veio pra ficar? Como os artistas irão se reinventar? De Dentro Pra Fora, projeto idealizado pelo coreógrafo e diretor, Anselmo Zolla, tenta responder a algumas dessas perguntas que afligem artistas, técnicos, diretores, produtores e espectadores. O projeto, dividido em episódios, pode ser visto no canal de Anselmo no YouTube.

Zolla provoca personalidades como Christiane Torloni, Jorge Takla, Fause Haten, José Possi Neto, Carlinhos de Jesus, Marilena Ansaldi e Olaf Schmidt a debaterem essas questões tão difíceis e atuais.

Para Olaf Schmidt, diretor e coreógrafo alemão, “a interação ao vivo entre o artista e a plateia não pode, e jamais poderá ser, substituída pela comunicação virtual como a internet e serviços de streaming, uma vez que a mensagem tem apenas uma direção, é unilateral”. A atriz Christiane Torloni acredita que “aconteceu na contramão do que se imaginava uma grande abertura de conhecimento. Nós estamos vendo uma geração inteira poder ter acesso a alguma coisa que não tinha. Daí virá também uma nova, linda e rica expressão de cultura, seja de artes plásticas, de artes cênicas, todas as artes. Muitos artistas melhorarão. O mundo das artes nunca mais será o mesmo!”

O figurinista e ator Fause Haten opina: “a oportunidade de estar sentindo a respiração de um ator na minha frente cada vez vai ser mais importante e cada vez será mais valorizada. Mas os artistas, como seres criativos que são, começam a encontrar formas de se relacionar artisticamente com seu público através das mídias que a gente tem.” Já o encenador Jorge Takla está convencido de que “estamos vivendo uma realidade muito violenta, que é um grande colapso. Um colapso moral, ético, político, cultural, ambiental, econômico e isso é muito difícil. Estamos vivendo num país onde o Presidente da República disse que um povo armado jamais será escravizado e nós sabemos muito bem que um povo educado e culto jamais será escravizado.”

O diretor José Possi Neto anuncia: “Depois dessa pandemia, o teatro e as artes seguirão com o seu papel milenar que repensa, redimensiona, critica e indica novos caminhos pro homem e pra sociedade. Há emoção, há catarses provocadas só diante do ritual da encenação”. Já a atriz e bailarina Marilena Ansaldi prevê dias difíceis: “O Brasil, infelizmente, vive um retrocesso! A arte cada vez mais estará diluída, desaparecendo, não se sabe o que virá depois dessa doença. Será um novo mundo, um novo olhar. Todos os artistas desse país são grandes heróis!”

Os episódios podem ser vistos na página.

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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