Cia Ato Reverso reestreia espetáculo que problematiza fundamentalismo religioso e ondas de discursos de ódio

SÃO PAULO – Após dois anos, a Cia Ato Reverso reestreia Abigail Williams, ou De onde surge o Ódio? na sede da Cia Pessoal do Faroeste. O espetáculo é integrante do Festival Verão Vermelho e a mini temporada começa a partir da sexta-feira, 22 de fevereiro às 21h. As sessões terão entrada “pague o quanto puder” às sextas até o dia 29 de março. Inspirado na trama de As bruxas de Salém, de Arthur Miller, e desdobrado para os contexto político e social contemporâneo, o espetáculo Abigail Williams Ou de onde surge ódio? apresenta a história de Abigail Williams e seu envolvimento no processo de Caça às Bruxas instituído pelo governo de SS (Salém-São Paulo). Neste contexto, o discurso de ódio é apresentado como epicentro de uma sociedade permeada por atos de violência contra minorias designadas para serem “caçadas” pelo discurso fundamentalista e higienista hegemônico. A direção é de Nathália Bonilha com dramaturgia de Vinicius Garcia Pires e Cia Ato Reverso.

 

Abigail Williams Ou de onde surge o ódio? problematiza as estreitas relações entre os campos político, religioso e midiático diante da manipulação da opinião pública e da intolerância moral disseminada na sociedade. O espetáculo se propõe a lançar questões ao público, aproximando, assim, a ficção de Abigail de nossa realidade imediata. Em cena, as vozes das personagens se misturam às vozes ecoadas das mídias sociais e meios de comunicação contemporâneos. Partindo de Salém e chegando à São Paulo, neste curto-circuito entre o universo real e fictício, mais do que afirmar, o espetáculo se propõe a perguntar: De onde nasce o ódio? Como a sociedade em que em vivemos permite e promove o extermínio diário de parte de nós mesmos? Quais são as bruxas caçadas atualmente e por quais razões?

 

A encenação traz como elementos, a música ao vivo conduzida por cello, percussão e violão, coordenado pela Direção Musical e Orientação Vocal de Isadora Titto. O cenário assinado por Clau Carmo, e a luz de Robson Lima, fazem o espaço se transmutar em múltiplas configurações, o que inclui o uso de projeções – um dos recursos responsáveis por trazer elementos documentais à cena, na intenção de friccionar os limites entre real e ficcional no espetáculo. As cenas variam desde uma floresta até uma igreja evangélica, traçando um paralelo com o fundamentalismo do povoado protestante do século XVI.

Em 2016, o processo da Cia envolveu uma etapa de pesquisa com o antropólogo Ricardo Mariano, que investiga a expansão das igrejas evangélicas desde os anos 1980, em especial as neopentecostais, uma vez que o espetáculo intenciona problematizar a existência de discursos de ódio que se propagam atualmente por meio de discursos religiosos, políticos e virtuais.

 

 

 

FICHA TÉCNICA:

Direção: Nathália Bonilha. Dramaturgia: Vinicius Garcia Pires e Cia Ato Reverso. Elenco: Bárbara Lins, Daniel Aureliano, Diane Boda, Nathália Bonilha, Paulo Salvetti e Rodolfo Morais. Direção musical: Isadora Titto. Músicos em cena: Eduardo Florence e Ana Clara Travassos. Orientação coreográfica: Rafael Sertori. Iluminação: Robson Lima. Cenário e Figurino: Clau Carmo. Cenotécnico: Alício Silva. Costureira: Iracema Belarmina. Alfaite: Di Raffaele. Ilustrador: Sérgio Segal. Designer gráfico: Tiago Stracci. Criação e Operação de Vídeo: Letícia Negretti. Operação de Luz: Felipe Tercetto Produção: Nathália Bonilha e Sarah Reimann.

SERVIÇO:

Cia Pessoal do Faroeste – Rua do Triunfo, 305, Santa Efigênia. São Paulo – SP (próximo à estação Luz do metrô). Informações (11)3331-8943 .Temporada: De 22 de fevereiro a 29 de março, com sessões sextas às 21h (exceto na semana do carnaval). Sem estacionamento próprio. Classificação: 14 anos. Capacidade: 90 lugares. 100 min. Ingressos: Pague o quanto puder (Retirada de ingressos 1 hora antes da apresentação).

 

 

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado