Cia. Elevador de Teatro Panorâmico completa 10 anos e traz novidades

Michel Fernandes, Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

"A Hora em Que Não Sabíamos Nada Uns dos Outros". foto de João Caldas

Faz algum tempo que o teatro paulistano solidifica a forma de pesquisa de linguagens de grupo. Um pouco do fenômeno deve à exemplar estrutura da Cooperativa Paulista de Teatro que aglutina, com eficiência indiscutível, os coletivos de modo que viabilizem suas situações jurídico-administrativas; a Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura, também é um ganho fundamental para a classe artística, esse é o caso da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, agraciada pela Lei, que comemora sua primeira década com re-estreia, estreia, lançamento de livro e a inauguração do Espaço Elevador.

Nesta quinta-feira (9), 16h, com a re-estreia de A Hora em Que Não Sabíamos Nada Uns dos Outros, de Peter Handke, de graça, no Parque da Luz, que traz 300 personagens à cena, sob a interpretação de 16 atores, que não falam absolutamente nada. Mais de mil peças de roupas e 300 adereços são usados para compor os 300 personagens.

16 atores vivem 300 personagens

Segundo material de divulgação, a trilha sonora, originalmente criada para o espetáculo pelo músico Fernando Mastrocolla, impulsiona o eterno ir e vir dos personagens proposto por Handke. Em alguns momentos da peça, a nudez é utilizada como exemplo de neutralidade, de uma “tela em branco” pronta para qualquer cor, para qualquer traço significativo de comunicação.

Do Jeito Que Você Gosta, de William Shakeaspeare, estreia dia 1º de outubro e inaugura o Espaço Elevador, na Bela Vista, sede da Cia. Com capacidade para 50 pessoas, o espaço terá uma estrutura que lembra a do palco elizabethano, com dois andares com entradas e saídas em cada um deles,

“Escolhemos Do Jeito Que Você Gosta, porque ali podemos encontrar  em diversos momentos o grande tema shakespeariano que muito nos interessa em nossa pesquisa: a relação intrínseca entre vida e arte. Essa relação é diariamente verificada em nosso sistema de trabalho, e certamente nos impulsiona a continuar a investigação. Nessa peça Shakespeare, ao fazer com que seus personagens criem para si mesmos outros personagens através de um jogo de duplos, brincando com os gêneros, nos serve perfeitamente para essa etapa de nossa pesquisa continuada”, explica o diretor.

Livro apresenta pesquisa da Cia.

Completando as comemorações dos 10 anos da Cia., haverá a publicação do livro O Campo de Visão: Exercício e Linguagem Cênica, de Marcelo Lazzaratto. A obra abordará aspectos da improvisação para, aos poucos, mergulhar nas características do Campo de Visão e seus desdobramentos.

“Acredito que a todo trabalho de pesquisa prática deve se seguir uma elaboração teórica para que ela se torne mais potente e possa ser compartilhada não somente por seus resultados artísticos, mas, também, pelos seus aspectos reflexivos”, deseja o diretor.

A Cia. acredita que com a publicação aproximará ainda mais a sua pesquisa dos interlocutores tornando o diálogo mais fértil e profundo, além de ser um instrumento de pesquisa que possa vir a colaborar com as inquietações de todo e qualquer interessado no processo de criação de um grupo de teatro.

A publicação visa oferecer a todos os interessados um texto reflexivo a respeito do Campo de Visão: sua origem, sua aplicação, sua sistematização, seu desdobramento em linguagem cênica e todas as correlações teóricas que a Cia., durante esses 10 anos de percurso, fez com outros autores, que de alguma forma dialogaram.

VEJA TAMBÉM as fotos da peça A Hora em Que Não Sabíamos Nada Uns dos Outros

A Hora em Que Não Sabíamos Nada Uns dos Outros. Re-estreia dia 9 de abril, sexta-feira, às 16 horas, no Parque da Luz (pré-estreia dia 8 de abril às 16 horas). Autor – Peter Handke.Direção – Marcelo Lazzaratto. Tradução – Christine Röhrig.Assistente de Direção – Wallyson Mota. Elenco – Ademir Emboava, Carolina Fabri, Gabriel Miziara, Juliana Pinho, Marina Vieira, Pedro Haddad, Rodrigo Spina, Carolina Caetano, Guto Nogueira, Maria Laura Nogueira, Carla Kinzo, Daniela Alves, Joao Gabriel Manetti, Lucas Horita, Mauricio Schneider e Rita Gullo.Trilha Sonora Original – Fernando Mastrocolla. Iluminação – Wagner Freire. Figurinos – Mariana Calazans. Direção de Produção – Henrique Mariano. Fotos – João Caldas. Apoio – Goethe-Institut São Paulo e Parque da Luz. Duração – 90 minutos. Espetáculo recomendável para maiores de 16 anos.Temporada – Quintas e sextas-feiras às 16 horas e sábados e domingos às 16 horas e 19h30. GRÁTISAté 18 de abril.

Projeto contemplado pelo Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo.

PARQUE DA LUZ – Praça da Luz s/nº – Bom Retiro (próximo a estação Luz do metrô). Telefone: (11) 3477-7732. Acesso para deficientes físicos. Capacidade – 300 lugares.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.