Cia Mungunzá estreia segundo episódio de poema em Queda-Live


EM REDE – A Mulher que pariu o pai e o Fazedor de abandonos é o segundo episódio de Poema em Queda-Live, narrativa digital em três episódios da Cia Mungunzá de Teatro, que faz apresentações dias 21 de outubro, quarta-feira, às 21h; 23 de outubro, sexta-feira, às 22h e 25 de outubro, domingo, às 20h, no YouTube/TeatrodeConteinerMungunza. O grupo paulista recria para a linguagem visual a história principal do espetáculo Poema Suspenso para uma Cidade em Queda. Na montagem, levada aos palcos em 2015, uma pessoa cai do topo de um prédio e não chega ao chão. Os anos passam e este corpo não consuma a queda e a vida das pessoas nos apartamentos desse edifício fica presa numa espécie de buraco negro pessoal, onde cada um vive uma experiência que não finaliza.

Com direção de Luiz Fernando Marques (integrante do Grupo XIX de Teatro) e dramaturgia de Verônica Gentilin, que integra o elenco criador ao lado de Leonardo Akio, Lucas Bêda, Marcos Felipe, Pedro Augusto, Sandra Modesto e Virginia Iglesias, Poema em Queda-Live sintetiza a perspectiva de seis personagens fabulares sobre a queda de um corpo e mescla à perspectiva subjetiva dos atores sobre o momento de suspensão atual.

O videoartista Flavio Barollo se une ao elenco e direção utilizando diversas tecnologias existentes, como softwares de Live Streaming, Vídeo Mapping, manipulação ao vivo de imagens, para de forma inovadora combinar a essência do teatro à diversas formas de artes digitais. Todas as ações acontecem na plataforma de videochamadas Zoom e são transmitidas para outras plataformas.

Surrealismo
Poema em Queda-Live é dividido em três episódios com foco em duas personagens em cada um. “As histórias todas se entrelaçam e todos os personagens aparecem nos episódios, mas cada uma será recortada e aprofundada na imersão de dois universos por vez”, adianta Verônica Gentilin, que assina a dramaturgia.

O segundo episódio A Mulher que pariu o pai e o Fazedor de abandonos orbita entre os personagens dos atores Virginia Iglesias e Leonardo Akio e tem como tema central o surrealismo. Verônica optou, para esse episódio, por uma dramaturgia cíclica, que mescla passado, presente e futuro. “Com imagens oníricas, o capítulo vai abordar a memória e seu apagamento, em uma relação direta com os incêndios que estão acontecendo em todo o Brasil. O Carnaval também estará presente como uma grande festa de esquecimento, realizado para as pessoas esquecerem o seu cotidiano.

A Mulher que pariu o pai e o Fazedor de abandonos apresenta as histórias de uma mulher que engravidou na adolescência e nunca pôde contar ao pai. Por isso ela enfaixou sua barriga e não deixou o bebê nascer e de um homem que sempre é abandonado por pessoas e, para cada abandono, um bebê chorando aparece. A mulher guarda o bebê dentro de si como um relicário e o bebê, por não conseguir nascer, começa a falar dentro da barriga de outra mulher. O bebê quer contar ao avô morto que ele está preso dentro da barriga e pede socorro a um avô fantasma enquanto o homem nina seus abandonos.


Para roteiro Poema em Queda-live

Episódio 2 – A Mulher que pariu o pai e o Fazedor de abandonos
YouTube/TeatrodeConteinerMungunza (Para acompanhar a montagem pela plataforma de videochamadas Zoom o público deve fazer inscrição com 30 minutos de antecedência do início da apresentação no site da Cia Mungunzá de Teatro – ciamungunza.com.br).
Apresentações – dias 21 de outubro, quarta-feira, às 21h; 23 de outubro, sexta-feira, às 22h e 25 de outubro, domingo, às 20h.

Argumento e Produção Geral – Cia. Mungunzá de Teatro. Dramaturgia – Verônica Gentilin. Direção – Luiz Fernando Marques. Elenco – Leonardo Akio, Lucas Bêda, Pedro Augusto, Marcos Felipe, Sandra Modesto, Verônica Gentilin e Virginia Iglesias. Videoartista – Flavio Barollo. Fotografia e Produção Audiovisual – Bruno Rico e Pedro Augusto. Encenação Digital – Cia. Mungunzá de Teatro, Flavio Barollo e Luiz Fernando Marques. Trilha Sonora – Gustavo Sarzi. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta. Recomendado para maiores de 14 anos. Duração – 40 minutos. Grátis.

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!