Cia. Teatro Rock aposta em musical alternativo

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

"Se essa rua fosse minha"

SÃO PAULO – Para aqueles que imaginavam ser os musicais uma febre passageira, a primeira década desse novo século comprovou que o que parecia ser momentâneo não apenas se firmou como exigiu aprimoramento de artistas e técnicos. Dentre as dezenas de superproduções que estrearam neste ano, Se Essa Rua Fosse Minha – O Amor nos Anos de Chumbo, de Marcos Ferraz, com a Cia. Teatro Rock, aposta numa linha diferente, seja em relação aos temas tratados, a pesquisa na forma dramatúrgica, bem como no modesto orçamento das produções.

“Somos  o ‘primo pobre’ do teatro musical (referência aos 55 mil que custou a produção de Se Essa Rua Fosse Minha em comparação aos 5 milhões que custou Cabaret), mas fazemos o que acreditamos. Gosto de algumas superproduções musicais, mas a preocupação da Cia. Teatro Rock é pesquisar uma linguagem dramatúrgica de musicais com produções mais baratas”,  diz Marcos Ferraz, também roteirista do programa Descolados,  da MTV.

Sob direção de Fezu Duarte e Marcos Okura, Se Essa Rua Fosse Minha inspira-se  na história  de amor impossível entre Romeu e Julieta, protagonistas da peça homônima do bardo inglês William Shakespeare, mas aqui, ao invés da inimizade das famílias Capuleto e Montechio, o jovem casal pertencem a parcelas político-sociais distintas: um estudante de Filosofia da USP (simbolizando a Esquerda proletária) se apaixona por uma jovem universitária do Mackenzie (simbolizando a Direita e seus valores burgueses) meio aos “anos de chumbo”, em 1968, em que, durante o governo de Costa e Silva, dia 13 de dezembro, foi anunciado o AI-5, começo da ferrenha perseguição durante a Ditadura Militar.

Se essa rua fosse minha"

Embala o musical, que fica em cartaz até 6 de novembro, de quarta a domingo no Centro Cultural São Paulo (CCSP), músicas de Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Zé, Mutantes, Gilberto Gil, Roberto Carlos e outros mestres do cancioneiro popular brasileiro. A peça também faz um paralelo com os anos 1990, com o movimento dos “caras pintadas”, quando, depois de muito tempo os jovens voltavam às ruas para uma bela manifestação cívica. Os filhos da nossa protagonista estão numa destas passeatas e fazem-na lembrar dos seus tempos de juventude nos anos 1960.

Com dezenas de artistas no elenco e ficha técnica, Se Essa Rua Fosse Minha encerra as comemorações de uma década da Cia. Teatro Rock (A Sessão da Tarde e Lado B

FICHA TÉCNICA
Texto: Marcos Ferraz
Direção: Marcos Okura e Fezu Duarte
Coreografias: Juliana Sanches

Cenário E Figurinos: Pedro De Alcântara
Direção Musical: Ivan Parente,Vinícius De Loiola E Rogerio Mathias
Elenco: Arthur Berges, Marcela Gibo,Luiz Rodrigues, Fernanda Bellinati, Paula Flaiban, Fábio D’arrochella, Diego Montez, Oliver Tibeau, Rannieri Herdy, Áurea Giovanini, Thiago Montenegro,Diego Rodda, Yanne Detilio, Fabrício Oliveira Lord, Clara Camargo, Cidy Dionísio egio Musa.

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

ATÉ 6 DE NOVEMBRO

Sala Jardel Filho no Centro Cultural São Paulo

Capacidade: 324 lugares

Ingressos: R$ 20 (na bilheteria de 3ªf a Domingo das10h às 22h ou pelo telefone 4003 -2050 ou pelo site ingressorapido)

Quarta a Sábado21hs e aos Domingos, às 20hs.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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