Ciclo virtual de leituras dramáticas: Projeto entusiasma Marcello Airoldi

SÃO PAULO – Quando acabou a primeira leitura de seu projeto de leituras de textos teatrais via Instagram, no dia 30 de abril (O Monta-Cargas, de Harold Pinter, lida por ele e Nelson Baskrville, com direção de Virgínia Cavendisch), o ator Marcello Airoldi sentiu-se como se tivesse saído de uma estreia. Eufórico e sensível, queria jantar no Planeta´s, tomar um vinho, confraternizar. Uma semana depois, a sensação se repetiu ao final da experiência virtual com Diplomacia, de Cyril Gely, com Otávio Martins e Eduardo Semerjian. 

O ciclo virtual de leituras dramáticas acontece semanalmente, às quintas-feiras, às 20 horas, e pode ser acompanhado no perfil do Instagram @rededeleituras e no dos  atores envolvidos. Como a adesão da classe artística está crescendo – o grupo de atores, autores, diretores, produtores já soma 120 pessoas e cresce a cada dia – , em junho o projeto vai realizar leituras duas vezes por semana (às terças e quintas) e, em julho, já serão três dias (terças, quintas e sextas), sempre às 20h.

A agenda de programação prevê 27 reuniões virtuais até final de julho, trinta até metade de agosto. No final, a cada sessão on line é aberto espaço para o debate, a troca de ideias. Ao lado de Thiago Albanese, o parceiro na empreitada, Airoldi está desbravando o formato e espera encontrar outras possibilidades de recursos via Internet.

Marcello Airoldi acredita que a interação com uma pessoa, via internet, enquadrada por meio da câmera do celular, gera um comprometimento artístico diferente de uma leitura de mesa. Mesmo virtual, ele se sente em um espaço de encenação com relação ao público.

“É impressionante, é mais que uma leitura, é uma atuação para a câmera. Isso mobilizou a gente de uma forma diferente.”

Isolados e juntos na Internet

Quando tudo parou por conta da crise mundial na saúde, o ator Marcello Airoldi tinha atuado em apenas duas sessões da peça Caros Ouvintes (dirigida por Otávio Martins), além de ter participado de um dia de gravação da segunda fase da novela Poliana, no SBT.

Isolado em casa, recuperou ideia antiga para manter a classe unida, aquecida, para não deixar esfriar o fazer teatral. Há 10 anos, pensou criar um site para manter o contato com pessoas interessantes que conhecera em viagens por várias regiões do Brasil. Na época, ele e Thiago Albanese viajaram apresentando dois espetáculos – Café com Torradas, de Gero Camilo, e Um Segundo e Meio, de sua autoria.

Desde então, ele e Thiago imaginavam criar um recurso para continuar encontrando pessoas. Com a pandemia, ganhou corpo a proposta de montar uma rede de comunicação entre os artistas pela telinha do celular ou do computador. E a ideia de abrir a leitura no Instagram dos artistas também – e não só no Instagram da rede -, visa atingir outros públicos.

“Também aglutinar pessoas que já frequentam esse meio, para que se interessem por uma nova linguagem”.

Repercussão e futuro

 

Marcello gostaria que o projeto continuasse depois da quarentena mas salienta que ele foi criado em ambiente de bolha de reclusão para ser um respiro por meio da arte. “Resolvemos concentrar as leituras até julho por acreditar que até este mês, de fato, estaremos isolados socialmente. Se tiver fôlego para continuar depois da pandemia, a gente segue”, diz, adiantando que está segurando textos para fazer uma agenda a partir de agosto, quando devem ser incorporadas outros gêneros, como o conto.

Tchello quer sentir a repercussão do ciclo e, animado, conta que já tem confirmada uma mostra de solos só com mulheres, nas sextas-feiras de julho, com Clarisse Abujamra, Amanda Acosta, Paula Cohen, Lara Córdula, Fabi Gugli e Helena Albergaria, por enquanto. Também em julho, ao lado do parceiro Thiago, vai ler Esperando Godot, com direção de Pedro Granato.

*Veja a programação no Instagram @rededeleituras.