Claudio Botelho: “O Mágico de Oz é uma obra seminal dos musicais norte-americanos”

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com.br)

Malu Rodrigues protagoniza "O Mágico de Oz"
Malu Rodrigues protagoniza “O Mágico de Oz”

SÃO PAULO – Sonho acalentado há tempos pela dupla Möeller & Botelho, a estreia paulistana de O Mágico de Oz, com sua logística avançada que permite voos, tempestade, um vai-e-vem de cenários e muitos efeitos especiais, comprova que longe de ser um modismo, o gênero musical brasileiro já pode ser produto de exportação.

Em mais de 30 espetáculos musicais, a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, cuja alcunha dada por Tânia Brandão – Reis do Musical – cai como uma luva, assinam um musical sobre as canções de Milton Nascimento (seguindo a fórmula de Beatles Num Céu de Diamantes) que chega por aqui (Teatro GEO) em março e prepara um musical que estreia na Broadway. Claudio Botelho, diretor musical de O Mágico de Oz, fala sobre o musical e sobre outros assuntos em entrevista exclusiva concedida a Michel Fernandes/ Aplauso Brasil.

Michel Fernandes – Quando conversamos na entrevista coletiva de As Bruxas de Eastwick (final de 2011), você e Charles Möeller se preparavam para montar um espetáculo sobre Judy Garland (Judy Garland – Além do Arco-íris) e, na sequência, O Mágico de Oz. Como se desenrolou esse processo?

Claudio Botelho – Minha fascinação e do Charles (Möeller) pela Judy (Garland) é enorme, a gente acabou fazendo antes do Mágico (de Oz) esse musical sobre a vida da Judy (Judy Garland – Além do Arco-íris) e caímos de cabeça no início da Judy, que é O Mágico do Oz. Descobrimos que O Mágico do Oz é muito mais até que Judy Garland, ele é uma obrao seminal da história do musical americano.

MF – Como é transpor um clássico do cinema (1939) para os palcos?

CB – Ele é primeiro musical colorido da história do cinema (1939), então o desafio é enorme. Essa versão (da Royal Shakespeare Company, de Londres) é bastante fiel ao filme que pegou tudo que foi escrito para o filme, de música, de textos etc.

MF – O musical foi feito para o cinema?

CB – Houve uma montagem do próprio autor do livro (l. Frank Baum), em 1907, que não era um musical dos tempos atuais, era uma revista. Só depois do filme que a Royal Shakespeare Company e o transformou num musical em Londres. Mas isso nunca esteve na Broadway,  esteve no Madison Square Garden. Este é um material tão sagrado nos Estados Unidos. Esse é O Mágico de Oz completo, com tudo que foi escrito, números que foram descartados do filme, canções que foram cortadas,  cenas que foram tiradas, ele é espetáculo bem completo. Foi muito difícil de fazer, é um espetáculo muito difícil, o cenário é muito complicado (14 cenários criados por Rogério Falcão), a cada cena ele está num lugar diferente e você tem que acompanhar isso, ele começa no Kansas num mundo real e passa para um mundo fantástico durante quase uma hora e meia, depois ele volta pro Kansas, pro mundo real novamente.

A dupla Möeller & Botelho
A dupla Möeller & Botelho

MF –  Certamente ele exige uma logística técnica existente em espetáculos realizados na Broadway (NY) ou West End (Londres)?

CB – Ele exige essa mesma logística, sendo que, como ele não existe em nenhum outro lugar, ninguém foi importado, tudo que vocês vão ver aqui (no Teatro Alfa), foi criado por brasileiros, cenógrafo brasileiro, por iluminador brasileiro, figurinista brasileiro.

MF – Isso dá à dupla Möeller & Botelho know-how de exportação. Já há algo programado nesse sentido?

CB –  Nós vamos fazer o Orfeu Negro, do Vinicius de Moraes, na Broadway. É uma tentativa, é um material brasileiro que a gente vai fazer na Broadway, nesse momento estamos escrevendo e, supostamente, a gente vai dirigir sim. É um sonho, embora os contratos estejam assinados, eu prefiro tratar isso como um sonho, que é tão interessante.

MF – E pela GEO Eventos (a dupla Möeller & Botelho é diretora artística da empresa de musicais criada pela Rede Globo)?

CB – Vamos estrear em março, no Rio de Janeiro, Como vencer na vida sem fazer força (How to sucessed in business without really trying), um musical montado há pouco na Broadway. No Brasil será com Luiz Fernando Guimarães e Gregório Duvivier. Já nosso espetáculo sobre

Milton Nascimento, Nada Será Como Antes, em cartaz no Rio de Janeirom chega ao Teatro GEO, em São Paulo, dia 21 de março.

O MÁGICO DE OZ   Um espetáculo de CHARLES MÖELLER & CLAUDIO BOTELHO   Elenco:   HELOISA PERISSÉ – BRUXA MÁ DO OESTE LUCIO MAURO FILHO – LEÃO COVARDE MALU RODRIGUES como DOROTHY   ANDRÉ TORQUATO – ESPANTALHO NICOLA LAMA – HOMEM DE LATA BRUNA GUERIN – GLINDA / TIA EM FERNANDO VIEIRA – TIO HENRY   PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: LUIZ CARLOS MIELE – MÁGICO   COM:   ANELITA GALO ARTHUR ROZAS AUGUSTO ARCANJO BETO VANDESTEEN BIANCA ANDREOLLI CARLOS MARTIN DANIEL NUNES DANILO GAMBINI DIEGO BIAGINNI DIEGO MEJÍA DITTO LEITE ESTELA RIBEIRO FLAVIO ARCO-VERDE GIOVANNA MOREIRA JANA AMORIM JHEAN ALEX JULIA DUARTE JULIANA ROMANO JUNIOR ZAGOTTO KARINA MATHIAS KOSTYANTYN BIRIUK MARIA NETTO MARIANA BARROS NATACHA TRAVASSOS OTAVIO ZOBARAN PEDRO ARRAIS VANESSA COSTA   e SAGE como TOTÓ   Direção Musical e Regência: MARCELO CASTRO Supervisão Musical: CLAUDIO BOTELHO Coreografia: ALONSO BARROS Cenografia: ROGÉRIO FALCÃO Figurinos: FAUSE HATEN Iluminação: PAULO CESAR MEDEIROS   Design de Som: MARCELO CLARET Visagismo: BETO CARRAMANHOS   Realização: AVENTURA ENTRETENIMENTO

SERVIÇO:   Estreia dia 22 de fevereiro Temporada de 22 de fevereiro a 26 de maio   Sextas, às 21h30. Sábados, às 16h e 20h. Domingos, às 15h e 19h.   Classificação: Livre Duração: 150 minutos (intervalo de 15 minutos)   Ingressos:   Sextas: R$ 40 (Balcão 2), R$ 70 (Balcão 1), R$ 120 (Plateia) e R$ 140 (Vip). Sábados e Domingos: R$ 60 (Balcão 2), R$ 110 (Balcão 1), R$ 160 (Plateia) e R$ 180 (Vip).   Teatro Alfa R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro Telefones: 11 5693.4000 e 0300 789 3377

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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