SÃO PAULO – Primeira criação do Coletivo Seiva Bruta, grupo de jovens artistas formado no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo (USP),A Iminência da Morte das Plantas pelos Canhões de Guerra estreia dia 26 de maio, sábado, às 20 horas, no Teatro de Contêiner Mungunzá. Com Direção de Victor Walles, que assina a dramaturgia ao lado de Maíra do Nascimento, montagem traz no elenco os atores Camila Móra, Fernando Moraes e Henrique de Paula.

O espetáculo traz à cena pesquisas histórico-sociais sobre o ano de 1968 no Brasil, suas revoluções de costumes, lutas do movimento estudantil e o avanço brutal da repressão do aparato militar até culminar no AI-5. Para isso, a montagem tem como base de sua criação, três referências fundamentais de pesquisa: o filme Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci, sobre três jovens universitários vivendo em um apartamento em pleno fervor das manifestações e lutas do maio francês nas ruas de Paris; o livro 1968 – O Ano que não Terminou, de Zuenir Ventura, que trata das transformações e lutas que ocorreram no Brasil durante o ano e o artigo Sobre o Conceito de História, de Walter Benjamin.

Em A Iminência da Morte das Plantas pelos Canhões de Guerra dois irmãos Téo (Fernando Moraes) e Isa (Camila Móra) moram na Rua Maria Antônia e recebem o estrangeiro Mateus (Henrique de Paula) para passar um tempo junto com eles no apartamento. Trancados como forma de proteção e esconderijo ao avanço da repressão do governo militar, os três atravessam o ano de 1968 passando pelas revoluções culturais e as revoltas políticas lideradas pelo movimento estudantil. Narram a morte do estudante Edson Luís, expõe suas contradições na Batalha da Maria Antônia, viajam até o congresso de Ibiúna e como um delírio de um dia ter achado a possibilidade de impedir o avanço opressor do aparato militar, terminam separados com a decretação do AI-5.

Fora da universidade
O processo de criação começou no segundo semestre do ano de 2016, durante a disciplina de Direção III, orientada pelo Prof. Dr. Antônio Araújo dentro do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo (USP). O grupo, então se debruçou na elaboração do texto e também de um primeiro experimento cênico, o que gerou no ano seguinte a criação do coletivo e a ideia de levar o espetáculo aos palcos fora dos muros da universidade.

Durante a pesquisa para a construção do espetáculo, o Coletivo Seiva Bruta passou por três locais que protagonizaram eventos e ideologias marcantes do ano de 1968 e que foram fundamentais no trabalho com a criação da dramaturgia, como a Rua Maria Antônia e região (Batalha da Maria Antônia entre Mackenzie e USP); a cidade de Ibiúna onde ocorreu o Congresso da UNE e o antigo prédio do DOPS que hoje é o Memorial da Resistência de São Paulo.

Para roteiro:

A IMINÊNCIA DA MORTE DAS PLANTAS PELOS CANHÕES DE GUERRA – Estreia dia 26 de maio, sábado, às 20 horas, no Teatro de Contêiner Munguzá. Com o Coletivo Seiva Bruta. Direção – Victor Walles. Dramaturgia – Maíra do Nascimento e Victor Walles. Atuação – Camila Móra, Fernando Moraes, Henrique de Paula. Iluminação – Valmir PS. Cenografia – Guilherme Wolff Lemos. Figurino – Guilherme Wolff Lemos. Sonoplastia – Edézio Aragão e Hayeska Somerlatte. Produção – Ana Bonetti. Voz Off – Alice Máximo, Ana Bonetti, Giovanna Monteiro e Victor Walles. Arte Gráfica – Nina Menezes. Duração – 120 minutos. Recomendado para maiores de 16 anos. Temporada – Até 17 de junho – Sábados e domingos às 20 horas. Ingressos – R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada).

TEATRO DE CONTÊINER MUNGUNZÁ – Rua dos Gusmões, 43 – Luz (próximo à estação Luz do metrô). Acesso para deficientes físicos. Capacidade do Teatro – 99 lugares. Bilheteria – Abre uma hora antes do início das apresentações (aceita dinheiro e cartões débito/ crédito Visa e MasterCard). Vendas antecipadas pelo site www.ciamungunza.com.br.