Com direção de Jonas Bloch, Três Homens Baixos volta a ser encenada agora com Francisco Cuoco

Maurício Mellone* (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Três Homens Baixos" - foto de Paula Kossatz

Peça de Rodrigo Murat volta a ser encenada agora com Francisco Cuoco, Anselmo Vasconcellos e Orlando Vieira e com cenário de Renato Scripilliti

SÃO PAULO – Em 2001 o espetáculo de Rodrigo Murat era estrelado por Rogério Cardoso, Flávio Galvão e Jonas Bloch, que desta vez assina a direção. Francisco Cuoco, Anselmo Vasconcelos e Orlando Vieira vivem nessa nova montagem os três amigos de infância que se encontram periodicamente na mesa de um bar. A comédia Três Homens Baixos foi criada para brincar com outra peça,Três Mulheres Altas, do dramaturgo norte-americano Edward Albee, encenada no Brasil em 1995 por Beatriz Segall, Nathalia Timberg e Marisa Orth. Ao contrário de Albee, Murat fez uma comédia rasgada, localizada no bar, local ideal para se jogar conversa fora e também para confissões íntimas; ele brinca com temas tabus para o universo masculino, como a impotência, a infidelidade e a homossexualidade. O espetáculo estreou no Teatro Jaraguá e fica em cartaz até 18 de dezembro.

Os três amigos, o professor Ciro (Cuoco), o banqueiro de jogo do bicho Samuca (Anselmo) e o publicitário Titi (Orlando que também é o responsável pela produção da peça), sempre se encontram no mesmo bar e da mesma forma, cantando marchinhas picantes que entoavam na infância.

Logo se vê que esses encontros acontecem de tempos em tempos e a cada vez eles fazem uma recapitulação de suas últimas experiências. Como acontece na vida real, depois do segundo copo há mais descontração e as intimidades se afloram. Samuca é rato de academia, esconde como pode a idade e se vangloria de suas conquistas com as mulheres, principalmente as mais novinhas. Titi, um publicitário bem-sucedido, conta que se divorciou e assume-se gay, para espanto do bicheiro.

Já o professor, tímido e um tanto mão de vaca, não resiste e confessa ter problemas de ereção. Pronto, com ironia, tabus do universo masculino são postos à mesa e os três amigos são obrigados a lidar com temas bem delicados, como impotência, homossexualidade e infidelidade no casamento (o garanhão sabe ao ficar viúvo que a mulher tinha amantes).

"Três Homens Baixos" -foto de Ismael Neves

Para o diretor Jonas Bloch, “tudo é apresentado com muito humor, alegria e de uma forma bem brasileira de encarar a vida”.

Não posso deixar de comparar esta comédia de Murat com a peça de Nanna de Castro, Novelo, em cartaz no Viga Espaço Cênico. Ambas têm como mote central o homem na sociedade de hoje, mas os temas são tratados de maneira diametralmente opostas. Se em Três Homens Baixos os problemas e limitações dos três amigos são apenas mencionados, em Novelo a autora põe a nu o homem contemporâneo, discutindo em profundidade questões e conflitos do universo masculino por meio da relação dos cinco irmãos.

Cheguei a ficar constrangido com o uso indiscriminado de palavrões e linguajar chulo. A plateia ria muito, mas um texto para provocar riso não precisa apelar tanto, com palavrões à revelia. No programa da peça, Francisco Cuoco parece que se justifica: “A maioria do público vai rir e adorar. Alguns poucos vão torcer o nariz. Esquecem que verdades podem ser expressas com humor”. Dentro desta visão, sou um dos que não aprovam o tom da comédia de Murat.

Roteiro:
Três Homens Baixos. Autor: Rodrigo Murat. Direção: Jonas Bloch. Elenco: Francisco Cuoco, Anselmo Vasconcellos e Orlando Oliveira. Cenário:Renato Scripilliti. Figurinos: Ellen Cristine. Iluminação: Berilo Nosella. Locução em off: Georgia Gomyde. Fotos: Ismael Neves e Paula Kossatz. Produção:Orlando Vieira.

Serviço:
Teatro Jaraguá
(271 lugares). Rua Martins Fontes, 71, tel. 3255-4380. Sextas às 21h30, sábados às 21h e Domingos às 19h. Ingressos: Sexta e domingo R$ 50 e sábado R$ 60. Duração: 80 minutos. Classificação etária: 16 anos.Ingressos antecipados: www.ingressorapido.com.br ou tel. 4003-1212. Estacionamento com manobrista, R$18. Temporada: até 18 de dezembro

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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